Unificação da RGE e RGE Sul, do Grupo CPFL, pode aumentar tarifas de luz - Economia - Pioneiro

Versão mobile

 

Impacto16/10/2018 | 09h52

Unificação da RGE e RGE Sul, do Grupo CPFL, pode aumentar tarifas de luz

Conselho de Consumidores projeta que sede deve ir para São Leopoldo. Empresa não confirma

Unificação da RGE e RGE Sul, do Grupo CPFL, pode aumentar tarifas de luz Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Conselho cobra esclarecimentos sobre distribuição para consumidores residenciais, industriais e públicos Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
Pioneiro

Está em andamento na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o processo de fusão das empresas RGE e RGE Sul, ambas pertencentes ao Grupo CPFL e que atendem a 373 municípios do Rio Grande do Sul.  Se concretizada, a unificação das concessões pode trazer prejuízos aos consumidores e ao município de Caxias do Sul.

Leia mais
Fusão de concessões pode resultar em aumento das tarifas de luz
Reajuste de 19,5% na conta de luz pode frear produção industrial na Serra Gaúcha
Conta de luz ficará mais cara na Serra
Contas de luz assustam consumidores em Caxias do Sul 

Os clientes podem sofrer com o reajuste das tarifas nas contas de luz, já que a partir da incorporação serão definidos os investimentos na área em que vai atuar a nova empresa. O município de Caxias do Sul deve perder em retorno de impostos e no mercado de trabalho. As projeções são feitas pelo Conselho de Consumidores da RGE.

O presidente do órgão, Claiton Gaieski Pires, destaca que a sede da concessionária, atualmente sediada na cidade, deve ser transferida para São Leopoldo, onde hoje já funciona o Centro de Operações das duas distribuidoras e parte da estrutura administrativa. Em Caxias, deve permanecer apenas um centro regional. Com isso, o atual quadro de funcionários deve ser reduzido. 

A assessoria da RGE e RGE Sul não informou o número de trabalhadores da unidade de Caxias do Sul e não confirma a informação da transferência, mas assegura que a unificação está em análise junto à Aneel, através da audiência pública n.º 042/2018. Caso seja aprovada a fusão, deverá ser emitido termo aditivo ao contrato de concessão da distribuidora RGE Sul e entrará em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2019. 

Sem informações

Claiton Pires alerta para o fato de a Aneel  ainda não ter disponibilizado ao público nenhum estudo técnico de impacto do agrupamento entre as duas concessionárias. 

— A agência reguladora não repassou informações que esclareçam a situação aos clientes e a iminência de novos aumentos na conta de energia elétrica — aponta Pires. 

Outra questão envolve especificamente a indústria.  Pires explica que, na modalidade Verde A4, adotada por muitas empresas, a tarifa da RGE Sul, considerando uma carga típica, fica 7% mais cara no total.

— É uma combinação de fatores preocupante. A contratação de demanda na área da RGE Sul é 61% mais cara. E a operação fora da ponta, a mais utilizada pelas indústrias, justamente para fugir do horário de pico, é 10% mais cara na área da RGE Sul — alerta o presidente do Conselho de Consumidores da RGE.

Outra preocupação da entidade representativa dos consumidores reside na tarifa adotada com a provável unificação das áreas de concessão. Hoje, o valor do kW/h (kilowatt/hora) da tarifa residencial da RGE Sul, responsável pelo abastecimento de energia em 118 cidades gaúchas, é de R$ 0,54732/kW/h, enquanto a da RGE corresponde a R$ 0,52759/kW/h, em um universo de 1,4 milhão de clientes espalhados por 255  municípios do Rio Grande do Sul.

A RGE informou, via assessoria, que ainda é prematuro fazer qualquer projeção de aumento nas tarifas. Explicou que a energia elétrica é composta por vários itens, sendo os principais a geração, transmissão e distribuição de energia, encargos setoriais e impostos. Disse, ainda, que os índices de reajustes são definidos pela Aneel.

Nova área, novo cálculo

Outro ponto colocado em pauta é a data base dos reajustes anuais da tarifa e a revisão tarifária, que acontece a cada cinco anos, de acordo com o que foi definido nos contratos da prestação do serviço público. A última revisão da RGE aconteceu em junho deste ano e reajustou as contas em mais de 20%.

 – Um novo cálculo de tarifas será feito considerando toda a nova área agrupada e os ajustes nas tarifas serão feitos escalonadamente até a próxima revisão tarifária. Existirão ganhos de escala e economias, mas a necessidade de investimentos pesados na área da RGE Sul, que esta muito carente de melhorias, vai exigir aportes por parte da controladora e todos da "nova" concessão pagarão por estes investimentos, no caso os consumidores da atual RGE, onde os investimentos necessários vinham sendo feitos normalmente – destaca Claiton Pires.

O presidente do conselho atenta para a importância do assunto e convoca as associações de classe para que tomem conhecimento desta e de futuras fusões, pois existirão reflexos nas tarifas, com impactos na economia e na competitividade.

Leia também
Clima de revolta em audiência sobre agroindústrias na Câmara de Caxias
Fusão de concessões pode resultar em aumento das tarifas de luz
Boletos acima de R$ 100 poderão ser pagos em qualquer banco

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros