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Comércio09/10/2018 | 08h01Atualizada em 09/10/2018 | 10h05

Comerciantes reclamam da venda ilegal de produtos em Caxias: "cada vez pior"

Vendedores voltam a tomar conta dos passeios das ruas centrais. Apesar disso, lojistas estimam crescimento nas vendas para o Dia das Crianças

Comerciantes reclamam da venda ilegal de produtos em Caxias: "cada vez pior" Lucas Amorelli/Agencia RBS
As calçadas nas vias centrais Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Eles saem, mas voltam. A reclamação dos lojistas é recorrente. Os ambulantes que tomam conta das calçadas, principalmente no centro da cidade, ocupam cada vez mais espaços. 

— Está cada vez pior — reclama o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul, Ivonei Pioner. 

O cenário é preocupante e polêmico. De um lado está a “compaixão” de parte da população que defende quem está tentando ganhar uns trocados para poder sobreviver, principalmente haitianos, senegaleses e caxienses desempregados. Do outro, estão os comerciantes, que deixam de vender, de faturar e de pagar impostos. 

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Na ponta desta polêmica está a comunidade, que acaba sendo prejudicada por falta de investimentos em áreas essenciais por conta da redução na arrecadação de tributos.

— Todos somos prejudicados. O lojista é só o primeiro da lista —  aponta Pioner. 

No último sábado (6), o chão de pelos menos dez quarteirões nas vias centrais de Caxias estava tomado de produtos, a maioria importados da China. Era difícil caminhar nas calçadas.  Em vésperas de uma data forte para o comércio, o Dia das Crianças, a revolta dos empresários do setor fica evidente.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 06/10/2018Cresce o comércio irregular no centro por causa do dia das crianças. (Lucas Amorelli/Agência RBS)
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Concorrência desleal

A presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas), Idalice Manchini, avalia como extremamente preocupante a atual situação. Além do aumento no número de ambulantes, ela destaca a diversidade de produtos que também está cada vez maior. 

— É uma concorrência desleal. Muitas lojas estão fechando, poia até mesmo o acesso aos estabelecimentos está sendo obstruído, o que intimida o consumidor a entrar — observa Idalice.

Uma nova audiência com o prefeito está sendo solicitada pelo Sindilojas para avaliar as ações prometidas pelo poder público na última reunião, realizada em 5 de agosto, em que houve um comprometimento de uma ação efetiva por parte prefeitura.

— Não vai adiantar. As ações da prefeitura são tão fracas que nem se percebe quando são realizadas — protesta Pioner. 

O Sindilojas reuniu entidades ligadas à segurança do município para buscar apoio no lançamento de uma campanha no próximo mês para conscientizar sobre a importância de comprar de quem está legalizado e dá garantias ao consumidor. 

O secretário municipal da Segurança, Clóvis Pacheco, admite que o assunto é uma “queda de braço” e que não tem efetivo suficiente para fazer ações diárias no Centro. Explica que aconteceram muitos eventos na cidade nos últimos 30 dias. Isso exigiu que o efetivo da secretaria priorizasse outras ações. Ressaltou, no entanto, que novas medidas já estão programadas para esta semana. 

— Não queremos criar confrontos. Estamos buscando informações sobre a origem e os fornecedores desses produtos —  sinaliza Pacheco.

Foto: Lisiane Zago, divulgaçãoFoto:

Incremento de até 4% nas vendas

Apesar do comércio ilegal que toma conta do centro de Caxias do Sul, Sindilojas e Fecomércio-RS estimam um crescimento entre 3% e 4% nas vendas para o Dia das Crianças em relação ao ano passado. Além disso, as lojas de Caxias, Flores da Cunha e São Marcos podem funcionar com a mão de obra de seus empregados, mediante certificado emitido pelo Sindilojas. 

— Ao motivar o funcionamento do comércio varejista, contribuímos para movimentar a economia e também o turismo da nossa cidade — avalia Idalice.

Segundo o Fecomércio, os brinquedos, preferidos nesta data para presentear, tiveram redução de preço de 2,98%. Também está sendo apontado crescimento na venda de tecidos, vestuário e calçados, que englobam o vestuário infantil, e de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que envolve a comercialização de jogos e aparelhos eletrônicos, incluindo celulares e tablets.

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