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Economia30/08/2018 | 16h46Atualizada em 30/08/2018 | 16h51

Indústria caxiense tropeça, mas segue no azul

Recuo do setor em julho foi de 0,7%. Comércio e serviços fecharam em alta. No ano, o desempenho da economia caxiense foi de 7,3%

Indústria caxiense tropeça, mas segue no azul Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O desempenho da economia caxiense desacelerou em julho, mas continua com índices positivos no acumulado do ano. Em relação a junho, fechou em alta de 2,4% e, nos últimos 12 meses, de 8,2%. O recuo foi puxado pela indústria, que fechou o mês em baixa de 0,7% em relação a junho. Comércio e serviços atingiram alta de 11% e 3%, respectivamente (ver gráfico abaixo). Os índices foram divulgado na tarde desta quinta-feira pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul.

O pé no freio do desempenho não preocupa os economistas caxienses. Representantes das duas maiores empresas caxienses, Randon e Marcopolo, garantem um cenário tranquilo para este ano. As carteiras de pedidos das fábricas estão garantidas e proporcionam um certo conforto. Ambas devem fechar 2018 com crescimento acima de 20%.

Os diretores de Economia, Finanças e Estatística da CIC, Astor Milton Schmitt e Carlos Zignani, argumentam que o recuo de julho da indústria representa um ajuste na produção. Ou seja, o crescimento registrado em junho, de 13,4%, é resultado do acúmulo de pedidos ocasionado pela greve dos caminhoneiros, que aconteceu em maio. 

— Tivemos um pico, agora o trabalho está normalizado — explica Zignani. 

Schmitt reconhece, no entanto, que o ritmo de crescimento arrefeceu. 

— Mas continuamos crescendo o dobro do que cresce o país — destaca.

Outros fatores, segundo o executivo, estão contribuindo para a desaceleração da economia caxiense: o estresse pré-eleitoral, o cenário externo desfavorável e o descontrole fiscal, causado principalmente pelo reajuste de 16,5% ao Judiciário autorizado quarta-feira pelo presidente Michel Temer.

— Assim que o novo presidente for eleito, os ânimos devem se acomodar. Independentemente do resultado, teremos que arregaçar as mangas e trabalhar — observa Schmitt. 


Mercado de trabalho

Os setores industrial e da construção civil foram os que mais abriram postos de trabalho em julho: 517 vagas. Juntos, comércio e serviços demitiram 195 trabalhadores no mês. Neste ano, o mercado de trabalho de Caxias criou 5.244 novas vagas e totaliza 163.191 trabalhadores com carteira assinada. Em 2013, o número passava de 183 mil postos. As empresas caxienses ainda estão devendo pelo menos 20 mil vagas fechadas no período.  


Frio aquece vendas do comércio

Os dias de frio intenso em julho fizeram as vendas do comércio reagirem. O setor cresceu 11% em relação a junho, mas continua no vermelho no desempenho do ano: -1,2%.  No acumulado dos últimos 12 meses, registra alta de 3,1%., bem abaixo da indústria e serviços, que estão chegando perto dos dois dígitos. 

— Enquanto a massa salarial não se expande, o comércio não reage — alerta o assessor de Economia e Estatística da CDL, Mosár Leandro Ness. 

Na indústria, os salários tiverem um crescimento de 5% em julho, mas, no ano, acumulam queda de quase 11%. 

— Estamos empacados nesta situação que também se reflete em todo o país. 

O estoque de dívidas teve um pequeno recuo em julho, mas o número de inadimplentes aumentou e totaliza 78,5 mil caxienses com o "nome sujo" no mercado. 

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