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Cobranças18/11/2019 | 19h09Atualizada em 18/11/2019 | 19h13

"Momento exige administração mais atuante e proativa", reclama presidente da CIC de Caxias do Sul

Veja a resposta do governo municipal às críticas de Ivanir Gasparin

"Momento exige administração mais atuante e proativa", reclama presidente da CIC de Caxias do Sul Paulo Pasa/Divulgação
Foto: Paulo Pasa / Divulgação
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A insatisfação da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul com a administração municipal não é novidade. Já há alguns meses, o presidente da entidade, Ivanir Gasparin, manifesta publicamente o descontentamento com o prefeito Daniel Guerra (Republicanos). Nesta segunda-feira (18), ele voltou a usar o espaço da reunião-almoço para tecer críticas à gestão. 

A lista de reclamações era extensa e, no topo dela, estava a derrubada pelo Legislativo do veto total do prefeito ao substitutivo do Plano Diretor que, segundo Gasparin, foi por falta de diálogo. Nas últimas semanas, um comitê formado pelo Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial (Conseplan) e representantes do movimento Mobilização por Caxias (MobiCaxias) realizaram reuniões com a Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação da Câmara e integrantes da Secretaria de Planejamento na tentativa de intermediar uma alternativa.

— Acreditamos que a Câmara de Vereadores está fazendo a sua parte, mas, por outro lado, lamentamos que a situação de um projeto de tamanha importância para o futuro do município acabe dessa forma. Sem diálogo não se constrói nada. E em Caxias do Sul não existe diálogo, infelizmente. As situações, agora, são resolvidas na judicialização — discursou o presidente.

No início de outubro, o secretário municipal do Planejamento (Seplan), Fernando Mondadori, disse em entrevista coletiva que o Executivo deveria questionar o substitutivo na Justiça.

A mudança de Caxias do Sul no Mapa do Turismo, passando a integrar a Região das Hortênsias e não mais a Região Uva e Vinho, foi novamente citada. Dessa vez, Gasparin destacou a presença da cidade na 31ª edição da Feira Internacional de Turismo (Festuris) em um estande coletivo, e não individual, o que, segundo ele, não condiz com a grandeza de Caxias, além da ausência da secretária de Turismo, Patricia Ferreira, no evento. 

— Ao invés de fazer uma grande participação no Festuris, a secretária interina do Turismo vai a Natal, no Rio Grande do Norte, para fazer curso de gestão. Será que a despesa de ir a Natal é menor do que ir a Gramado? E onde estão os resultados praticados para a comunidade desses cursos feitos? Não só pela secretária de Turismo, que não conseguimos ver nem mensurar. Não se tem nenhuma notícia da aplicação desse conhecimento todo na prática — disparou. 

A falta de manifestações do poder público caxiense em questões de infraestrutura e logística também foi mencionada por Gasparin. Ele citou o bloqueio da ERS-122, em Farroupilha (principal ligação da Serra a Porto Alegre) desde o dia 4 de novembro, a barreira na Rota do Sol (com a queda de pedras sobre a pista) já há seis meses, o fim dos voos de Caxias para Guarulhos e a não adesão da cidade à Região Metropolitana da Serra Gaúcha

— O momento pelo qual passa Caxias exige uma administração mais atuante e proativa, e uma prefeitura que lute pelo bem-estar dos seus cidadãos. Caxias está ficando ilhada, e não vemos a prefeitura, o prefeito se posicionar a respeito. O que mais precisa acontecer em Caxias para merecer a atenção da administração municipal, estadual, federal e dos outros poderes? Nossa prefeitura deveria estar brigando por essas causas, ligando para o Daer, governador, Brasília. É uma situação totalmente desconfortável e constrangedora para nós, caxienses — desabafou. 

Apesar do tom de cobrança, Gasparin ressaltou que a entidade está disposta a ajudar a resolver os problemas da cidade. 

— Nós estamos de portas abertas e à disposição para construir pontes e derrubar muros. Prefiro ser criticado por esses posicionamentos do que por omissão ou descaso com o nosso município. Em nome do bem-estar da coletividade, medidas urgentes são necessárias. Caxias, definitivamente, não merece, esse abandono — finalizou. 

O QUE DIZ A PREFEITURA

A prefeitura, por meio da assessoria de imprensa, enviou as seguintes respostas:

Festuris
"A Semtur (Secretaria de Turismo) vê o evento como uma grande oportunidade de contato direto com os agentes de viagens e operadoras, além de promover uma integração com outros destinos da região e com o trade turístico da Serra. A prefeitura participou do espaço disponibilizado pelo Estado. Nesse estande foram divulgados os atrativos e roteiros turísticos de Caxias do Sul, com a distribuição de mapas e materiais da cidade. Além disso, neste ano, a Semtur participou com estande da 47ª ABAV Expo, em São Paulo, uma das maiores e mais importantes feiras de turismo do país. A pasta também participou de diversos outros eventos de turismo pelo Brasil, ao longo desse ano, divulgando os atrativos turísticos da cidade". 

Plano Diretor e Região Metropolitana da Serra Gaúcha
"São incompreensíveis as críticas do presidente da CIC à administração municipal. No caso do Plano Diretor, a verdade tem de ser dita: é de responsabilidade única do vereador Elói Frizzo (PSB), que como presidente da CDUTH (Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação),  afirmou em nossa presença e à própria CIC que a Câmara Municipal estaria entregando um projeto substitutivo "à altura de Caxias". Não foi o que aconteceu. Todo trabalho produzido pelo Executivo e aprovado por unanimidade no Conseplan foi jogado por terra. Inclusive o vereador colocou seus colegas em uma posição constrangedora ao terem de aprovar, de maneira atabalhoada, um projeto com flagrantes inconsistências técnicas, que irão impactar diretamente na economia da cidade, principalmente o setor da construção civil. Quanto à inserção de Caxias na Região Metropolitana da Serra Gaúcha, o tema merece um amplo debate com o Legislativo, principalmente para não onerar ainda mais os caxienses com a criação de novas estruturas públicas, como parece ser o caso de uma nova secretaria executiva da região, a ser custeada pelos contribuintes locais. Para quem tanto cobra falta de diálogo, no mínimo o tema deveria ser amplamente discutido, até porque a Lei Estadual é ainda do ano de 2013 e até hoje sequer foi regulamentada." Emílio Andreazza, secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego 

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