"É uma frustração inexplicável", diz moradora enganada por construtora em Caxias - Economia - Pioneiro

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Casa própria 2/324/08/2018 | 08h40Atualizada em 24/08/2018 | 09h28

"É uma frustração inexplicável", diz moradora enganada por construtora em Caxias

A terapeuta Alana Reis é uma das cerca de 150 caxienses que pagou e não recebeu seu apartamento no bairro Vinhedos. Prédio está abandonado

"É uma frustração inexplicável", diz moradora enganada por construtora em Caxias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Alana Reis não se conforma em já ter pago R$ 120 mil e não poder morar em seu apartamento. "Minha vida está estagnada" Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Mesmo para quem estudou terapia está difícil administrar a situação. O drama da terapeuta Alana Reis, 35 anos, começou em 2014. Ela é um dos cerca de 150 caxienses  que "ficaram na mão" de uma construtora que atuou no mercado caxiense por cerca de uma década e decretou falência há dois anos.

Uma semana após ter fechado o negócio com a imobiliária, foi comunicada que o apartamento 503 não estaria mais disponível por problemas estruturais internos. Precisou escolher outro imóvel no prédio. A previsão de entrega era para dezembro de 2015. Projetou e pagou parte dos móveis para mobiliar seu sonho.

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Em outubro do mesmo ano, já previu o drama que passaria a enfrentar. Ela percebeu que a obra não evoluía. Passava por lá toda a semana, e a movimentação de trabalhadores praticamente não existia mais. Em janeiro de 2016, soube que a construtora Júpither teria entrado com pedido de recuperação judicial. Tentou reaver o valor investido com a Caixa.

— Me informaram (na Caixa) que se rescindisse o contrato  não poderia fazer um novo financiamento. Me senti coagida — conta.

Em maio registrou reclamação na Ouvidoria da Caixa.

— Eles negaram. Aí começou a enrolação.  

Mesmo com a obra embargada, a Caixa, segundo Alana, continuou cobrando as prestações. Em fevereiro deste ano, ingressou com um processo judicial. Ela já pagou mais de R$ 120 mil e continua morando de aluguel, no qual teve que pedir "encarecidamente" para o locatário reduzir o valor, pois não estava conseguindo pagar.  

— Me senti humilhada. É uma frustração inexplicável. Minha vida está estagnada.

"A sensação é de impotência", desabafam proprietários de imóveis

Francine Martins, 32, também está no grupo que não recebeu o apartamento do Residencial D'Lima Sol. Este é o segundo imóvel que ela perde por ter sido adquirido na planta. O primeiro está na Justiça há 10 anos e ainda não foi resolvido. 

— Frustração dupla — lamenta.

Francine conta que tentou se precaver na negociação com o apartamento do bairro Vinhedos. Buscou informações sobre a Júpither e achou que estava fazendo um bom negócio.

— Na hora de vender, os corretores prometem qualquer coisa. No meu caso, não cumpriram nada — avisa.

O saldo que ficou foram as dívidas. O prejuízo passa de R$ 32 mil.

— E o pior. Ainda não tenho minha casa e continuo dependendo dos pais. 

A metalúrgica Ana Alice Palavro, 38, releva que já recomeçou sua vida várias vezes, e por diversos motivos. Desta vez, no entanto, o baque foi mais forte.

— Quando me dei conta que não iria receber o imóvel, perdi o chão, vi minha vida desmoronar.

Assim como os demais moradores, ela desembolsou tudo o que tinha para realizar o sonho da casa própria: cerca de R$ 40 mil. Sua revolta também é contra a Caixa. Segundo ela, prometeram definir uma nova construtora para finalizar a obra, mas, até agora, nada. 

— A sensação é de impotência, de que somos apenas mais um número. 

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