Seca castiga o milho nos Campos de Cima da Serra - Economia - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Economia10/01/2020 | 06h00

Seca castiga o milho nos Campos de Cima da Serra

Produtores seguem preocupados com a falta de chuvas na região

Seca castiga o milho nos Campos de Cima da Serra Cooperval/Divulgação
Perda da produção do milho é estimada em 30%. Foto: Cooperval / Divulgação

O clima anda tenso nas lavouras do Rio Grande do Sul. Os produtores de todo o Estado estão de olho para o céu, clamando por chuva. A previsão do tempo para Caxias do Sul indica probabilidade de 80% de chuvas para hoje, amanhã e domingo. No entanto, é a tal chuva de verão, que deve variar entre 4mm a 8mm, com temperatura média de 30º. Nos Campos de Cima da Serra, a situação é ainda mais crítica, como revelou o engenheiro agrônomo da Cooperativa Tritícola Mista Vacariense (Cooperval), César Tibola, em entrevista à Rádio Gaúcha Serra, na manhã de ontem. 

Quando questionado a respeito do percentual de perdas na produção, Tibola, é cauteloso, pois tem a esperança de que a chuva logo dê as caras.

– Fala-se em 30% de perdas na colheita do milho, mas não temos certeza desse número. Poderá ser menor ou maior ainda, porque dependerá das chuvas. O certo é que a região dos Campos de Cima da Serra vem sofrendo com essa estiagem. Tem chovido até, mas apenas chuvas esparsas. Em dezembro tivemos temperaturas altas, e as chuvas que vieram foram mal distribuídas – conta Tibola.

A soja, explica o engenheiro agrônomo, é mais resistente do que o milho.

– A gente diz que a soja tem mais plasticidade e se adapta um pouco melhor, porque consegue lidar melhor com a falta de água. Já o milho sofre mais rapidamente por causa da demanda de chuva diária que exige, porque precisa de muita água para formar os grãos. Mesmo assim, teremos perdas da soja, principalmente daquela que foi plantada mais cedo. Pode ser que a gente perca entre 5% a 10%, no máximo isso. E claro, se vier a chuva tudo muda, e se consegue obter ainda uma melhor produtividade – espera Tibola.

Para os próximos dias, a previsão do tempo não é das mais otimistas. Se chover, será em volume ainda fraco.

– Precisamos de chuva com volume expressivo. O milho está em fase reprodutiva, e nessa fase, demanda muito volume de água diário, pelo menos de 7 a 8mm. Então chuvas de poucos volumes já são boas, mas é pouco, e não resolve a situação. O que precisamos é de chuvas entre 40 a 50mm, porque daí sim poderia armazenar para os dias seguintes. Mas como tem sido chuvas de 10 a 12mm, não tem ajudado. E em algumas regiões nem esse pequeno volume veio – preocupa-se Tibola.

DANOS SEVEROS NO ESTADO
Em entrevista ao jornal Zero Hora, o secretário da Agricultura do Estado em exercício, Luiz Fernando Rodriguez Júnior, classificou a estiagem como a mais grave desde a safra 2011-2012 e anunciou a formação de um grupo para acompanhar seus desdobramentos.

– A cada 10 anos, em sete deles tivemos algum comprometimento do potencial produtivo das lavouras e pastagens em razão de restrição hídrica. Pelo que as entidades passaram, os danos não eram tão severos desde 2011-2012 – diz Rodriguez.

Essa não é a realidade dos Campos de Cima da Serra, pelo menos, conforme a avaliação do engenheiro agrônomo da Cooperval, César Tibola.

– Ainda não estamos nesse patamar, mas diariamente estamos vendo as previsões, e elas não são nada animadoras a curto prazo. No entanto, nós estamos em uma região do RS que é, digamos, mais privilegiada, porque às vezes pegamos uma chuva que vem do litoral ou de Santa Catarina, e despeja por aqui. A nossa esperança é interromper esse cenário preocupante com a chuva, e que venha logo – anseia Tibola.

Nos Campos de Cima da Serra, a situação é crítica, como revelou o engenheiro agrônomo da Cooperativa Tritícola Mista Vacariense (Cooperval), César Tibola, em entrevista à Rádio Gaúcha Serra.
Foto: Cooperval / Divulgação

MESMO COM A SECA, MILHO DEVE TER AUMENTO DE PREÇO
A saca de 60 quilos de milho chegou a ser comercializada por R$ 50, conforme preço de ontem. No entanto, antes dessa estiagem, o relatório do Centro Americano de Meteorologia e Oceanografia (NOAA) previa uma certa neutralidade climática, sem El Niño ou La Niña. Por isso, a expectativa era de que o milho pudesse chegar este ano a R$ 60 por saca. 

Os outros fatores associados à alta seriam o câmbio do dólar e a demanda interna aquecida, tanto para produção de carne quanto de etanol.

– O milho já vinha com cenário de preços positivos. Estava acenando para preços bons para o produtor. Hoje o preço já está interessante, e o cenário se desenha para uma subida de preços – revela César Tibola.

Segundo o engenheiro agrônomo, a maior parte do milho produzido nos Campos de Cima da Serra fica na região.

– No entanto, tem empresas do mercado de suínos e aves, de Santa Catarina, que fazem uma compra volumosa e assinam contratos mesmo antes da colheita para garantir o abastecimento dos grãos – explica.

A provável subida no preço do milho vai mexer na cadeia produtiva de criação de animais e também deverá afetar o consumidor final, prevê Tibola.

PERDAS ESTIMADAS
Nenhuma entidade determina com exatidão as perdas das lavouras das diferentes culturas daqui da Região da Serra ou dos Campos de Cima da Serra, no entanto, especula-se o prejuízo.

Uva
30% a 40%
Maturação forçada apresenta bagas e cachos menores.

Pêssego
20%
Ciclo médio e tardio com calibre menor e maturação acelerada.

Maçã
15%
Pouca produção de frutos e calibre pequeno. 

Milho
30%
Sofre mais porque precisa da água para formar os grãos.

Soja
5% a 10%
Adapta-se melhor, mesmo com a falta de água.

Leia também:
Associação de Imobiliárias projeta aumento dos aluguéis em Caxias a partir do segundo semestre
Serra também sofreu impacto com a retração nas vendas de máquinas agrícolas
Otimismo é moderado na construção civil

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros