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Indústria20/11/2018 | 15h52Atualizada em 20/11/2018 | 16h10

Sindicato dos Metalúrgicos pede anulação da venda da Voges

Impasse foi desencadeado na forma como seria paga a primeira parcela dos salários dos trabalhadores

Sindicato dos Metalúrgicos pede anulação da venda da Voges Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e região pediu na tarde desta terça-feira (20) a anulação do acordo de venda da Voges Motores, adquirida em setembro pela Biehl Metalúrgica, de São Leopoldo. Entre os motivos alegados na nota divulgada pela entidade está o não cumprimento por parte da empresa do pagamento da primeira parcela dos trabalhadores que deveria ter sido feita até o dia 31 de outubro. "Em uma análise mais profunda, a entidade avaliou que o acordo seria LESIVO aos metalúrgicos. Diante do exposto, o Sindicato dos Metalúrgicos SOLICITA A IMEDIATA ANULAÇÃO DO ACORDO e comunica a todos os órgãos do Judiciário a sua decisão", acrescenta o comunicado.

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O vice-presidente do Sindicato, Adão Jovani Dias, reforça que o acordo firmado em assembleia com os credores não foi cumprido. Denunciou, também, que a entidade sempre se posicionou contra o acordo feito (de os trabalhadores receberem somente 20% da dívida trabalhista). 

— A posição do advogado do Sindicato (Valdecir Souza de Lima) que apresentou a proposta na assembleia não é a mesma da direção da entidade — declara Dias. 

O representante do sindicato também assegura que os salários dos trabalhadores que ainda estão atuando na unidade estariam atrasados. A empresa compradora nega. 


Um absurdo

O advogado e acionista da empresa Biehl Metalúrgica Eduardo França disse agora à tarde que estava surpreso com o comunicado e que a decisão não tem nenhuma validade legal.

— Absurdo — resumiu. 

Segundo ele, o depósito da primeira parcela (R$ 2 milhões) ainda não foi feito porque a Justiça não determinou a forma de pagamento. Reforçou que a Biehl dispõe de uma "carta fiança" que garante o crédito.

— Gostaríamos que fosse depositado (o dinheiro) diretamente na conta dos trabalhadores. Queremos que eles recebam antes do final do ano. Se o depósito for judicial, só terão acesso a partir de março — justifica França.

Ele garante que os salários estão normalizados e que já foram investidos cerca de R$ 4 milhões na unidade adquirida.

— E mais, já contratamos 40 pessoas em menos de 30 dias.

O escritório responsável pela administração judicial do processo disse que ainda não foi comunicado da decisão do Sindicato. 

O negócio de compra e venda evolve as cifras de R$ 40 milhões. Destes, R$ 20 milhões foram destinados para o pagamento dos direitos trabalhistas. Além dos R$ 2 milhões de entrada, outras 18 parcelas de R$ 1 milhão seriam repassadas para o acerto com os trabalhadores.  Cerca de 2,5 mil famílias estão envolvidas no processo.





 
 
 

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