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Uma semana depois20/04/2019 | 07h15Atualizada em 20/04/2019 | 09h38

O drama do agricultor de Farroupilha que perdeu toda produção de caqui após granizo

Plantação na propriedade de Elias Zambon ficou destruída por conta do temporal do sábado da semana passada

O drama do agricultor de Farroupilha que perdeu toda produção de caqui após granizo Lucas Amorelli/Agencia RBS
Safra, estimada em 250 toneladas, teve perda total Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Uma semana após o temporal que atingiu a região, Elias Zambon ainda olha incrédulo para a plantação de caqui na Linha Palmeira, interior de Farroupilha. O granizo do sábado, dia 13, não poupou nenhuma fruta. As pedras de gelo pegaram a safra em cheio. O agricultor perdeu toda a produção dos 10 hectares, estimada em 250 toneladas — o equivalente a 10 carretas de 25 toneladas. Com o quilo do caqui pago ao produtor na casa dos R$ 2, a estimativa é que ele tenha perdido cerca de R$ 500 mil. 

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A fruta estava graúda e bonita, com excelente qualidade, própria para exportação, segundo Zambon. A colheita do caqui kioto (chocolate preto) começaria na segunda-feira seguinte. Em seguida, seria o da variedade fuyu (chocolate branco). Os diaristas já estavam até contratados para o trabalho. Com o fenômeno, acabaram dispensados. 

— Belo presente de aniversário — comenta Zambon, que completou 53 anos no dia 15, dois dias após o temporal. 

Ele vai deixar os caquis, que parecem ter levado tiros, apodrecer no pé. Retirá-los das árvores traria um prejuízo ainda maior, já que gastaria entre R$ 15 mil e R$ 20 mil no processo. O produtor chegou a colher 4 toneladas antes do temporal, mas a quantidade é insignificante (menos de 2%) diante da safra perdida. 

— Estou arrasado. Investi R$ 150 mil. Perdi não só essa safra, mas o lucro da safra passada — lamenta, com a voz embargada. 

Sem seguro, Zambon terá de recorrer às economias dos últimos anos para a produção de 2019. As últimas safras proporcionaram ao agricultor fazer uma poupança específica para situações de emergência como essa. Embora tenha reservas, reclama da falta de ajuda do governo federal. 

— É duro — resume. 

Felizmente, os galhos dos pés de caquis não tiveram danos e poderão dar frutas novamente no ano que vem. Mas Zambon teme que a qualidade não seja tão boa como a deste ano. Além do caqui, carro-chefe da propriedade, ele tem quatro hectares de uva e um de ameixa.  

Perdas em anos anteriores

Não é a primeira vez que a propriedade é destruída por eventos climáticos. Em 1992, uma chuva de granizo, pior que a de sábado, na opinião de Zambon, acabou com a plantação de caqui. No entanto, ela não era o principal cultivo na época. Há quatro anos, foi a geada que atingiu os caquis e os parreirais. 

Zambon plantou os primeiros pés de caqui em 1983. Foram 400 plantas. Na década de 1990, ele ampliou a produção e hoje o caqui domina as terras da família. A maioria é da variedade fuyu, equivalente a cerca de 60%. O restante é o kioto. 

Vai longe

Elias Zambon fornece caqui para terceiros, que vendem para São Paulo, Paraná e Mato Grosso, além da rede Zaffari no RS. Em 2018, ele colheu 183 toneladas. Em 2017, 272 toneladas. 

Prejuízo de mais de R$ 3,2 milhões

Conforme a Emater, as perdas nas lavouras de caqui causaram prejuízo de R$ 3,22 milhões. A área atingida foi de 225 hectares, com a perda de 2,1 mil toneladas. Isso representa quase um quarto da produção que ainda resta colher, próximo de 10 mil toneladas. Cerca de 30% do total, das 14 mil toneladas de caqui previstas para esta safra na Serra, foram colhidos até agora. O prejuízo total com o granizo chegou a R$ 6,6 milhões na agricultura.

O levantamento foi feito em propriedades de Caxias do Sul, Garibaldi, Bento Gonçalves e Farroupilha. 


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