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Construção civil12/08/2019 | 17h30Atualizada em 12/08/2019 | 17h30

"Não se consegue assinatura de ninguém", critica presidente da Câmara da Brasileira Indústria da Construção

Em Caxias, José Carlos Martins reclamou da burocracia, mas assinalou voto de confiança em Governo Bolsonaro

"Não se consegue assinatura de ninguém", critica presidente da Câmara da Brasileira Indústria da Construção Julio Soares/Objetiva
Foto: Julio Soares / Objetiva

Nos 10 anos que compreenderam 2004 e 2013, o PIB da construção civil no Brasil apresentou decréscimo em apenas dois deles: 2005 e 2006. Também nesse período, por seis anos, o PIB do setor foi maior do que os próprios índices do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Desde 2013, no entanto, o segmento amarga números negativos. No primeiro trimestre deste ano, também registrou queda de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). 

Em Caxias nesta segunda-feira (12), onde palestrou na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC), o presidente da CBIC, José Carlos Martins, reconheceu a fase difícil do setor, que, segundo ele, é essencial para a própria recuperação da economia do país:

— O Brasil não vai sair desse buraco se não for via construção civil, que tem a capacidade de gerar emprego, capacidade rápida de dar resposta. Pela capacidade e pelo tamanho da cadeia produtiva, que envolve 62 outros setores. Quando coloco um imóvel na rua, estou vendendo cachorro quente, caminhão, pneu, é um mundo de coisas. Mas no momento, somos diabéticos em uma loja de doce — comentou Martins. 

Embora tenha elogiado as intenções e propostas de reforma do governo federal, na opinião de Martins, somente com a criação de programas e estímulos para os setores produtivos é que o país poderia retomar a estabilidade econômica:

— Não dá para apostar somente com mercado financeiro para tirar país do buraco. Se não tiver estímulos, programa, não vamos conseguir sair desta condição.

Entre as necessidades do setor, ele aponta como possíveis soluções a retomada de obras paralisadas, a melhoria de crédito imobiliário e um novo programa habitacional. Também critica a suposta burocratização dos processos e a rigidez de órgãos fiscalizatórios.

— O Brasil virou uma grande repartição. Hoje você não consegue a assinatura de ninguém porque ele morre de medo pelo terrorismo que foi implantado através de mecanismos como licenciamento ambiental, controle, órgãos de fiscalização, Ministério Público. Não é que eles não possam existir, só que o terrorismo que foi criado impede que o Brasil avance — ressalta.

"Perdeu três jogos está na rua"

Martins afirmou depositar confiança no Governo Bolsonaro.

— Esse governo, de alguma forma, tenho boa impressão. Tem muita boa vontade, idealismo inacreditável — elogiou.

Ainda assim, apesar de exaltar a iniciativa de encaminhar as reformas, ele ressaltou que tudo vai depender do "dia seguinte", ou seja, de como a economia irá se comportar diante das mudanças:

— Não há time de futebol com treinador que tenha perdido três rodadas e não seja mandado embora. Não adianta planejar time, perdeu três jogos está na rua. Vão ter que, em determinado instante, fazer esse país voltar a crescer — alfinetou.

Obras públicas paradas

José Carlos Martins também apontou a necessidade de retomada do grande número de obras públicas paradas no país. Segundo boletim divulgado em abril pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) com base em dados do governo federal, há quase 4,7 mil obras interrompidas no País atualmente.

— Foram investidos R$ 70 bilhões (nessas obras), que estão se deteriorando ao tempo. Precisaria de R$ 40 bilhões para terminar, quem seria louco de achar que o Estado tem esse recurso? É óbvio que precisa de parceria público-privada. Só essas 4,7 mil obras gerariam 500 mil empregos diretos e 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos — afirmou Martins.

OBRAS PARADAS

> 4.669 obras paralisadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
> 38% são obras até R$ 500 mil.
> 13% acima de R$ 15 milhões.
> 36% das obras são UBS.
> 20,8% são creches e pré-escolas.
> 11% (548 obras) na Região Sul.

* Dados do Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

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