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Câmbio19/02/2020 | 06h26Atualizada em 19/02/2020 | 06h26

Alta do dólar impacta em todos os setores e deve chegar ao bolso do consumidor até metade de março

Elevação favorece exportações, porém, desfavorece as importações

Alta do dólar impacta em todos os setores e deve chegar ao bolso do consumidor até metade de março Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A alta do dólar não reflete apenas na vida de quem está de malas prontas para viajar ao Exterior. A elevação impacta em outros setores, como a indústria, o comércio e os serviços. Favorece quem exporta, já que o pagamento será em dólar, e desfavorece quem importa, naturalmente, já que o real acaba desvalorizado em relação à moeda americana. 

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No Brasil, os insumos mais afetados são o trigo — do pão nosso de cada dia — e a gasolina. Medicamentos também entram na lista, porque, embora exista indústria nacional, muitos componentes dos remédios são importados. Apesar disso, a alta ainda não chegou no consumidor. 

Conforme o assessor de Economia e Estatística da Câmara de Dirigentes Lojistas de Caxias (CDL), Mosár Ness, o valor ainda demora um tempo para ser repassado porque quando uma empresa contrata o câmbio, ela consegue “travar” o valor do dólar, o que ajuda a dar estabilidade. Mas, segundo ele, as empresas não conseguirão segurar a alta por muito tempo

— Se a pressão se manter assim, até metade de março aumentos serão repassados para o consumidor — estima o economista, que é também professor da Universidade de Caxias do Sul. 

No caso das exportações, embora a alta do dólar seja positiva, o impacto em Caxias tem sido pequeno. Isso porque a cidade tem como principais compradores a Argentina e o Chile, países que passam por crises. Para se ter ideia, o volume de exportações em 2019 foi o pior dos últimos anos: 685 milhões de dólares. Em 2018 foram 828 milhões de dólares. 

Segundo a diretora de Negócios Internacionais da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias, Denise Gallio, a alta do dólar aumenta a margem das exportações, mas como elas vinham diminuindo, não chega a ser lucro, mas uma compensação. 

— Não adianta subir o dólar, tem de ter competitividade, o mundo precisa comprar mais. A economia deles (Argentina e Chile) precisa melhorar e nós precisamos ter outros parceiros — entende. 

Para o diretor de Economia da CIC, Astor Schmitt, o ideal seria a moeda americana estabilizar – ontem, o dólar comercial fechou em R$ 4,36. Na semana passada, encerrou em R$ 4,30. 

— Acho que o melhor dólar é o dólar estável e nós temos visto nas últimas semanas o movimento para cima. Se as previsões de economistas, do boletim Focus, forem verdadeiras, em algum momento o dólar vai recuar. A tendência é que feche o ano em R$ 4,10 — explica o diretor da CIC. 

Mercado interno pode salvar economia  

De acordo com o professor e assessor da CDL Mósar Ness, a elevação do dólar pode ser explicada pela redução da Taxa Selic, que “espantou” investidores, pela tensão entre Estados Unidos e China e pela epidemia do coronavírus, que paralisou fábricas chinesas e freou o turismo tanto de quem pensava em ingressar no país quanto da população local que gostaria de viajar para fora. 

Para o dólar cair, é preciso que a oferta da moeda aumente no Brasil. Para isso, conforme Mosár, é preciso que o país acelere processos de exportações e de privatizações. Em Caxias, ele acredita que quem salvará a economia neste ano será o mercado interno:  

– A safra de soja com dólar mais alto vai resultar na compra de mais máquinas e equipamentos (de empresas daqui). A Marcopolo vai ser dar bem também, porque geralmente em ano eleitoral os governos querem agradar o eleitorado e renovam as frotas de ônibus – explica o assessor de economia. 

O economista também acredita que a indústria de carnes (peru, porco e frango) será impactada positivamente com as exportações.

Valor do dólar turismo em Caxias na tarde desta terça-feira (18):
Executive: R$ 4,50
CTR: R$ 4,56
Turcambio: R$ 4,56
Cambionet: R$ 4,63
Vitória: R$ 4,60

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