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Economia09/01/2020 | 06h00Atualizada em 09/01/2020 | 09h37

Serra também sofreu impacto com a retração nas vendas de máquinas agrícolas

Conforme dados da Anfavea, houve um recuo de 8,4% no número de unidades comercializadas em 2019, esse é o mesmo índice que caxiense Agrale teve em suas vendas

Serra também sofreu impacto com a retração nas vendas de máquinas agrícolas Julio Soares/Divulgação
"Na nossa avaliação, o que está ocorrendo é uma acomodação do mercado, frente a um novo cenário de investimentos", argumenta Edson Martins, da Agrale. Foto: Julio Soares / Divulgação

Estatísticas setoriais tem sempre os seus pormenores. Porque quando se trata de dizer que houve um recuo de  8,4% na venda de máquinas agrícolas e rodoviárias pela indústria a concessionárias no Brasil, é preciso dizer que há uma lista enorme de produtos nessa lista. É por isso que Edson Martins, diretor comercial e de marketing da Agrale, de Caxias do Sul, prefere avaliar os dados da pesquisa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de forma isolada. 

Por exemplo, houve queda de venda de empresas que fabricam tratores de roda, que é o caso da Agrale, diz Martins. Mas, por outro lado, houve aumento da venda de equipamentos rodoviários, que inclui retroescavadeiras e tratores loaders, muito utilizados na construção civil, um mercado que reaqueceu em 2019.

–  Em 2018, foram vendidas 2.060 unidades equipamentos rodoviários e, em 2019, 3.816, um aumento de 85%. Enquanto que no segmento de tratores de rodas, a queda foi de 14,6%, praticamente o mesmo dado que tivemos aqui na Agrale. Em 2018, foram vendidos 38.803 tratores enquanto que em 2019, foram 33.137 unidades – diz Martins,  citando a pesquisa da Anfavea.

É surpreendente a queda, principalmente porque o Brasil é ainda um celeiro agrícola, líder de vendas em várias commodities como soja, café, suco de laranja, carne bovina e frango, argumenta Martins. No entanto, a explicação para essa retração se deve a uma adaptação do mercado consumidor, em função de uma mudança nas modalidades e perfis de financiamentos para a compra de máquinas.

– Na nossa avaliação, o que está ocorrendo é uma acomodação do mercado, frente a um novo cenário de investimentos. Em 2019, programas específicos do governo, como o Mais Alimentos, que financiam em média tratores até R$ 100 mil, que abrange até 75 ou 85 cavalos, não teve os mesmos níveis de liberação dos anos anteriores. Apesar do governo ter informado que em 2019 os recursos seriam maiores, quando o agricultor foi buscar financiamento junto aos bancos, estes não haviam recebido repasse público para fazer as operações, e em muitos meses, esse dinheiro ficou trancado – revela.

Esse impacto deve atravessar 2020 adentro, entende Martins. O que deve ocorrer nos próximos anos é que o financiamento público será destinado aos pequenos produtores, especula Martins.

– Os financiamentos vão migrar para os pequenos, e os grandes produtores não terão linhas tão subsidiadas. Então, por isso que eu digo que ocorrerá um tempo de adaptação para o mercado.

Apesar disso, o prognóstico é promissor, acredita Martins. A explicação segundo ele, é bem simples. A população mundial em 2018 fechou em 7,6 bilhões. Mas a expectativa é a de que em 2030 serão 8,5 bilhões de pessoas vivendo no planeta.

– Esse aumento vai exigir que a produção de alimentos deva aumentar pelo menos em 20%. Nos próximos 10 anos, deve se intensificar ainda mais.

PANORAMA BRASILEIRO

Vendas de máquinas agrícolas
43,7 mil unidades em 2019, um recuo de 8,4%, em relação a 2018, que teve 47,7 mil unidades vendidas

Produção de máquinas agrícolas e rodoviárias
53,1 mil unidades em 2019, retração de 19,1% ante a 2018.

Exportações de máquinas agrícolas e rodoviárias
Alta de 1,5% na comparação com 2018 e totalizaram 12,9 mil unidades vendidas em 2019.

VENDAS POR REGIÃO
A região sul é líder no cenário brasileiro. Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina venderam mais tratores de rodas e colheitadeiras de grãos.

Foram 10.804 tratores de roda vendidos em 2019 pela região sul, contra 10.770 pelo sudeste. Sendo que o Rio Grande do Sul foi responsável por quase 50% da totalidade das vendas no sul.

Com relação a colheitadeiras de grãos, o sul vendeu 1.979 unidades, contra 1.766 pela região centro oeste. Nesta categoria, o Paraná vendeu 40 unidades a mais do que o RS, fechando a fatura em 949 contra 909.

Fonte: Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) 

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