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Vitivinicultura04/12/2018 | 19h26Atualizada em 04/12/2018 | 19h26

Preço mínimo da uva agrada entidades e produtores da Serra 

Conselho fixou em R$ 1,03 o quilo. R$ 0,11 a mais do que foi pago nas duas safras anteriores

Preço mínimo da uva agrada entidades e produtores da Serra  Felipe Nyland/Agencia RBS
Produção deve ficar 20% menor devido ao prejuízo deixado pela chuva de granizo Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O valor mínimo do preço da uva finalmente passou a barreira do R$ 1. O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou ontem que o quilo da uva industrial na safra 2018/2019 está fixado em R$ 1,03. A definição ainda não foi publicada pelo Diário Oficial da União, mas é considerada como certa pelo presidente da Comissão Interestadual da Uva e vice-presidente do Ibravin, Márcio Ferrari.

— O CMN nunca voltou atrás de uma decisão — ressalta Ferrari.

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O novo preço passa a ser aplicado a partir do dia 1º de janeiro de 2019 e representa aumento de 11,9% (ou R$ 0,11) em relação à safra passada, quando era de R$ 0,92.  A proposta das vinícolas era manter o mesmo valor, e os produtores pediam pelo menos R$ 1,05.  Mesmo assim, o preço agradou às entidades e produtores do setor.

— Estamos satisfeitos — comemora Ferrari. 

Segundo ele, finalmente o governo percebeu a importância que o agricultor tem no desenvolvimento da economia e está disposto a valorizar.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves, Cedenir Postal, acrescenta:

— Diante de todas as dificuldades enfrentadas nas negociações, foi uma vitória.

Sem garantias

O reajuste ainda não é o ideal, já que nas últimas duas safras o governo manteve os R$ 0,92. Nesse período, os custos de produção aumentaram muito mais do que a inflação. 

— O valor de R$ 1,03 é o que havíamos solicitado para a safra de 2017. Todo o nosso trabalho está defasado, mas, mesmo assim, o preço definido é muito melhor do que o valor que a indústria estava propondo, que era de R$ 0,92 — declara Ferrari.

Agora, a torcida é para que as vinícolas cumpram o que foi acordado. Na safra passada, segundo Ferrari, algumas variedades com graduação abaixo dos 15 graus Babo (índice de açúcar) não receberam o mínimo de R$ 0,92. 

Não há garantias do governo de que o preço estabelecido seja pago aos produtores. Isso porque não há mais linhas de crédito subsidiadas que favoreçam as vinícolas que cumprem o acordo.


“Debate deve ser ampliado”

O diretor-executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do RS (Fecovinho), Hélio Marchioro, defende que, além de definir o preço mínimo, seja ampliado o debate dentro do setor para produzir com mais qualidade.

— É preciso que haja um pacto entre os segmentos vitivinícolas para buscar estratégias de mercado e qualificar os produtos. Temos que transformar ações em perspectivas — observa.

A previsão da próxima safra é de colher cerca de 550 mil toneladas, 20% a menos do que a de 2018, quando foram colhidas 663 mil toneladas. A quebra se deve ao prejuízo deixado pela chuva de granizo que atingiu 14 municípios da Serra no final de outubro. 


Números da safra 2018

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL 24/10/2018As condições do inverno contribuiram para uma boa floração dos parreirais. Nas foto o agricultor Mario Biondo em seu parreiral no interior de Caxias do Sul. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Produtor de Caxias Mário Biondo pretende colher 80 toneladas de uva na safra deste anoFoto: Felipe Nyland / Agencia RBS

* Na última safra foram colhidos 663 milhões de quilos de uvas para processamento no RS

* 50% foram destinadas à elaboração de suco

* Foram colhidas 113 variedades da fruta em 129 municípios gaúchos

* A maior produtor foi Flores da Cunha, com 100 milhões de quilos

* Bento Gonçalves foi o que teve maior volume de vinificação, 214 milhões de quilos

* 15 mil famílias atuam no setor da uva e do vinho no RS. Dessas, 11,5 mil estão localizadas na Serra Gaúcha.  

* Na safra de 2018 foram produzidos 257,09 milhões de litros de vinhos e espumantes e 160,67 milhões de litros de suco e outros derivados da uva.

 Fontes: Ibravin e Embrapa



 
 
 

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