Grupo de Bento Gonçalves passará a operar com escritório nos Estados Unidos - Economia - Pioneiro

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+ Serra10/02/2020 | 14h16Atualizada em 10/02/2020 | 15h57

Grupo de Bento Gonçalves passará a operar com escritório nos Estados Unidos

Diretor falou com o Pioneiro sobre perspectivas para 2020

Grupo de Bento Gonçalves passará a operar com escritório nos Estados Unidos Caroline Werner/Divulgação
Diretor de Recursos Humanos e Governança do Grupo Bertolini, Jeferson Bertolini, projeta crescimento de cerca de 20% no ano Foto: Caroline Werner / Divulgação

Em 2019, o Grupo Bertolini completou 50 anos. Ao longo de cinco décadas, passou de uma pequena serralheria em Bento Gonçalves a uma das três principais fabricantes brasileiras de sistemas de armazenagem. Não bastasse o reconhecimento no segmento, a Bertolini atua em recorrente expansão também na fabricação de móveis e aços e na prestação de serviços de logística. Com mais de 800 funcionários, o negócio se divide em unidades fabris em Bento e no Espírito Santo, e possui operações na Colômbia e no México. Em 2020 passará atuar nos Estados Unidos.

Confira entrevista com o diretor de Recursos Humanos e Governança do Grupo Bertolini, Jeferson Bertolini. 

Qual estrutura da Bertolini atualmente?

Temos cinco negócios: o principal em volume de faturamento e abrangência de mercado são os sistemas de armazenagem, produzimos autoportantes, porta-paletes, sistemas para área de armazenamento e logística para e-commerce, seja centros de distribuição ou indústrias. Depois temos segmento de móveis de aço, de madeira e planejados. Temos fábrica de serviços em aço, que fabrica tubos metálicos, cortes, aqui na região é fornecedora de várias empresas. E temos uma transportadora em que dois terços dos serviços são prestados para as empresas do próprio grupo, mas estamos ampliando a atuação em nível nacional, sendo que hoje em torno de 30% das atividades são voltadas a grupos de fora. Essa é a nossa estrutura de negócios. Além disso, temos o centro corporativo, a administração central em Bento, e duas unidades produtivas, em Bento e em Colatina, no Espírito Santo, onde temos fábrica de móveis de aço e de sistemas de armazenagem. 

Há planos para expansão? 

Não prevemos expansão na área industrial, pois investimos em torno de R$ 150 milhões na construção das fábricas em Colatina, entre 2013 e 2015. O que a gente pretende agora é fortalecer a presença no mercado, não só nacional, mas no Exterior. No segmento de armazenagem estamos entre os três principais fabricantes do Brasil e já exploramos também mercados da América Latina. Com relação a móveis, temos um projeto mais arrojado no mercado externo. Já operamos na Colômbia e no México e abrimos no ano passado um escritório no mercado americano, onde vamos começar as operações de importação e distribuição neste ano (em Duluth, Geórgia). Nossa expectativa é crescer nesses mercados na distribuição de móveis. 

É uma exploração de mercado externo bastante estratégica do ponto de vista territorial e do próprio segmento.

No Exterior, não temos produção local. Temos importação e distribuição. No México, importamos os componentes, montamos e distribuímos. Nos EUA pretendemos fazer algo parecido, pois parte dos insumos será comprada localmente. Já estamos com as operações rodando, principalmente para ampliar as exportações.

A Bertolini mantém controle até em processos que envolvem a montagem, por exemplo. Evitam terceirizar?

O México tem uma peculiaridade, lá os móveis são entregues montados. No nosso caso, vendemos cozinhas, temos de entregar para o lojista montado e embalado para o produto ser instalado na casa do consumidor. Tivemos de nos adaptar à peculiaridade local. Tínhamos iniciado vendas na exportação direta Brasil-México para clientes, mas o negócio não crescia. Para podermos entrar no mercado tivemos de colocar a operação de importação, montagem e distribuição para poder vender. Na Colômbia, a mesma coisa. Nos EUA funciona parecido. Para vender para lá, no caso dos móveis, os distribuidores e lojistas locais querem ter estoque local e que a empresa seja americana, mesmo que de controle estrangeiro, mas que opere lá e sob legislação americana. Isso que nos levou a montar essa operação, para que possamos atender todos os requisitos de serviço,  assistência técnica e garantia.

Qual foi o faturamento do grupo no último ano?

Atingimos em torno de R$ 418 milhões de faturamento global. Para 2020, nossa expectativa é alcançar R$ 500 milhões. As expectativas são positivas, inclusive nas exportações. Um mercado que estamos observando com maior cuidado, cuja expectativa ainda não é um crescimento tão grande, é o moveleiro, que ainda precisa de período de transição. Percebemos que a construção civil está começando a apresentar indicadores positivos. Na sequência, o nosso segmento deve acompanhar esse desenvolvimento. 

Vocês têm registrado crescimento saudável nos últimos anos?

Houve queda muito grande em 2015 e estamos demorando para recuperar esses números. Começamos esse ano e acredito que vamos superar aqueles números.

Muito se falou sobre empresas deixarem a Serra para montar unidades no Espírito Santo. Vocês passaram a operar por lá, mas mantiveram aqui. É possível conciliar? 

Aqui a gente tem toda estrutura corporativa e duas das empresas estão aqui, as outras duas foram transferidas para o Espírito Santo. Nossa ideia era manter parte da produção local no RS, mas com a crise tivemos de tomar decisão de concentrar esses negócios no Espírito Santo. Nossa previsão era de expansão lá, mas com a crise tivemos de reestruturar e concentrar as duas operações lá.

Está difícil tocar negócio no RS?

As maiores dificuldades estão em aprovar projetos de novos empreendimentos, novas fábricas e ampliações. Temos travas burocráticas, principalmente ambientais. Esse foi um dos motivos que nos levou a transferir uma das operações para o Espírito Santo. A gente não tinha autorização para construir em uma área em Bento. Lá, fomos recebidos pelos governos local e estadual. Eles estão muito agressivos na atração de investimentos. Mas isso não significa que a gente queira sair do RS, pelo contrário, queremos ampliar nossos negócios aqui e lá.

Percebe-se que a Bertolini faz leitura contínua de mercado. Vocês têm uma dedicação especial na análise e organização muito específica em estratégia e planejamento?

Sim, fizemos reestruturação nos negócios ano passado. Tínhamos diretoria corporativa que cuidava de todas as operações. Parte foi mantida, mas colocamos gestores de cada empresa como diretores de negócios. Essas equipes são responsáveis pelo dia a dia, monitoramento e atuação de mercado de cada negócio, e a diretoria corporativa monitora, dá suporte e faz gestão geral e leitura dos negócios, organiza as estratégias globais do grupo. Cada negócio é diferente um do outro, precisamos lidar com características diferentes, por isso precisamos de gestores em cada negócio. Isso melhorou muito nossa leitura e tomada de decisão no planejamento diário. 

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