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Greve dos caminhoneiros05/06/2018 | 13h21Atualizada em 05/06/2018 | 14h40

Saiba quem é Vinicius Pellenz, empresário caxiense preso por suspeita de locaute

Pellenz, que mora emVale Real, foi primeiro a ser detido no país sob acusação de locaute

Saiba quem é Vinicius Pellenz, empresário caxiense preso por suspeita de locaute Facebook/Reprodução
Foto: Facebook / Reprodução
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A prisão temporária do empresário caxiense Vinicius Pellenz, acusado pela Polícia Federal (PF) de praticar locaute durante a greve dos caminhoneiros, pegou de surpresa a pacata Vale Real, cidade onde ele mora junto com o irmão gêmeo Marcos e seus pais, Carmen e Celson. Desde quinta-feira passada, quando Pellenz foi levado para a sede da superintendência da PF, em Porto Alegre, o assunto tomou conta das conversas no município, localizado ao pé da Serra Gaúcha. O administrador é uma pessoa benquista e ativa na comunidade, participando com frequência de eventos na cidade. 

E sua prova mais recente de engajamento foi justamente durante as manifestações que tomaram conta do país durante 10 dias. Além de administrar a transportadora Irapuru, em Caxias do Sul, a família Pellenz possui uma empresa de vidros e esquadrias em Vale Real. No pequeno município de 6 mil habitantes, Vinicius e seu irmão Marcos ajudaram a organizar duas manifestações, nos dias 25 e 28 de maio.  

Realizados às margens da ERS-452, em um posto de combustíveis, os protestos contaram com grande adesão da população de Vale Real. Ao todo, mais de 500 pessoas passaram pelo local. O presidente da Associação do Comércio, Indústria e Serviços de Vale Real (Acisvale), Tiago Kasper, que também participou da ação, ressalta que as manifestações foram pacíficas. Nenhuma ameaça ou violência foi registrada. Segundo ele, a rodovia foi bloqueada por apenas 10 minutos, ninguém foi impedido de passar pelo local e os participantes até doaram alimentos para os caminhoneiros que estavam aderindo à greve.  

Kasper conhece Vinicius há mais de uma década, eles costumavam jogar futebol juntos. Ele descreve o empresário acusado de locaute como uma pessoa tranquila, que nunca esteve envolvida em confusões. 

– A prisão chocou a comunidade, até porque é um município pequeno. Todos conheciam ele – descreve. 

Em Vale Real, o sentimento mais comum ao se conversar com os habitantes é de que Vinicius é inocente nas acusações a que responde, que são de crime contra a organização geral do trabalho e delito de associação criminosa. Tampouco acreditam que Vinicius teria ameaçado com armas caminhoneiros relutantes em aderir a bloqueios na ERS-122, na ERS-452 e na BR-116, em municípios como Feliz, Bom Princípio e Caxias do Sul.  

Pessoa calma e segura 

Uma pessoa calma, segura e que costuma embasar bem suas decisões. É assim que o administrador Vinicius Pellenz é descrito por Francis Cerutti, assessor na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul. Cerutti conhece Vinicius e seu irmão gêmeo Marcos há aproximadamente 15 anos. Eles estudaram juntos no Colégio La Salle Carmo, em Caxias. 

Com o passar dos anos, Cerutti manteve contato principalmente com Marcos, com quem costuma falar diariamente, e continuou frequentando a casa dos Pellenz em Vale Real. Até por isso, eventualmente conversava com Vinicius. A última vez que eles se viram foi no feriadão da Páscoa, em Xangri-lá, mesmo lugar onde, na quinta-feira passada, a Polícia Federal prendeu o administrador em um condomínio de luxo. 

– Nunca vislumbrei a possibilidade de eles terem feito isso (locaute) – diz Cerutti. 

Em nota, a Irapuru Transportes manifestou que “Vinicius Pellenz não é sócio, administrador ou representante da empresa”. No entanto, o próprio perfil de Vinicius no Facebook indica que ele trabalha no local. Amigo da família, Cerutti também confirma que ele atuava como administrador na companhia. 

Família está bastante abalada

A família Pellenz está bastante abalada com a prisão de Vinicius. A mãe dele, Carmen Pellenz, atendeu à reportagem do Pioneiro nesta segunda-feira na residência da família, em Vale Real. Visivelmente emocionada, ela disse que preferia não comentar o tema neste momento.  

– A semana não tem sido fácil – resumiu. 

Carmen manteve contato com o filho Marcos por telefone, que recomendou à mãe que não falasse nada, pois ele estaria disposto a dar a entrevista. À noite, o advogado Lúcio Santoro de Constantino, responsável pela defesa, disse que não autorizaria Marcos a falar.

O pai, Celson Pellenz, sócio-proprietário da Irapuru Transportes, não está no Rio Grande do Sul no momento. Ele está retornando de uma viagem à China.

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