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Negociação05/09/2018 | 19h03Atualizada em 05/09/2018 | 19h03

Metalúrgicos de Caxias convocam nova assembleia para discutir a convenção coletiva

Reunião entre Simecs e Sindicato dos Metalúrgicos, nesta quarta, ajustou detalhes sobre banco de horas negativo, que agora será analisado pelos trabalhadores

Metalúrgicos de Caxias convocam nova assembleia para discutir a convenção coletiva Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Compensação das horas pelo trabalhador ocorrerá em um sábado por mês, prevê nova proposta Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Perto de vencer o prazo dado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) para que houvesse uma definição sobre a convenção coletiva dos metalúrgicos de Caxias do Sul, representantes dos trabalhadores e dos empresários se aproximaram de um acordo. Nesta quarta-feira, diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias e Região e do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) chegaram a um entendimento sobre as últimas questões pendentes. Até a próxima segunda-feira, o TRT4 deve ser comunicado sobre a situação e no dia 15 de setembro a categoria votará em assembleia se aceita ou não a nova proposta.  

O principal ponto a ser analisado pelos trabalhadores é a criação de um banco de horas negativo. Pela medida, um funcionário que precisar, por exemplo, de uma folga durante a semana para resolver assuntos pessoais, fará a compensação dessas horas em um sábado por mês, com limitação de seis horas de jornada e desde que não seja no primeiro final de semana após o pagamento. As horas restantes seriam pagas durante a semana. Inicialmente, o Simecs pedia que esse banco chegasse a quatro sábados mensais. A nova cláusula foi adicionada em substituição à jornada 6x2, que havia sido rechaçada pelos metalúrgicos anteriormente.   

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O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Claudecir Monsani, acredita que a tendência é de que se chegue a um acordo com os representantes patronais. Apesar de não se mostrar totalmente satisfeito com o desfecho das tratativas, ele comenta que levar a definição da convenção coletiva ao Judiciário poderia trazer prejuízos para os trabalhadores, com a possibilidade de perda de cláusulas benéficas aos metalúrgicos.

- O que o trabalhador vive é pior que isso (implementação do banco de horas negativo). Temos que lutar para empatar, com todo esse ataque aos direitos dos trabalhadores, direitos sagrados que não deveriam ser mexidos. Mas acreditamos que fizemos os passos certos - destaca.

Em vídeo divulgado nas redes sociais do sindicato na terça-feira, antes da reunião com a patronal, Monsani dirigiu mensagem à categoria na qual enfatizava que "nós, trabalhadores, que determinamos o ritmo da produção. Nós controlamos as máquinas". No entanto, o presidente nega que a entidade ameaçou convocar uma greve, em função do impasse na negociação.

O presidente do Simecs, Reomar Slaviero, também diz que o acordo "não é o que gostaríamos", mas enfatiza que os empresários não desejam que a indefinição sobre convenção se alongue ainda mais e comece a ser debatida do zero no Judiciário. Até porque as demais cláusulas do acordo já haviam sido aprovadas pelos trabalhadores em julho, em assembleia. Na ocasião, ficou acertado o reajuste salarial de 2,8% e a manutenção de cláusulas sociais, como auxílio-creche e quinquênio, por dois anos.

- Estamos oferecendo aumento real e a manutenção das cláusulas sociais por 24 meses. São ganhos que estamos oferecendo. Se não conseguirmos nos entender nessa convenção, pode-se perder tudo o que foi conquistado e negociado até agora. É preciso entender que nem sempre a coisa é perfeita - relata.

O dirigente ainda diz que a utilização do banco de horas negativo é algo comum em países europeus e salienta que até mesmo sindicatos de outras categorias em Caxias do Sul já adotaram a medida. Para Slaviero, a cláusula favorece os dois lados. 

Próximos passos

- Após três reuniões de mediação, o Tribunal Regional do Trabalho, em Porto Alegre, definiu que Simecs e Sindicato dos Metalúrgicos teriam de chegar a um acordo até a próxima segunda-feira, dia 10 de setembro.

- Os representantes dos sindicatos patronal e dos trabalhadores devem comunicar ao tribunal o desfecho da reunião de hoje e a convocação da assembleia para o dia 15 de setembro.

- O principal ponto a ser votado pela categoria é a criação de um banco de horas negativo, no qual o trabalhador compensaria as horas devidas à empresa em, no máximo, um sábado por mês, com limitação de seis horas de jornada e desde que não seja no primeiro final de semana após o pagamento. As demais horas poderiam ser compensadas durante a semana.

- Em julho, a categoria já havia aprovado o reajuste salarial de 2,8% e a manutenção de cláusulas sociais por dois anos.

 
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