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Indústria automotiva12/09/2018 | 15h41Atualizada em 12/09/2018 | 16h29

Dívida de R$ 75 milhões leva Keko, de Flores da Cunha, à recuperação judicial

Ao todo, o processo deve envolver cerca de 1 mil credores

Dívida de R$ 75 milhões leva Keko, de Flores da Cunha, à recuperação judicial Julio Soares/divulgação
Foto: Julio Soares / divulgação

Uma dívida de R$ 75 milhões, em sua maioria com bancos, foi o que levou a Keko, fabricante de acessórios para veículos, com sede em Flores da Cunha, a ingressar na Justiça seu pedido de recuperação judicial. Os investimentos realizados na mudança de Caxias do Sul para uma nova planta em Flores, em 2011, e a retração da demanda no mercado automotivo nos anos seguintes são apontados como os principais fatores que levaram a empresa a adotar a medida, que pretende reestruturar os débitos a fim de evitar a falência.  

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A Keko entrou com o pedido de recuperação judicial na quinta-feira passada, no Fórum de Flores da Cunha. Nesta quarta-feira, a decisão foi anunciada aos fornecedores e ao público em geral. Agora, a empresa aguarda a aprovação de um juiz para dar sequência ao processo. Após esse passo, a companhia terá 60 dias para apresentar uma proposta de pagamento das dívidas aos cerca de 1 mil credores que deverão ser incluídos no processo. Posteriormente, será realizada uma assembleia para os credores decidirem se aprovam ou não o plano.   

- Em razão do cenário econômico, a empresa acabou tendo um volume (de pedidos) menor do que se esperava e acabou não podendo fazer frente aos investimentos realizados. A empresa tem boas condições de sair da crise – afirma João Pedro Scalzilli, advogado responsável por conduzir o processo de recuperação judicial da Keko.  

Atualmente, a empresa conta com 420 funcionários. De acordo com Scalzilli, não há previsão de cortes no quadro de trabalhadores. O faturamento da companhia tem se mantido estável e deve ficar na casa dos R$ 150 milhões neste ano. O problema maior, segundo o advogado, é que, após os investimentos, a marca projetava um aumento de receita significativo, que acabou não se concretizando.  

Em nota divulgada à imprensa nesta quarta-feira, a Keko alegou que tentou renegociar as dívidas com os bancos, detentores de maior parte do passivo, mas não obteve sucesso. Neste sentido, o endividamento de curto prazo vinha “inviabilizando a gestão adequada do caixa e o cumprimento das obrigações com os demais credores”. 

O prefeito de Flores da Cunha, Lídio Scortegagna, se diz surpreso com a entrada da Keko em recuperação judicial. Ainda assim, Scortegagna mostra confiança quanto à manutenção dos empregos e acredita que a companhia irá se reabilitar.  

- Sabíamos que a empresa estava passando por alguns problemas financeiros, mas não imaginávamos que chegaria a tal ponto (de pedir recuperação judicial) – comenta. 

Atualmente, a Keko é quarta maior pagadora de impostos no município. Por ano, os cofres da prefeitura recebem da fabricante de acessórios automotivo cerca de R$ 1,2 milhão em retorno de ICMS. 

 
 
 

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