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Indústria14/11/2018 | 19h03Atualizada em 14/11/2018 | 19h03

Impasse no pagamento da primeira parcela da venda da Voges em Caxias

Depósito de R$ 2 milhões deveria ter sido feito até dia 31 de outubro pela empresa compradora. Há discordância na forma como este dinheiro vai chegar aos trabalhadores

Impasse no pagamento da primeira parcela da venda da Voges em Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Nova direção da Unidade de Motores assumiu no início de outubro Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Elir Antônio Rodrigues, 52 anos, trabalhou na Voges durante 30 anos. Ele foi um dos funcionários que aprovou a compra da Unidade da Voges Motores no final de setembro, mesmo recebendo um percentual estimado em 20% do total da rescisão. A primeira parcela deveria ser paga até o dia 31 de outubro. Mas a promessa não se concretizou e o negócio poderá até ser desfeito, caso a Justiça determine o descumprimento do plano.

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— Se isso acontecer, a transação poderá ser dissolvida. Embora esta não seja a intenção da empresa — aponta Daiane Branchini, advogada do escritório Nelson Cesa Sperotto, responsável pela administração judicial do processo. 

A Voges foi adquirida pela Biehl Metalúrgica, de São Leopoldo, que ofereceu R$ 40 milhões pelo negócio. Destes, R$ 20 milhões foram destinados para o pagamento dos direitos trabalhistas. Além dos R$ 2 milhões de entrada, outras 18 parcelas de R$ 1 milhão seriam repassadas para o acerto com os trabalhadores. 

Daiane explica que, entre as causas do descumprimento, está a de que a adquirente (Biehl) constatou que vários equipamentos relacionados no processo de compra, não estariam mais na unidade.  Destaca, no entanto, que a empresa não desistiu do negócio e que este impasse pode ser superado.

— A Biehl apresentou uma carta fiança de R$ 2 milhões, o que pressupõe que ela tem dinheiro para pagar a primeira parcela e ainda tem interesse na aquisição do empreendimento — explica. 


"Queremos depositar na conta deles", diz acionista


O advogado e acionista da empresa Biehl Metalúrgica Eduardo França assegura que não tem a mínima possibilidade do negócio ser desfeito. A carta fiança, segundo ele, é a garantia de que a empresa tem o dinheiro disponível para a primeira parcela do pagamento. Mas quer depositar diretamente na conta dos trabalhadores. 

— Não queremos fazer o depósito judicial, pois não teremos a certeza de que este dinheiro vai chegar até os credores — enfatiza França.

O juiz da 3ª Vara Cível e responsável pelo processo, Clóvis Mattana Ramos, explica que a carta fiança não representa a garantia do pagamento e informa que ingressou com uma nova petição na tarde de ontem para que a empresa faça o depósito em dinheiro. 

— Também tenho a preocupação de que os credores recebam o percentual negociado — ressalta.

Para isso, segundo ele, o caminho mais acertado é o depósito judicial. Está criado o impasse!

Indefinições

França confirma que outros detalhes da aquisição também não estão resolvidos. Um deles, informa, é de que ainda não foi apresentada a lista de credores e a forma como será feito o pagamento, por parte do administrador judicial.

A advogada Daiane informa que ainda há valores ilíquidos (que não foram definidos pela Justiça do Trabalho) e que, por conta disso, não há consolidação do quadro trabalhista. Ela garante, no entanto, que 90% do processo já está concluído.

Outra preocupação de França se refere  às mais de 100 petições que estão em andamento na Justiça questionando a compra/venda da Voges Motores, e que poderá comprometer o processo de pagamento. França garante que a Biehl já investiu cerca de R$ 3 milhões na unidade localizada no bairro São Ciro e que os salários dos funcionários (cerca de 400) estão regularizados.

O que diz o Sindicato dos Metalúrgicos

O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos, Leandro Angonese, aposta que o processo está na fase final e que será resolvido em breve. Diz que passou pelo menos duas semanas recolhendo dados dos ex-funcionários que que possam receber as indenizações e diz que o objetivo da entidade é beneficiar os trabalhadores para que recebam pelo menos parte dos ativos trabalhistas.

— O processo estava esgotado. Era ilusão achar que receberiam algum valor — diz Angonese.

Ele destaca que o sindicato apenas fez a a intermediação da negociação.

— Não compramos, nem vendemos nada. Só fizemos a ponte.


 SAIBA MAIS

A venda

A proposta de venda da Unidade de Motores da Voges foi aprovada em assembleia no dia 24 de setembro pela maioria dos credores presentes. No evento também foi apresentada a empresa compradora, com sede em São Leopoldo. Os trabalhadores aceitaram receber cerca de 20% do total dos ativos trabalhistas. O grupo Voges ingressou com pedido de recuperação judicial em junho de 2013, mas não conseguiu mais sair da crise. 

Dívidas

Ao todo, as pendências trabalhistas superam os R$ 70 milhões e o processo envolve cerca de 2,5 mil trabalhadores.

Recuperação judicial

A Voges ingressou com pedido de judicial em junho de 2013. Atualmente, as duas unidades (Voges Motores e Metalcorte, junto à Maesa) empregam cerca de 400 trabalhadores.



 
 
 

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