Sonho da casa própria vira drama para famílias de Caxias do Sul - Economia - Pioneiro

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Casa própria 1/324/08/2018 | 08h15Atualizada em 24/08/2018 | 09h34

Sonho da casa própria vira drama para famílias de Caxias do Sul

Construtora que atuou na cidade por cerca de uma década deixa pelos menos 150 famílias sem moradia

Sonho da casa própria vira drama para famílias de Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Sentado em frente ao prédio em que sonhou morar, Luiz Fernando Ramos, diz que "roubaram sua felicidade" Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O programador de máquinas  Luiz Fernando Maculan Ramos, 41 anos, programou ter sua casa própria aos 20 anos. Nos 40, concretizou o sonho, que mais tarde se tornaria sua pior frustração. Ele é um dos cerca de 150 caxienses  que "ficaram na mão" de uma construtora que atuou no mercado caxiense por cerca de uma década e decretou falência há dois anos. 

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O financiamento foi feito via Caixa Econômica Federal, por meio do programa Minha Casa Minha Vida, que ainda não apresentou alternativas para entregar a obra ou ressarcir os prejuízos. Boa parte dos valores já foi paga, com economia de anos de trabalho. 

Ramos e outras 63 famílias adquiriam o imóvel (na planta) no Residencial D'Lima Sol, no bairro Vinhedos, a ser construído pela Júpither Incorporação e Construção Ltda. A entrega foi prometida para dezembro de 2016. Quase dois anos depois, os prédios estão abandonados e depredados.  A empresa responsável pela obra sumiu.  Os donos também.

Informações no mercado imobiliário indicam que a empresa construiu cerca de 400 apartamentos na cidade. Além deste empreendimento, a Júpither está com outros prédios inacabados.

— Roubaram minha felicidade — diz o programador de máquinas. 

"É como se não valêssemos nada"

Na maioria dos casos, o sonho da casa própria deu espaço para o estresse, dores de cabeça e a depressão. Os 10 moradores que relataram suas histórias ao Pioneiro, contam que foram até a Caixa dezenas de vezes para buscar explicações. Nada conseguiram.

— É como se não valêssemos nada — desabafa Ramos.

Ele desembolsou pelo menos R$ 43 mil para pagar parte do financiamento. Tudo o que conseguiu arrecadar em 20 anos de trabalho. O sonho não era só dele. Era da filha, Yasmim, 16 anos, também. Chegou a encomendar o projeto dos móveis um ano antes da promessa de entrega do imóvel.

— Eu sonhava em morar lá. Desenhava na minha mente como seria a sala, os quartos, a cozinha. Adoeci. Estou tentando me recuperar — desabafa.  

Hoje, Ramos paga R$ 600 de aluguel, não tem mais crédito no mercado, não sabe se, em algum momento, vai ser ressarcido e se um dia vai ter sua casa própria. 

— Essa incerteza me deixa desolado. Se pelo menos a Caixa nos desse uma posição... — confessa.

Joenara Campos, que representa o irmão, Alberto Pain Campos, no processo diz que ele precisa trabalhar em dois empregos para dar conta de pagar o aluguel e as contas. 

— Estamos desassistidos. Ninguém assume a conta — diz.

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