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Estragos15/04/2019 | 12h27Atualizada em 15/04/2019 | 14h12

Prejuízos na agricultura com granizo na Serra chegam a R$ 3,7 milhões

Levantamento preliminar da Emater aponta que quatro municípios foram atingidos

Prejuízos na agricultura com granizo na Serra chegam a R$ 3,7 milhões Carlos Scariot/Divulgação
805 toneladas de caqui foram perdidas na Serra, segundo dados preliminares da Emater Foto: Carlos Scariot / Divulgação

O granizo que atingiu a Serra Gaúcha no último sábado (13) causou estragos na agricultura em pelo menos quatro municípios da região e gerou um prejuízo estimado em R$ 3,745 milhões. Conforme levantamento da Emater/Serra, os danos ocorreram em Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves e Garibaldi. O granizo atingiu lavouras de caqui, kiwi, e maçã fuji, além de danificar coberturas plásticas.

A maior área atingida corresponde a plantações de caqui, com 90 hectares danificados. 805 mil quilos foram perdidos, num prejuízo calculado em R$ 1,2 milhão.

— Os danos ao caqui só não foram maiores porque uma parte já havia sido colhida. De 14 milhões de quilos previstos para esta safra, foram colhidos cerca de 4 milhões. Da parte que faltava, cerca de 10 milhões de quilos, a perda foi de quase 10% — explica  o agrônomo Ênio Todeschini, da Emater/Serra, acrescentando que o fato de o granizo ter vindo acompanhado de muita água na chuva de sábado evitou que o problema fosse maior, porque amenizou o impacto das pedras.

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Em relação ao kiwi, foram atingidos cinco hectares, com perda de 65 mil quilos e prejuízo estimado em R$ 162,5 mil. A safra está no começo, faltando a colheita de ainda 90% da produção. Outra lavoura com perdas foi a da maçã Fuji, que está com a safra na reta final. Foram atingidos 15 hectares da fruta, com perda de 225 mil quilos e prejuízo calculado em R$ 450 mil.  Os frutos atingidos são perdidos porque as variedades são destinadas ao consumo in natura, e deixam de ter o aproveitamento comercial.

Mas o maior prejuízo, segundo a Emater/Serra, foi com relação às coberturas plásticas: R$ 1,925 milhão em 35 hectares atingidos. Além de ser um material caro, a situação também é problemática porque não há seguro.  

Todeschini explica que outros cultivos, como o de uva e de pêssego, apesar de a colheita já ter encerrado, podem ser impactados. Folhas danificadas diminuem a capacidade de a planta armazenar energia para o inverno, e os galhos machucados podem ser porta de entrada para doenças. 

— Por isso, os produtores devem fazer os tratamentos nas plantas com urgência — reforça.

Em Bento Gonçalves, o granizo atingiu o distrito de São Pedro, justamente a região do interior em que há plantações de caqui. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento, Cenedir Postal, como não é comum ocorrer o granizo na época de outono, muitos produtores não fazem o seguro do caqui. A colheita dessa fruta começa em março, já no fim do verão e início de outono. Com relação à uva, ainda não há como calcular possíveis perdas.

— Só vamos ficar sabendo se o granizo que atingiu as plantas vai ter algum impacto na safra depois — alerta.

A análise da Emater reforça que duas características do granizo deste sábado fogem ao padrão. Uma delas é justamente a época, já que o fenômeno é mais comum, da maneira considerável como foi, no período da primavera, e excepcionalmente ocorre em outras estações. A outra característica incomum é o volume de pedras, que causariam um estrago maior se não houvesse coincidência com altos volumes de água. 

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O produtor Gilmar Cantelli, do distrito de São Pedro, calcula que 15 a 20 famílias da região tiveram o maior prejuízo. Segundo ele, não há um levantamento fechado, mas para alguns produtores de caqui nessa área a perda pode ter sido entre 30% e 40%. Ele acrescenta que, como a fruta é vendida para consumo in natura, o seguro é mais caro, e por isso os produtores também não o providenciam.

No caso dele, o prejuízo maior foi com a cobertura plástica. 2.500 metros quadrados que protegiam verduras foram perdidos e terão que ser repostos. O custo estimado é de pouco mais de R$ 12 mil. O pior é que a reposição da cobertura havia sido feita há semanas.

— Deixamos passar o verão, quando há um maior problema de intempéries, para fazer a reposição das coberturas no inverno. Eu e outros produtores tínhamos feito a reposição há uns 15 dias. Agora, vamos ter que fazer tudo de novo — explica.

Ainda conforme o agricultor, há algumas linhas de financiamento para repor essas coberturas plásticas. É necessário que isso seja feito o quanto antes porque, onde há furos, formam-se goteiras que danificam as plantas.

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