"As empresas têm de se vender para fora", diz empresário com 20 anos de atuação na Serra - Economia - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Entrevista13/01/2020 | 08h40

"As empresas têm de se vender para fora", diz empresário com 20 anos de atuação na Serra

Avaliação é de Claudemir Fernando Pereira, diretor da Elocargo, Assessoria em Comércio Exterior

"As empresas têm de se vender para fora", diz empresário com 20 anos de atuação na Serra Luizinho Bebber/Divulgação
Claudemir Fernando Pereira, diretor da Elocargo, Assessoria em Comércio Exterior Foto: Luizinho Bebber / Divulgação

"Somos uma empresa pequena que pensa grande", define o catarinense Claudemir Fernando Pereira. Aos 54 anos, estabeleceu a Elocargo Assessoria em Comércio Exterior em Flores da Cunha, em 1999. Com 20 anos de atuação, a empresa tem 20 funcionários (olha o trocadilho aí com 2020), e segundo Pereira, só não contrata mais gente por falta de espaço físico. A Elocargo atua de uma forma diferente, sem departamento comercial com vendedores de carteirinha.

— Não temos vendedores, sobrevivemos da indicação dos nossos clientes. Quem “vende” é quem atende o cliente, é quem põe a mão na massa. Porque se não fica aquela coisa chata do cliente fazer determinadas perguntas que o vendedor nem sabe do que se trata — explica.

A Elocargo atende em todas as frentes da exportação e importação, mas defende como bandeira a orientação aos clientes, que segundo Pereira, ainda tem muitas dúvidas e medos quando se trata de comércio exterior. Leia a seguir a entrevista com o diretor da Elecargo, em que ele faz uma análise do setor e faz um prognóstico para 2020.

Qual foi o maior problema para o setor do comércio exterior, em 2019?
O maior problema foi a crise da Argentina. Mas o problema da Argentina é econômico, por isso não compram mais do Brasil. Mas outros países vizinhos tiveram problema de cunho político. No Chile queriam depor o presidente Sebastián Piñera. No Equador, a mesma coisa. Depois tinham os problemas com o Evo Morales, na Bolívia. Isso tudo nos deixa muito preocupados, mas mesmo assim, as empresas tem ido fazer visitas nesses países, tem ido para fora do Brasil para conhecer novos clientes. Mas eu sempre insisto que as empresas têm de começar exportando para as empresas do Mercosul. Não adianta querer vender pro Japão e Arábia Saudita assim de cara. Além disso, explico sempre que é preciso equalizar as vendas de exportação com o mercado interno. Porque numa eventual crise em um desses, a empresa se sustenta com as outras vendas. E importante, seja o que for, vendendo pra quem for, faça com qualidade.

A reforma tributária tem sido prometida pelo governo para este ano. Em que o senhor acredita que essa reforma vai contribuir para o comércio exterior?
Olha, eu tenho 54 anos, se a reforma tributária vier será muito bom. A gente sonha com essa e outras reformas há muito tempo. O Brasil não tem mais de ser colonialista, já nos libertamos de Portugal. Nós temos de dar exemplo para os demais países do Mercosul. Para a exportação não muda nada, porque não se paga tributo para exportar. Mas, para a importação, não tenho dúvida de que com a reforma tributária vai aumentar o interesse. Mas já desburocratizou muita coisa.

O senhor percebe que a exportação é ainda vista por micro e pequenas empresas como algo distante e inalcançável?
O governo cria benefícios, e tem vários programas de apoio para a exportação e a importação. O que falta é trabalhar essa cartilha de benefícios com as empresas. O que precisa mesmo é que as empresas tem de ser instigadas a se vender para fora. Porque tem muito empresário que tem medo e tem muitas dúvidas. Mas tem muita empresa também que não muda a cabeça, operam com três CNPJs, e eu penso: “Pra que isso?”. Eu explico: “Faz só um CNPJ, mostra que tu tem movimentação, que tem solidez”, dou ideia pra criarem página na internet, pra divulgarem seus produtos. Mas quem faz isso pelas empresas? As entidades deveriam fazer, mas quem acaba por fazer somos nós, as empresas de assessoria.

Além dessa “mudança cultural” e de visão das empresas, por que razão o senhor entende que o Brasil não exporta ainda mais?
Se você for analisar, o Brasil não exporta mais por quatro motivos. Um: tempo de entrega, dois: qualidade, três: logística, quatro: valor. Só em quarto lugar vem o valor. Começo pelo tempo de entrega, porque pra entregar em menos tempo, tem de ter mais qualidade, e para isso, tem de importar máquinas e equipamentos melhores. Mas aí, em 2019, o euro e o dólar subiram. Isso inibiu as empresas de investirem. Mas estamos chegando em uma época, em que as empresas terão de retomar a importação, porque as máquinas estão ficando obsoletas. Aliado a isso, falta um maior financiamento do governo, eu diria, uma política mais agressiva por parte do governo para a compra e liberação de máquinas.

Qual é o crescimento esperado pelo setor para 2020?
Os números apontam para o crescimento do PIB. Tá certo que muitos economistas dizem que é cedo apontar, mas no final do ano passado já acrescemos mais do que se pensava. A gente percebe que as coisas estão melhorando por causa do movimento que temos aqui na empresa. Nosso setor, do comércio exterior, é um termômetro da economia. É certeza absoluta que 2020 vai ser um ano muito bom pra nós, nossos clientes e para o Brasil. A gente já tem tem carteira de clientes que encomendaram máquinas que devem chegar entre março e abril. As empresas estão voltando a investir. E a gente também vê pelo movimentos dos caminhões nas estradas. 2020 vai ser um ano de redenção e muito trabalho. Porque quando o trem começa a se movimentar, leva um tempo para embalar.

 Leia também
Associação de Imobiliárias projeta aumento dos aluguéis em Caxias a partir do segundo semestre
Serra também sofreu impacto com a retração nas vendas de máquinas agrícolas
Otimismo é moderado na construção civil 

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros