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Vitivinicultura28/01/2019 | 07h15

Farroupilha lidera produção de uvas moscatéis no país

Município tem mais de 315 hectares de variedades e produz 40% das frutas do tipo no Estado

Farroupilha lidera produção de uvas moscatéis no país Lucas Amorelli/Agencia RBS
Município foi classificado, por lei, como a capital nacional do moscatel Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Moscatel é sinônimo de Farroupilha. Afinal, o município ostenta o título de maior produtor de uvas moscatéis do país. O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) estima que a cidade é responsável por colher 40% das uvas do tipo no Rio Grande do Sul, Estado que detém quase a totalidade do cultivo no país. Além disso, segundo o Cadastro Vitícola, da Embrapa Uva e Vinho, no local há 315 hectares de cultivares da fruta, o que corresponde a 32% da área plantada em solo gaúcho. Esses números contribuíram para que o município fosse reconhecido por lei, no início de janeiro, como a capital nacional do moscatel.  

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A vocação da cidade neste nicho é reconhecida ainda por uma Indicação de Procedência (IG), denominação outorgada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) que atesta que uma região é especializada em determinado produto. Ao todo, nove vinícolas da cidade estão aptas a produzir vinhos e espumantes moscatéis com o selo de procedência.  

No futuro, a Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin) deve pleitear uma Denominação de Origem (DO), título que hoje só o Vale dos Vinhedos possui dentro do setor vitivinícola brasileiro. 

– Mas primeiro precisamos trabalhar para fazer com que os consumidores entendam o que é essa indicação de procedência. Queremos popularizar a marca moscatel. Aí todos que produzem, não só em Farroupilha, vão ganhar – ressalta João Carlos Taffarel, presidente da Afavin. 

Indicação de Procedência vinhos de Farroupilha. Presidente da Associação dos Produtores de Vinhos de Farroupilha (Afavin), João Carlos Taffarel. Pauta do +Serra sobre indicações geográficas dos vinhos gaúchos.
Taffarel diz que objetivo é melhorar a qualidade da uva, tornando-a mais resistente às doençasFoto: Tatiana Cavagnolli / Divulgação

Apesar do aumento na produção de espumantes na indústria, a área de uvas moscatéis sofreu queda de 12% entre 2008 e 2015, último ano disponível no Cadastro Vitícola. O envelhecimento de parte dos parreirais e a mortalidade das plantas influenciou essa retração. O volume colhido também tem oscilado nos últimos anos na faixa de 17 mil a 22 mil toneladas. A exceção foi 2016, que teve quebra na safra pelo mau tempo.  

Conhecidas por serem variedades tardias e de alta fertilidade, as moscatéis também são mais suscetíveis às doenças. Desta maneira, Taffarel destaca que está sendo realizado um trabalho de melhoramento da matéria-prima, junto à Embrapa Uva e Vinho.  

– Estamos desenvolvendo materiais mais resistentes às doenças. Há também um movimento de reconversão desse tipo de vinhedo. Como a demanda do mercado está crescendo, o pessoal está começando a replantar o que tinha antigamente de moscatéis. 

O presidente da Afavin lembra que, no passado, as uvas moscatéis eram utilizadas principalmente para a produção de vinho a granel e eram vendidas no mercado por preço semelhante às uvas comuns. Conforme começou a ser utilizada na produção de espumantes, a matéria-prima se valorizou. Neste sentido, a tendência é de que a área plantada e o volume colhido cresçam a longo prazo. 

No momento, existem dez variedades de uvas moscatéis utilizadas na produção de vinhos e espumantes. A mais tradicional delas é a moscato branco, que reponde por 62% do montante colhido na safra passada. Curiosamente, até hoje não se sabe a origem exata desta uva. Pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho estão tentando mapear como ela pode ter chegado à Serra, região onde melhor se adaptou no mundo. Hoje, a cultivar só é utilizada em escala industrial nos vinhos gaúchos. 

Segundo a pesquisadora Patricia Ritschel é provável que a moscato branco tenha sido introduzida no Brasil no final do século 19. A antiga Estação Enológica de Caxias do Sul já registrava a cultivar em 1932 em sua coleção e ajudou a disseminá-la entre os produtores. Uma hipótese trabalhada, mas ainda não confirmada, é de que ela seja descendente de uma cultivar portuguesa. A Embrapa pretende finalizar o estudo e chegar a uma conclusão até 2020.  

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