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Colheita30/11/2019 | 14h02Atualizada em 04/12/2019 | 14h48

Agricultores da Serra já estão colhendo as primeiras uvas da safra

Variedade precoce Vênus é colhida em áreas mais baixas da região

Agricultores da Serra já estão colhendo as primeiras uvas da safra Rogian Bianchi Santini/Divulgação
Uva Vênus prestes a ser colhida em propriedade de São Valentin da 2ª Légua, em Caxias do Sul Foto: Rogian Bianchi Santini / Divulgação

Agricultores da Serra Gaúcha já estão colhendo as primeiras uvas da safra 2019/2020. É a variedade precoce Vênus, cultivada em áreas mais quentes da região, nos vales, próximo aos rios. Essa uva é sem sementes e para consumo in natura. Ela não serve para a indústria fazer vinhos ou sucos.

Em Bento Gonçalves, na localidade de Linha Ferri, no Vale do Rio das Antas, distrito de Faria Lemos, a família de Rudimar Cimadon produz essa variedade há cerca de 15 a 20 anos, numa estimativa que ele mesmo diz não ser muito precisa. A colheita começou na metade deste mês de novembro, até alguns dias depois do normal, que é mais para o início do mês. Isso porque o frio neste ano chegou mais tarde, com picos no fim de julho e até em agosto.

Segundo Cimadon, embora essa variedade seja um pouco menos saborosa do que a uva Niágara, mais conhecida e cuja colheita vem logo depois, em dezembro, a Vênus compensa justamente nessas regiões mais quentes porque ainda não há outras uvas da safra no mercado. E o clima junto aos rios favorece.

— É difícil de dar geada. A gente consegue produzir cedo. Essas uvas precoces valem a pena sim — afirma.

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Em Caxias do Sul, o produtor Rogian Bianchi Santini começou a colher a uva Vênus na última quinta-feira (28) em São Valentin da 2ª Légua, outra região baixa, já no limite com Vale Real, no Vale do Caí. Ele comenta que esta variedade tem bom sabor, mas precisa ser colhida no ponto certo, madura. Se passar do momento de colher, mesmo que pouco, pode estragar, já que é uma uva sensível.

Santini explica que as uvas para consumo in natura valem a pena porque o produtor ganha mais do que com as uvas para a indústria, não ficando sujeito ao preço pago pelas cantinas nas uvas destinadas à produção de bebidas.

— E, no caso da cantina, há produtores que não receberam ainda do ano passado. E, na uva encaixotada, recebemos no máximo em 30 dias, mas à vista também. Por isso, escolhemos encaixotar. E estamos em uma região em que a uva vem cedo. Então, para nós, compensa.

Ambos os produtores têm menos de um hectare da propriedade com a Vênus, e alguns hectares de Niágara, mas também produzem uvas voltadas à fabricação de bebidas e têm outros cultivos, como o de cítricos, característico de áreas mais quentes. As propriedades são familiares. Cimadon acrescenta que, para conseguir boa renda com a uva de indústria, é necessário ter uma extensão maior de terras.

— É preciso ter escala para ganhar mais — observa.

O motivo pelo qual muitos não produzem a uva para consumo in natura é a maior mão-de-obra necessária. No caso da Vênus, alguns produtores na região já desistiram, como explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha, Marcio Ferrari.

— Nos últimos anos, está dando muitas chuvas quando ela está amadurecendo. Como a Vênus é sensível, ela estraga, tem muita perda. E não há mercado para comercialização dessa uva na indústria. Ela é apenas para consumo in natura — analisa.

Com relação à safra de um modo geral, Ferrari acredita que poderá ficar num patamar semelhante ao do último ano no Estado, quando foram colhidas cerca de 600 mil toneladas voltadas à produção de bebidas. Segundo ele, um dos fatores desfavoráveis do clima neste ano foi a quantidade excessiva de chuvas, o que expõe mais as uvas às doenças, provocando perdas.

Os outros produtores corroboram essa análise. Rudimar Cimadon, por exemplo, diz que teve um custo 30% maior no uso de produtos para combater ou prevenir doenças. A diminuição da produção da uva Vênus em relação à última safra na propriedade dele pode chegar a 40%. Além das chuvas, o atraso na chegada do frio atrapalhou a fase da brotação, o que teve reflexo na produtividade.

Conforme o agrônomo especialista em fruticultura da Emater/Serra, Ênio Todeschini, a previsão é que a safra em geral fique dentro da média, considerando todas as variedades, tanto in natura quanto voltadas à indústria. Isso corresponde a 780 mil toneladas para a Serra e 860 mil toneladas para o Estado.

— Houve muita chuva e pouca radiação solar em outubro e em metade do mês de novembro. Com isso, aconteceu uma considerável queda de flores e bagas. Ou seja, não houve pegamento, que é a transformação das flores em frutas. Porém, as que permanecem têm grande capacidade de compensação, pois crescem mais — explica.


 
 
 

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