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Entrevista17/10/2019 | 05h45Atualizada em 17/10/2019 | 05h45

"O associado participa das decisões", diz diretor-executivo da Sicredi Pioneira

Solon Stapassola Stahl fala sobre modelo das cooperativas de crédito e planos de expansão

"O associado participa das decisões", diz diretor-executivo da Sicredi Pioneira Sérgio Nogueira/Divulgação
Foto: Sérgio Nogueira / Divulgação

Em todo o mundo, 260 milhões de pessoas são associadas a alguma das 89 mil cooperativas de crédito espalhadas em 117 países. No Brasil, o número de cooperados representa apenas  4% da população. Fatia deste número está ligada à Sicredi, primeira cooperativa de crédito brasileira, nascida em Nova Petrópolis há 117 anos: são 4 milhões de associados. 

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Neste 17 de outubro, Dia Internacional das Cooperativas de Crédito, Solon Stapassola Stahl, diretor-executivo da Sicredi Pioneira, fala sobre o modelo e os planos de expansão, que miram Caxias. Na cidade, onde a participação da cooperativa é de 10% e os resultados em 2018 foram de R$ 11,5 milhões, a intenção é dobrar de tamanho. Confira: 

O que difere uma cooperativa de crédito de um banco?
A gente lida com associados e não com clientes. Significa que o lucro da cooperativa é dividido com eles, que o associado participa das decisões. Temos gestão democrática, é o associado que elege o presidente do conselho de administração, é ele que define o que vamos fazer com os recursos que a gente aplica em recursos sociais. A nossa visão de lucro é diferente da de um banco, por isso que a gente pratica preços justos. A gente não tenta praticar o maior preço, porque todo excedente de resultado acaba devolvido ao associado. Claro que a gente precisa ter resultados para formar reservas, para a cooperativa poder continuar a crescer e fazer novos investimentos. Por isso que é importante também ter resultado e reter parte do resultado na cooperativa. Hoje, média de 50% a 60% do resultado volta para o dono do negócio, que é o associado, quando a gente faz a distribuição no final do ano. 

Qual o perfil do associado do Sicredi?
Já tivemos uma característica muito forte de associado de mais idade. Nos últimos anos, isso tem mudado, e hoje a gente tem até dificuldade para definir um perfil só, porque o Sicredi, por ser uma sociedade de pessoas, tem um princípio que é de portas abertas. A gente atende a todos os públicos. A gente tem desde assalariado que trabalha na indústria com renda menor, passa pelo grande empresário, pelo grande investidor, tem pequenas e micro empresas, MEIs (microempreendedores individuais), temos entidades, sindicatos, a imprensa como associada. Mas lógico que ainda estamos em um processo de rejuvenescimento da nossa base, porque até alguns anos atrás, o Sicredi não era atrativo para públicos mais jovens. Mas agora a gente está vivendo uma onda diferente, onde as pessoas querem se conectar com um propósito, querem fazer negócio com empresas conscientes, preocupadas com o meio onde atuam, e o Sicredi faz isso há 117 anos. Não faz agora porque virou moda, porque  é estratégia, faz por DNA. A gente percebe que os jovens estão percebendo isso. Claro que só isso não adianta, tem de ter produtos e serviços adequados, e nós temos. Temos canais digitais que os bancos têm, temos a conta digital, o Woop. A gente também é atrativo como instituição financeira para grupos mais jovens. 

O número de associados a cooperativas de crédito no Brasil ainda é pequeno (4% da população). Por quê?
São duas coisas. A primeira é falta de conhecimento da nossa proposta. Algumas vezes, as pessoas nos reconhecem como banco, mas não reconhecem o outro lado, do relacionamento, da atuação social. O outro motivo da baixa penetração é o nível educacional da população na sua média. Quando a gente compara os países onde as cooperativas são mais desenvolvidas, não é uma coincidência que são de primeiro mundo, onde o nível educacional é alto. Estou falando de países como Alemanha, Suíça, Áustria, Itália, França. Imagina, 60% dos depósitos da França são dentro de cooperativas de crédito. Nos Estados Unidos, Canadá, Japão é muito forte o movimento. Onde as cooperativas têm penetração menor? América Latina, África que, não por coincidência, são lugares onde a educação tem um nível inferior. A gente precisa comunicar mais o que é uma cooperativa. Continuar investindo em programas sociais, porque aumentando o nível educacional também aumenta a consciência e aí aposto que aumenta a penetração das cooperativas. 

Há planos de expansão?
Estamos planejando retomar a abertura de agências da Pioneira. Estamos há alguns anos com 40 agências. A última que abrimos foi na Várzea Grande (em Gramado), há dois anos. Agora com a nossa estratégia de ter maior proximidade com o associado e, para nós, conceito de proximidade não é só digital, é físico também, tanto que o Sicredi cunhou o termo “fisital”, que é a mistura do físico e do digital. Para nosso modelo funcionar bem temos de estar muito próximos do associado. Temos canais digitais, mas quando se fala de relacionamento, ainda acreditamos que contato físico vai fazer diferença. Enquanto os bancos estão indo para o digital, fechando agências, nós estamos na contramão. Estamos ampliando, reformando. Caxias é o caso. Ampliamos a Pio X, a Lourdes, a Cruzeiro. Temos ideia de expansão, ainda precisamos aprovar no conselho, mas está bem encaminhado. A ideia é, no ano que vem, abrir mais duas agências em Caxias e temos outras duas cidades que estamos pensando em colocar segunda agência, mas isso ainda precisa de uma análise melhor de quais seriam essas cidades. 

Por que expansão em Caxias?
Temos alta participação em cidades como Nova Petrópolis, Presidente Lucena, Picada Café, Ivoti, Dois Irmãos. Como a gente acredita que precisa continuar crescendo, até para levar para mais pessoas nossa proposta, a gente precisa expandir nossa cooperativa. E para expandir onde temos os maiores espaços são as cidades maiores. Na nossa área de ação, que são 21 municípios, temos Caxias, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Nossa estratégia nos próximos anos é ampliar a presença física nessas cidades. E a gente está pensando em começar por Caxias pelo potencial que tem. Hoje temos em Caxias, considerando volumes de recursos, 10% de participação de mercado e em torno de 40 mil associados. A gente acredita que, fazendo um trabalho bem feito, inclusive de comunicação, mais as agências que a gente pensa expandir, em cinco anos podemos dobrar nosso tamanho. 

A política econômica do governo federal favorece a cooperativa de crédito?
A política econômica é mais macro, então, acho que ela tem de ser expansionista, não só para o Sicredi, mas para todos os segmentos da economia. Mas vou te responder pela visão que o Banco Central tem. O Banco Central lançou a agenda BC+, que visa a ampliar a bancalização, botar mais pessoas que não têm conta em banco, democratizar o crédito e diminuir taxas. O BC viu no movimento das cooperativas um vetor muito importante para isso. O BC tem incentivado muito via legislação a atuação das cooperativas, derrubando algumas amarras, distensionando o ambiente regulatório das cooperativas, nos trazendo mais perto do ambiente que os bancos têm, nos tratando de uma forma melhor. A gente tem também de reconhecer que, nos últimos governos, todos foram sempre muito simpáticos às cooperativas de crédito. Mas uma agenda tão forte como o BC atual tem a gente não tinha visto ainda. A própria legislação pelo órgão regulador vai facilitar a expansão das cooperativas.

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