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Calendário04/01/2020 | 08h40Atualizada em 06/01/2020 | 14h24

Quem perde e ganha com 10 feriados ao longo do ano

Indústria prevê impacto de R$ 300 milhões, mas efeitos devem ser absorvidos. No turismo, ótimas perspectivas

Quem perde e ganha com 10 feriados ao longo do ano Luan Zuchi / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Luan Zuchi / Agência RBS / Agência RBS

A notícia de que o ano terá 10 feriados prolongados, os famosos feriadões — incluindo o Carnaval — deixou muita gente animada, afinal, é chance de descanso. Mas para a economia caxiense é motivo de alerta, pois reduz produtividade e vendas. No caso da indústria, a estimativa do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) é de um impacto de aproximadamente R$ 300 milhões nos 17 municípios que formam a base da entidade, já que serão menos dias úteis trabalhados. 

— Porém, acreditamos que o efeito possa ser absorvido pelo aumento das demandas de mercado, uma vez que as perspectivas de crescimento da economia estão projetadas para 2,2%. Além disso, os feriados prolongados deverão ser acordados com o Sindicato dos Trabalhadores para não causar prejuízos tanto para os colaboradores quanto para as empresas da região — acrescenta Paulo Spanholi, presidente do Simecs. 

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No comércio, o impacto também será sentido, embora os estabelecimentos possam abrir  com mão de obra de funcionários — neste ano, exceto no Dia do Trabalho. Muitos moradores aproveitam as datas para viajar, o que reduz o consumo. Com isso, a expectativa de crescimento de 12% não deve se confirmar, conforme o Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas). Deve chegar a 9%, segundo a presidente da entidade, Idalice Manchini. 

— Quem fica na cidade tem tempo livre e vai às compras. Mas tem muita gente que aproveita para passear, sair da cidade, visitar os parentes — destaca Idalice. 

No setor alimentício, as vendas também reduzem, mas o impacto é menor, já que o acordo entre sindicatos patronal e de trabalhadores prevê o fechamento em apenas três datas do ano: 1º de janeiro, Dia do Trabalho e Natal. De acordo com o presidente do Sindicato dos Gêneros Alimentícios (Sindigêneros), Eduardo Slomp, a circulação de pessoas diminui nos feriados prolongados, mas, se as datas caem no meio da semana, o fluxo é até maior nos mercados.  

— Se o pessoal não viaja, a gente vende o dobro. As pessoas consomem mais do que o normal se ficam na cidade — conta. 

Para tentar reduzir os impactos negativos, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul tem orientado os associados a abrir o estabelecimento sempre que possível e divulgar a abertura

— Aproveitar que nem todo mundo abre — diz Micael Canuto, vice-presidente de comunicação da CDL. 

Troca de mãos

Para o presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, Ivanir Gasparin, a redução na produtividade na indústria, por exemplo, precisa ser encarada como uma "transferência de PIB". Enquanto o setor perde, outros como turismo e comércio, inclusive de outros municípios, ganham: 

— Cidades com indústria forte tendem a perder, mas outras cidades como Gramado e Canela ganham, mesmo Caxias se tiver alguma programação ganha também. Impulsiona cidades onde a indústria não é forte. É preciso ter o olhar que as fortunas trocam de mãos. 

Oportunidade para o turismo

Enquanto para alguns setores os feriados não são tão positivos, para outros é a chance de faturar. No feriado de Corpus Christi de 2019, em junho, Bento Gonçalves, por exemplo, ficou completamente lotada — turistas tiveram que procurar estadia em outras cidades, conta o presidente do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria (Segh), Vicente Perini. 

E mesmo Caxias do Sul, que não tem o turismo como principal segmento da economia, vê os números do setor hoteleiro crescerem nesses períodos. Segundo Perini, a taxa de ocupação nos hotéis caxiense saumenta de 10% a 15% quando tem feriado. Em Bento e Farroupilha, chega a 90%. 

— É positivo onde tem turismo — resume. 

Para o diretor do Personal Hotelaria, Gerson Martins, o movimento na rede hoteleira em Caxias poderia ser muito maior se a cidade apostasse no turismo. O volume de visitantes ainda é insignificante perto do que Gramado e Bento  Gonçalves recebem. 

— Caxias fica com a rebarba, não é o destino principal. As pessoas que vêm para cá vêm pelo preço, porque é mais barato ficar aqui — diz Martins. 

Por isso, para Micael Canuto, vice-presidente de comunicação da CDL Caxias do Sul, investir em atrativos turísticos é fundamental para reduzir os impactos negativos. 

— A presença de turistas é um motivo a mais para manter o comércio aberto. E (o investimento em turismo) pode manter os próprios moradores na cidade — defende Canuto, que, por experiência no comércio, estima que o movimento diminua de 30% a 40% em feriados. 

Longa lista

Carnaval: 25 de fevereiro (terça-feira)
Paixão de Cristo: 10 de abril (Sexta-feira)
Tiradentes: 21 de abril (terça-feira)
Dia do Trabalho: 1º de maio (sexta-feira)
Nossa Senhora de Caravaggio: 26 de maio (terça-feira)
Corpus Christi: 11 de junho (quinta-feira)
Independência do Brasil: 7 de setembro (segunda-feira)
Nossa Senhora Aparecida: 12 de outubro (segunda-feira)
Finados: 2 de novembro (segunda-feira)
Natal: 25 de dezembro (sexta-feira)

* As datas da Páscoa (12 de abril),  Farroupilha (20 de setembro) e Proclamação da República (15 de novembro) caem em domingos. A Páscoa está incluída no feriado da Semana Santa.

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