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Dissídio28/08/2018 | 06h30Atualizada em 28/08/2018 | 08h37

Escala de turnos emperra negociação entre empresários e metalúrgicos na Serra

Nove encontros já foram realizados entre os sindicatos patronal e trabalhadores da indústria. Falta consenso sobre o regime 6x2

Escala de turnos emperra negociação entre empresários e metalúrgicos na Serra Rodolfo / Arte/Arte
Foto: Rodolfo / Arte / Arte

A equação 6x2 virou assunto polêmico nas últimas semanas no meio industrial. Está sendo difícil chegar a um denominador comum que satisfaça às classes trabalhadora e empresarial. A falta de consenso impede o acordo para a convenção coletiva dos metalúrgicos de Caxias do Sul e região, que chegou à Justiça. Na audiência da última quinta-feira, mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, a negociação não avançou. Já foram nove encontros. 

Os representantes do sindicato patronal (Simecs) condicionam o índice de reajuste (de 2,8%) e as cláusulas sociais (como auxílio-creche e quinquênio) à possibilidade de os funcionários trabalharem seis dias por semana e folgarem os dois seguintes, o que abriria margem para o expediente aos finais de semana. Um metalúrgico poderia trabalhar, por exemplo, de terça a domingo, folgando na segunda e terça-feira. 

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O Sindicato dos Metalúrgicos, que representa os trabalhadores, não aceita a proposta. Entre os argumentos está o de que os funcionários precisariam exercer a atividade nos sábados e domingos, e casais metalúrgicos poderiam não ter onde deixar os filhos, que ao longo da semana permanecem em escolinhas.

— Apresentamos algumas propostas. Acreditávamos que eles (os empresários) também fossem levar algo novo para ser debatido. Infelizmente, eles continuam intransigentes e batendo na mesma tecla —ressalta o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos,  Claudecir Monsani.

Do lado oposto, os empresários garantem que a medida ampliaria o número de turnos, a geração de empregos e reforçaria os salários com o adicional aos finais de semana.

— O Simecs está seguro dos méritos de sua proposta e vai concentrar os esforços para que seja bem sucedida. Vai oportunizar mais empregos em Caxias do Sul e crescimento industrial, que beneficiarão a toda comunidade —  garante o coordenador da Comissão de Relações Trabalhistas do sindicato, Alessandro José Ferreira.

Sem avanço nas tratativas, nova audiência foi agendada para o dia 31 de agosto, às 17h. 

O QUE DIZ O SINDICATO DOS METALÚRGICOS

*  A categoria metalúrgica de Caxias do Sul e região já chegou a somar 61 mil trabalhadores, sem a existência do turno 6x2. Então, o sindicato entende que é possível haver as contratações prometidas pelo patronal sem a implantação desse turno. Hoje, há cerca de 35 mil trabalhadores na categoria. O sindicato é a favor da geração de empregos. Porém, é contra a precariedade das vagas.

*  Para folgar sábado e domingo juntos, somente a cada seis semanas de trabalho. Pais metalúrgicos que são separados e podem ficar com seus filhos somente nos finais de semana terão menos convivência, já que só poderão desfrutar da companhia deles um final de semana por mês ou menos.

* Pais que têm seus filhos em idade escolar não teriam onde deixar as crianças no final de semana.

* A maioria das empresas da região não tem o terceiro turno. Então, o turno da noite poderia ser implantado (de segunda a sexta-feira), sem a necessidade de fazer a categoria trabalhar sábados e domingos.

* Os trabalhadores desse turno teriam dificuldade de realizar sua alimentação, visto que muitas empresas não contam com refeitório próprio.

* Em muitas regiões da cidade e da região, o transporte inicia-se somente às 7h no domingo. Os trabalhadores não teriam como se locomover até a empresa.

O QUE DIZ O SIMECS

 * O regime 6x2 surgiu para criar novas turmas de trabalho, sendo que o trabalhador reveza apenas o descanso semanal e atende às peculiaridades de determinados serviços, alcançando o ciclo virtuoso de fazer crescer o número de empregos na base. Haverá vantagens à produção e ao crescimento das empresas, melhorando sensivelmente o aproveitamento dos recursos fabris. 

* Reveza-se o dia de descanso e não o turno de trabalho. Os trabalhadores não ficarão prejudicados, pois para os que passarem ao novo regime, haverá vantagens e garantias já negociadas. 

* Os empregados integrantes desse regime passarão a receber uma vantagem denominada de  "adicional 6x2" que será  igual ao valor de 10%  de seu salário-base, com integração nas demais verbas trabalhistas, o que representa um expressivo crescimento salarial. 

* As empresas não estarão obrigadas a alterar seus regimes atuais de horário. As empresas que optarem pela criação das novas turmas em regime 6X2, deverão adotar limitações protetivas aos empregados atuais. Por exemplo, não poderão ter mais do que 20% de seus atuais empregados participando do novo regime de horários. Além disso, as novas turmas deverão contar apenas com 30% dos empregados atuais na composição das turmas, e, portanto, deverão ser contratados novos empregados para compor os restantes 70% de cada turma. 

* O empregado terá o direito de solicitar ao empregador o retorno ao regime de horas que cumpria antes de ingressar no novo sistema de horas, após cumprido um ano no novo regime de horas. 

*No caso de desligamento do emprego, os empregados atuais que vierem a participar do regime de 6X2 farão jus a uma parcela de natureza indenizatória, calculada na proporção de 1/12 avos do valor do salário base mensal, por mês trabalhado nos regimes apontados limitada essa indenização ao valor máximo de 01 (um) salário-base. 

* No caso de retorno do empregado ao horário anteriormente praticado, e sendo desligado sem justa causa da empresa em menos de 12 (doze) meses posteriores à data do retorno, será devida ao empregado uma parcela de caráter indenizatório correspondente a 1/12 avos do valor de 01 (um) salário-base atual, na proporção de 1/12 avos por mês faltante para completar 12 (doze) meses. 

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