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Comércio11/07/2018 | 07h00Atualizada em 11/07/2018 | 07h00

Fiscalização ao comércio informal será intensificada em Caxias

Prefeitura promete realizar ações diárias nas ruas do município

Fiscalização ao comércio informal será intensificada em Caxias Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Campanhas progressivas pretendem colocar um fim ao comércio ilegal no centro de Caxias do Sul. Representantes do governo municipal e do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) têm realizado encontros semanais para debater as dificuldades dos lojistas em sustentar  o comércio legalizado frente à concorrência promovida pelos vendedores de mercadorias nas calçadas. A secretária do Urbanismo, Mirangela Rossi, revela que a partir dos próximos dias as ações junto aos vendedores serão diárias. Até agora, as operações comandadas pela Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social, eram realizadas em dias pontuais.

– Não vai ter conversa. Os que insistirem em ficar pelo Centro terão as mercadorias apreendidas – avisa Mirangela.

Na tarde de ontem, cerca de 30 vendedores permaneciam na Avenida Júlio de Castilhos e Rua Pinheiro Machado oferecendo meias, toucas, luvas e guarda-chuvas, a maioria de origem senegalesa.

O Sindilojas não tem dados concretos sobre o quanto eles prejudicam o comércio formal. O vice-presidente da entidade, Gilmar Rossi, estima um cálculo. Cada vendedor estoca, em média, 270 pares de meias, segundo as aprensões realizadas. 

– Se venderem 50 pares por dia,  ao custo de R$ 10, são R$ 500 diários que deixam de entrar no caixa das lojas que pagam imposto para fazer a economia caxiense girar – exemplifica.

Se este valor for multiplicado por 30  vendedores ambulantes,  o resultado da soma sobe para R$ 15 mil por dia.  

Campanhas

Em um dos encontros realizados na última semana, o prefeito Daniel Guerra ressaltou que a prefeitura buscou resolver a situação de inúmeras formas, oferecendo aos ambulantes serviços de assistência social e encaminhamento para empregos. O prefeito ainda recebeu a embaixadora do Senegal, Fatoumata Binetou Correa, em setembro de 2017, que ressaltou aos imigrantes a necessidade de respeitar a legislação caxiense. De nada adiantou.

A secretária Mirangela reforça que nenhum estrangeiro apareceu na Fundação de Assistência Social (FAS) para fazer o cadastro. 

– É preciso que as ações de apreensão sejam permanentes e que a população ajude a prefeitura – destacou o prefeito.

Também serão realizadas campanhas nos coletivos da Visate, ode vão ser colados adesivos com o slogan “Compre no comércio legal” para tentar conscientizar a população da importância de comprar com nota fiscal e ajudar a alavancar as vendas do comércio caxiense que, nos últimos três anos, amarga queda superior a 40%.

“As empresas não gostam da gente”

A polêmica do comércio nas calçadas em Caxias é antiga. De um lado está a luta dos lojistas para manter as portas abertas depois da forte crise que atingiu o município nos últimos três anos. De outro, está o drama desses imigrantes que chegaram à cidade com o sonho de conseguir trabalho e ter uma vida melhor. 

A maioria fugiu da pobreza e da superpopulação do Senegal. Alguém “cochichou” em seus ouvidos que, em Caxias, tinha trabalho de sobra. A realidade, no entanto, foi outra. Com a indústria em crise, a cidade demitiu mais de 25 mil trabalhadores em menos de quatro anos.  Muitos deles, continuam procurando emprego. Entre eles, os imigrantes do Senegal.

Por trás de cada gesto de esperança em vender um produto tem uma história dramática. Khady Wade, 32 anos, chegou à cidade há menos de dois anos. Não conseguiu emprego formal e foi às calçadas vender meias e toucas. Neste período, já teve as mercadorias recolhidas pelos fiscais 10 vezes.

– Perdi tudo – lembra.

Com filhas gêmeas de oito meses, diz que precisa garantir comida para elas. O marido e pai também está desempregado. 

– Não tem outro jeito de sobreviver. Não tenho dinheiro para voltar e nem ir para outra cidade – revela.

Khady conta que, durante várias investidas dos fiscais, chegou a ser agredida quando estava grávida. Binetou Gueye, 32, não desgruda da amiga Khady. Tenta ajudar nas vendas e reforça as necessidades da família. Ao contrário de Khady, Binetou já trabalhou em empresas de Caxias, mas não tem boas recordações.

– Os empresários daqui não querem estrangeiros. Não gostam da gente – denuncia.

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