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+Serra02/09/2019 | 06h07Atualizada em 02/09/2019 | 08h41

Serra produz mais de um milhão de quilos de queijo artesanal por ano

Levantamento foi feito pela reportagem junto aos escritórios da Emater e prefeituras da região

Serra produz mais de um milhão de quilos de queijo artesanal por ano Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A produção de queijo artesanal sempre fez parte do dia a dia — e garantiu o sustento — da família Bolson. De maneira informal, Josefina Luiza Bolson fazia  as peças que seriam vendidas entre os vizinhos, amigos e conhecidos. Quando a filha Marta casou com Marcelo Camêlo, há 24 anos, o jovem passou a ajudar a sogra na fabricação. Ela fazia e ele oferecia, de porta em porta. Marta e Marcelo foram adquirindo experiência e, em 2013, formalizaram o negócio.

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A Bolson & Camêlo é uma das três agroindústrias de laticínios em funcionamento em Caxias do Sul e é responsável pela maior parte da produção na cidade. São cerca de 70 quilos por dia, feitos na propriedade em Vila Oliva, algo em torno de 25 mil quilos por ano. Em 2018, a produção total de queijo em Caxias foi de 27.972 quilos. Neste ano, até julho, já passou de 20 mil quilos. Se seguir neste ritmo, 2019 deve fechar com quase 35 mil quilos produzidos. 

O aumento na produção se deve, principalmente, à adesão do município ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA). Com a permissão de venda do queijo para todo o país, o mercado se abriu para as queijarias. A produção, conforme estimativa da Secretaria Municipal da Agricultura, aumentou quase 25%. No caso da Bolson & Camêlo, o crescimento nas vendas já é de 30% por conta do SISBI – a agroindústria, que vende no Ponto do Agricultor, às sextas-feiras, e fornece para casas especializadas da cidade, passou a comercializar também para estabelecimentos de Gramado. 

— Já tem gente de Porto Alegre interessada em comprar — conta Marcelo. 

Até 2019, o produto fabricado em Caxias com a inspeção do Serviço Municipal de Controle de Produtos Agropecuários de Origem Animal (Copas-POA) somente poderia ser comercializado dentro do município, como estabelece a legislação sanitária federal. Não poderia ser vendido em redes de supermercado que levam os produtos para outros municípios, por exemplo. Com a equivalência SISBI-POA, os estabelecimentos podem comercializar os seus produtos em todo o território nacional. 

— É uma conquista do município para o setor de agroindústria. O que antes era uma barreira legal e trazia insegurança aos produtores, hoje é uma oportunidade de crescimento. Uma analogia pode ser feita quando o Brasil recebe auditorias de países onde busca-se a abertura de mercado para exportação. A equivalência SISBI-POA é um trabalho exclusivamente do poder público municipal, o qual precisa estruturar-se para receber a confirmação da realização do trabalho nas auditorias recebidas e, consequentemente, propiciar a expansão do mercado ao setor agroindustrial — destaca o diretor executivo do Copas-POA, Ramon Sirtoli. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 26/08/2019 - Agroindústria familiar Bolson e Camêlo, em Vila Oliva. Marta Bolson Camêlo e Marcelo Camêlo são os proprietários. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Marcelo e Marta contam com a ajuda dos filhos Isadora e Pedro na produção de queijo artesanal colonialFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Estimativa

Não há dados consolidados sobre a produção de queijo artesanal na Serra, mas um levantamento feito pela reportagem junto aos escritórios da Emater e prefeituras da região aponta que a média anual é de 1 milhão de quilos, o que equivaleria a cerca de 2,7 mil quilos do produto por dia. O número leva em conta apenas as agroindústrias formalizadas. A quantidade de queijo é bem maior se for considerado o mercado informal. 

Ampliação

A Bolson & Camêlo tem capacidade para 100 quilos de queijo por dia e planeja ampliar neste ano o espaço físico para produzir queijo serrano também — hoje não há agroindústrias em Caxias produzindo o tipo serrano.

Consumo de queijo

Conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo, o brasileiro consome cerca de 5,5 quilos de queijo por ano. Na Grécia, país onde mais se consome queijos no mundo, o consumo por habitante é de 20 quilos anuais.

Foto:

SISBI-POA

> O Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), que faz parte do Sistema Unificado de Atenção a Sanidade Agropecuária (SUASA), padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir inocuidade e segurança alimentar.
> Os Estados, o Distrito Federal e os municípios podem solicitar a equiva-lência dos serviços de inspeção com o serviço coordenador do SISBI. Para obtê-la, é preciso comprovar que têm condições de avaliar a qualidade e a inocuidade dos produtos de origem animal com a mesma eficácia do Ministério da Agricultura.
> Em 2019, o Copas-POA da Secretaria da Agricultura de Caxias conquistou o selo, o que permite a venda do queijo para outros municípios do país. 

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