Funcionários da Metalcorte Fundição não receberam pelo último mês de trabalho antes da falência  - Economia - Pioneiro

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Pendência25/08/2019 | 13h29Atualizada em 25/08/2019 | 13h29

Funcionários da Metalcorte Fundição não receberam pelo último mês de trabalho antes da falência 

Grupo Voges acumularia passivo de aproximadamente R$ 1 bilhão, entre pendências tributárias, fiscais, trabalhistas e sociais

Funcionários da Metalcorte Fundição não receberam pelo último mês de trabalho antes da falência  Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

No dia 8 de agosto, após seis anos em recuperação judicial, as atividades da Metalcorte Fundição foram encerradas. Cento e dez trabalhadores deixaram as dependências do prédio da antiga Metalúrgica Abramo Eberle S.A. (Maesa) que outrora chegou a abrigar cerca de 700 funcionários. O episódio encerrou uma saga dramática iniciada ainda em 2013. Segundo parecer do Ministério Público Estadual, que embasou o deferimento da falência, ao final do curso da recuperação judicial neste ano, o Grupo Voges acumulava passivo de aproximadamente R$ 1 bilhão, entre pendências tributárias, fiscais, trabalhistas e sociais.

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Na fundamentação do pedido pela quebra, o parecer do MP atesta: "o processo (de recuperação judicial) tramita há seis anos sem plano de recuperação válido e viável, houve o descumprimento dos planos apresentados, há evidente inviabilidade econômica, foram violados vários dispositivos legais e descumpridos os prazos previstos e, ainda, as recuperandas e Osvaldo Voges descumpriram decisões judiciais e praticaram fraudes que inviabilizam o prosseguimento da 'recuperação'".

No entanto, enquanto a falência representou o fim das tentativas frustradas para a restauração econômica do grupo administrado pelo empresário Osvaldo Voges, os danos colaterais continuam a atingir os últimos trabalhadores da empresa. Os funcionários, que recebiam de forma parcelada os salários, não foram pagos pelo mês de julho trabalhado. Para piorar, no dia em que representantes da administração judicial — que assumiu o grupo para levantamento e leiloamento do patrimônio — iniciariam o processo de baixas nas carteiras de trabalho, a energia elétrica foi cortada em razão da falta de pagamento de dois meses — em dívida estimada em cerca de R$ 800 mil.

— Os processo das rescisões, o cálculo da folha, tudo isso depende da internet, do banco de dados interno — comenta o administrador judicial Nelson Sperotto.

A pendência da remuneração não paga aos trabalhadores é estimada em cerca de R$ 350 mil. Segundo Sperotto, a venda concretizada de veículos que eram patrimônio da empresa feita pelo empresário durante a recuperação judicial e o encaminhamento da venda de peças que restaram da produção poderiam quitar o valor. Entretanto, há dependência da confirmação do valor pendente da folha, assim como autorização judicial para repasse dos recursos arrecadados com as vendas de itens do patrimônio.

Na percepção de Sperotto, os efeitos da falência não atingem somente os empregados da empresa:

— Sei por experiência que não só os trabalhadores, como as famílias, e o próprio empresário sofrem muito com isso. A conjuntura vai te arrastando. Dez anos antes ele deveria ter fechado tudo. Mas quem é que faz isso? Na época, 700 empregados, como ele podia adivinhar que a recessão ia durar e fechar tudo?

Atualmente, a empresa passa por levantamento de todo o patrimônio. Devido à extensão da área, a relação do inventário deve ser concluída em cerca de dois meses. Somente após isso poderá ser solicitado leiloeiro e realizada a oferta de maquinário e mobiliário da empresa. O leilão, portanto, deve ocorre somente no início de 2020.

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