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Coronavírus21/03/2020 | 10h00Atualizada em 21/03/2020 | 10h00

"A indústria está preparada para enfrentar a crise", diz economista 

Gustavo Bertotti avalia a oscilação das ações de empresas de Caxias do Sul

"A indústria está preparada para enfrentar a crise", diz economista  Porthus Junior/Agencia RBS
" A expectativa agora é melhor, apesar de estarmos vivendo um momento de muita oscilação, pela qual os chineses já passaram", defende Gustavo Bertotti. Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Há duas formas de se analisar os dados recentes do mercado de ações. A primeira, é pessimista. Se os dados forem analisados com frieza e descontextualizados, são assustadores. As ações da Petrobras, por exemplo, desvalorizaram 51,82% só no mês de março, e acumulam perdas de 59,54% em 2020. O tsunami de consequências econômicas, que começou lá na China, desaguou nas Américas neste mês e tende a deixar mais tenso ainda o mercado brasileiro. 

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Mas há uma segunda forma, que é mais otimista. Apesar das consequências imediatas que o mundo está sofrendo, por conta das ações de prevenção a covid-19, que restringem a produção industrial e o comércio, dessa vez o Brasil vai reagir melhor e mais rápido. A partir de quando, ninguém ousa dizer, mas o país vai superar mais essa crise.

– Comparamos essa crise do coronavírus com a de 2008 (em 15 setembro de 2008, marco da crise, um dos bancos de investimentos mais tradicionais dos Estados Unidos, o Lehman Brothers, foi à falência, e as Bolsas do mundo todo despencaram). A expectativa agora é melhor, apesar de estarmos vivendo um momento de muita oscilação, pela qual os chineses já passaram. Dessa vez será diferente. Porque a nossa indústria está melhor preparada para enfrentar essa crise – defende Gustavo Bertotti, economista, professor da FSG e head de Renda Variável da Messem Investimentos.

Bertotti diz que as férias coletivas da indústria caxiense, que se iniciam na próxima segunda-feira, dia 23, vão impactar diretamente nos resultados do trimestre e do semestre, colocando em dúvida a geração de receita futura de Randon e Marcopolo, por exemplo. 

– A Marcopolo ficou com uma fábrica parada aproximadamente por dois meses no Novo Distrito de ChangZou, na China (a retomada da fábrica aconteceu em 17 de março). As duas companhias desvalorizaram em março, na bolsa de valores. As ações da Marcopolo (POMO4) caíram 52,86% e, da Randon (RAPT4), 54,71%. No entanto, cabe destacar que ambas estão com situações diferentes das últimas crises. Randon e Marcopolo melhoraram seus indicadores de liquidez, com aumento significativo das disponibilidades de caixa e lucro, e tem menos endividamento, com uma melhor gestão de passivo. Na minha opinião, ainda não temos como mensurar o impacto no setor, mas acredito que, em geral, a indústria está muito melhor preparada para enfrentar essa crise – argumenta o economista.

Hora de comprar
Bertotti ensina que ao comprar ações de uma determinada empresa, o investidor está se tornando um parceiro, um sócio da companhia. Ou seja, sócios tem de entender sua relação com a empresa, como se fosse um casamento. É preciso estar junto, “na alegria e na doença”. Com o perdão do trocadilho, mesmo em tempos de coronavírus, defende o economista há que se prestar atenção às boas perspectivas.

– É uma boa hora para comprar ações. Se compararmos o preço das ações da Marcopolo, Randon e Fras-le, por exemplo, em fevereiro e março, vamos observar como estão mais baratas para a compra. Mas lembrando, assim que passar essa crise, que ainda não estimamos por quanto tempo será, a tendência é de valorização das ações – defende.

Conforme dados apurados na Ibovespa, pelo economista, em 18 de fevereiro a cotação das empresas estava assim distribuída. Randon (R$ 14), Fras-le (R$ 6,60 e Marcopolo (R$ 5,50). Na abertura do pregão de sexta-feira, as mesmas ações estavam valendo: Randon (R$ 5,29), Fras-le (R$ 3,55) e Marcopolo (R$ 2,31).

Cenário futuro
Economistas não preveem o futuro, eles apenas leem dados, cruzam informações e analisam estatísticas. Bertotti defende que a indústria de uma forma geral, não apenas aqui na Serra, aprendeu muito com as últimas crises.

– Atualmente, as empresa estão mais sólidas em seus planejamentos, trabalhando de modo equilibrado a questão de endividamento, e aprenderam a ter mais liquidez e dinheiro em caixa – observa.

Bertotti exemplifica esse cenário mais positivo e com melhores expectativas a partir do exemplo da Petrobras.

– Em 2015, a Petrobras deu R$ 35 bilhões de prejuízo. No ano seguinte, em 2016, foi R$ 14 bi de prejuízo. Só em 2018 é que voltou a ter lucro, de R$ 26 bi. E no ano passado, a companhia deu R$ 40 bi de lucro líquido, pagando dividendos, com boa gestão de passivos, com caixa e liquidez. Ou seja, o cenário futuro é melhor. Só que agora estamos vivendo um momento de grande oscilação, que vai passar, só ninguém sabe dizer ainda quando – avalia.

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