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Vitivinicultura28/01/2019 | 06h15Atualizada em 28/01/2019 | 15h09

Venda de moscatel cresce 28% e impulsiona faturamento de vinícolas da Serra

Rótulos da variedade passaram a representar um terço dos espumantes comercializados no país em 2018, segundo dados do Ibravin

Venda de moscatel cresce 28% e impulsiona faturamento de vinícolas da Serra Lucas Amorelli/Agencia RBS
Enquanto o mercado de vinhos finos apresenta retração, o nicho de espumantes moscatéis deve atingir recorde de vendas em 2018 Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Bebida leve, de sabor adocicado e aroma marcante, o espumante moscatel tem assumido cada vez mais protagonismo dentro do setor vitivinícola nacional. Responsáveis por elaborar 90% dos rótulos da variedade no país, as vinícolas da Serra passaram a intensificar o foco neste nicho. A estratégia tem como objetivo atender à demanda de um mercado que cresce a dois dígitos ano após ano. Em uma década, o volume de moscatéis comercializados praticamente triplicou e hoje já responde por um terço de todo o líquido borbulhante fabricado no Brasil.  

De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), de janeiro a outubro de 2018, foram negociados 4,1 milhões de litros de moscatéis. O resultado representa alta de 28,5% frente a igual período de 2017 e destoa do restante do mercado. O segmento de espumantes como um todo avançou 13,4%, enquanto o de vinhos finos apresentou retração de 3,4%. O balanço final do ano ainda não foi fechado, mas, mantido o patamar de expansão, a tendência é de que as vendas dos rótulos à base de moscatel atinjam até 7 milhões de litros. O volume será recorde e deve superar em mais de 300% o produzido dez anos atrás. 

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– O moscatel é uma bebida refrescante, boa para os dias quentes e por isso tem crescido o consumo no país. É uma bebida de entrada para quem não está acostumado a beber espumante – analisa Márcio Ferrari, vice-presidente do Ibravin. 

O mercado de moscatéis começou a ser explorado pelas vinícolas serranas há cerca de 20 anos. Uma das primeiras a empresas a ver potencial no nicho foi a Casa Perini, de Farroupilha. Porém, o diretor comercial Franco Perini constata que esse tipo de bebida começou a despertar mais atenção dos críticos de vinhos e do público em geral há pouco tempo. As premiações obtidas em concursos internacionais também impulsionaram junto ao consumidor os rótulos desta variedade, que se tornou uma especialidade gaúcha. A  Serra é a única região do mundo com aproveitamento comercial da uva moscato branco, principal cultivar utilizada na elaboração do espumante. 

Atualmente, o moscatel da Casa Perini é um dos carros-chefes da empresa. A produção cresceu 35% em 2018 na comparação com o ano anterior.  

– Os espumantes moscatéis representam uma fatia importante da nossa receita. A venda desse produto, nos últimos 10 anos, não cresce menos do que dois dígitos - afirma Franco Perini. 

A inclusão do rótulo da marca farroupilhense na relação de melhores vinhos do mundo feita pela associação de jornalistas especializados no setor (WAWWJ ), em 2017, abriu portas para o produto também fora do país. Desde então, a empresa passou a exportar espumante moscatel para países como Canadá, China, Colômbia, Japão e Polônia. 

Peso reforçado no faturamento 

Na vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, a produção de moscatéis chegou ao seu maior patamar histórico em 2018. A venda destes rótulos rendeu R$ 38 milhões em negócios, representando 7% do faturamento total da cooperativa. Ao todo, foram envasados 1,3 milhão de litros da bebida, volume 31% superior ao de 2017. Com isso, a linha de moscatéis passou a responder por quase metade da produção do líquido borbulhante da empresa. 

– É uma aposta forte nossa. Entre os espumantes, o moscatel está se encaminhando para ser o líder de vendas. A tendência é que já neste ano supere o espumante brut e os demais em volume de produção - argumenta Hermínio Ficagna, diretor-superintendente da cooperativa.  

A Aurora conta com mais de 1,1 mil famílias de produtores de uva associadas. Aproximadamente 110 delas são responsáveis por entregar uvas moscatéis para a vinícola, sendo a maioria proveniente de Pinto Bandeira. 

Fonte:IbravinFoto:


 
 
 

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