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Mercado imobiliário14/02/2020 | 07h30Atualizada em 14/02/2020 | 07h30

Imóveis usados puxam a retomada do setor em Caxias do Sul

Cidade tem 6,7 mil unidades disponíveis para compra e aluguel. Estimativa é crescer até 15% em 2020

Imóveis usados puxam a retomada do setor em Caxias do Sul Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

As placas de aluga-se e vende-se ainda tomam conta de muitas fachadas de prédios e casas da área central de Caxias do Sul. Menos perceptíveis, elas também estão presentes nos bairros da cidade. Estimativa da  Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) indica que pelo menos 6,7 mil imóveis estão disponíveis para compra e aluguel. 

Mesmo assim, o cenário é otimista. O presidente da associação, Fernando Gonçalves dos Reis, assegura que, para 2020, as perspectivas de fortalecimento da economia brasileira devem impulsionar o volume de negócios de 10 a 15% em Caxias.

A retomada do setor está sendo puxada pelos imóveis usados.  Dados da Associação de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam que, em 2019, o financiamento deste tipo de unidade cresceu 77%, enquanto os novos caiu 7%. Em Caxias, dos 3,2 mil imóveis à venda, 70% são usados. A falta de lançamentos de novos empreendimentos está entre as causas.


CUSTO 20%  MENOR

CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 13/02/2020Vendas de imóveis usados puxam a retomada do mercado imobiliário em Caxias.Oni Cavagnolli(Lucas Amorelli/Agência RBS)
Oni Cavagnolli é um comprador potencial de imóveis usados. "O preço é um chamariz", dizFoto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Durante a crise, havia uma superoferta de novas unidades, resultado de projetos que começaram quando o mercado estava aquecido, antes de 2014. De lá para cá, as incorporadoras elaboraram estratégias para desovar os estoques e colocaram um freio no lançamento de novos projetos.  

— Neste momento, os usados lideram os negócios no mercado imobiliário — ressalta o presidente da ABMI.  

A corretora de imóveis Patrícia Graff endossa a opinião de Reis. Na área de vendas há mais de oito anos, ela se especializou na comercialização de usados e o fechamento dos negócios aumentou nos últimos três anos.  Em sua carteira de clientes, 80% procuram por este tipo de negócio.

— É menos burocrático e a negociação é mais flexível, pois na maioria da vezes não envolve financiamento bancário — explica a corretora.

O aposentado Oni Cavagnolli, 76 anos, é comprador em potencial. Há seis meses comprou um apartamento usado e já está em busca de outro negócio do tipo. 

— Além da ampla oferta, o preço também é um chamariz — aponta.

O usado custa, em média, 20% a menos que o novo. Outra vantagem, segundo Cavagnolli, é que, geralmente, o imóvel está mobiliado, o que facilita a ocupação.

Para Cavagnolli é uma boa época para investir. 

—Se tiver dinheiro disponível, melhor ainda. Você pode negociar o valor mais facilmente — conta.

Foto:


CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 13/02/2020Vendas de imóveis usados puxam a retomada do mercado imobiliário em Caxias. Klaus Robert C. Cruz busca um imóvel para alugar em Caxias(Lucas Amorelli/Agência RBS)
O gestor de empresa Klaus Cruz reclama do alto preço do aluguel em CaxiasFoto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

3,5 mil imóveis para locação

Dos cerca de 6,7 mil imóveis disponíveis no mercado imobiliário em Caxias do Sul, 3,5 mil são para locação, segundo estimativa da ABMI.  A crise e a dificuldade na venda de unidades ampliaram o número de ofertas. Mesmo assim, o valor do aluguel na cidade ainda é considerado alto para muitos locatários.

O gestor de empresas Klaus Robert C. Cruz, 41, veio de Salvador (Bahia) há quatro meses e já procura um segundo apartamento para alugar. Motivo? O preço. Atualmente ele paga R$ 1,7 mil por um apartamento de três quartos na área central de Caxias. Está à procura de outro, de dois quartos, com preço máximo de R$ 1 mil.

— Por ser uma cidade do interior, os valores estão supervalorizados. Em Recife onde morei recentemente, por exemplo, está muito mais acessível.

Cruz conta que já avaliou pelo menos 10 imóveis nos últimos 30 dias.

—  Somente dois atenderam parcialmente às necessidades — pontua.

Cruz procura um apartamento 100% mobiliado já que não sabe quanto tempo vai trabalhar na cidade.

— Está difícil de conseguir. É uma lacuna a ser preenchida em Caxias. 


Sinduscon também prevê recuperação na construção civil

Diretor de Assuntos Imobiliários do Sinduscon Caxias e Membro do Conselho de Administração da CBIC ¿ Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Artigo para o caderno + Serra
Rafael Tregansin, integrante do Conselho Superior do SindusconFoto: Cristiane Mendes / Divulgação

Depois de amargar cinco anos de crise, o setor da construção civil de Caxias também ensaia uma retomada consistente. O integrante do Conselho Superior do Sinduscon Rafael Tregansin explica que os empreendimentos represados nos últimos dois anos devem ser lançados em 2020.  Ele não estima índices de crescimento, mas garante que o pior já passou. 

Em 2016, por exemplo, enquanto o PIB total do Brasil registrava queda de 3,5%, o da construção civil amargava recuo de 10%. O cenário começou a melhorar em 2018:

— No ano passado, o índice da construção registrou alta de 2%, enquanto o total ficou em 1,2%.

 Tregansin  ressalta, ainda, que a queda da taxa Selic é um indicativo favorável e deve incentivar a compra e a construção de imóveis no país.

Na próxima segunda-feira, entram em vigor novas modalidades de crédito para pessoas jurídicas no setor imobiliário, além da redução dos juros em parte das operações. O anúncio foi feito pela Caixa com o objetivo de fomentar a construção.

O banco passará a permitir que empresas do setor possam obter empréstimos usando os indexadores IPCA e CDI. Os novos indexadores estarão disponíveis para dois produtos. O primeiro é o Apoio à Produção (com imóvel ainda na planta), que permite o financiamento do custo total da obra e possibilita aos clientes pessoa física o financiamento para comprar a unidade desde o início da construção do empreendimento.

Outra modalidade é o Plano Empresa, que permite o financiamento de clientes pessoa física a partir da execução de 80% do empreendimento. 

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