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Greve dos caminhoneiros02/06/2018 | 08h10Atualizada em 02/06/2018 | 08h10

Paralisação das atividades deixa conta amarga para as empresas da Serra

Companhias que fecharam as portas ou reduziram a produção nos últimos dias tentarão reverter o prejuízo com horas-extras e jornadas nos finais de semana

Paralisação das atividades deixa conta amarga para as empresas da Serra Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Empresas devem voltar ao trabalho na segunda-feira Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A greve dos caminhoneiros (que, posteriormente, ganhou a adesão de outros setores da população) chegou ao fim deixando uma conta amarga para as empresas da Serra. Seja pela falta de insumos para produzir ou pelas dificuldades de deslocamento dos funcionários, diversas companhias optaram por fechar as portas ou reduzir a jornada de trabalho na semana que passou. A tendência é de que, nesta segunda-feira, a maioria delas retorne à rotina de produção. Enquanto isso, os estabelecimentos começam a fazer as contas do tamanho do prejuízo constatado nos últimos dias. 

Na indústria de Caxias do Sul, mais de 12 mil funcionários estavam parados até esta sexta-feira, segundo cálculo do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs). Isso representa em torno de 35% da força produtiva instalada no município. Os maiores empregadores da cidade, como Agrale, Marcopolo e Randon, interromperam as atividades por até seis dias.  

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Mesmo com a reabertura das fábricas, o presidente do Simecs (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul), Reomar Slaviero, calcula que levará algum tempo para que as empresas normalizem a produção. O dirigente lamenta que essa situação tenha ocorrido justo em um momento no qual a economia vinha se recuperando e as empresas caxienses contavam as carteiras recheadas de pedidos. Um dos reflexos da parada foi a perda de receita em maio, o que poderá gerar dificuldades na hora do pagamento da folha de funcionários do mês. 

– O que mais nos preocupa agora é a situação das empresas pequenas, que, até essa parada, tinham a esperança de dar a volta por cima da crise. Nos preocupa a possibilidade de fechamento de empresas e a diminuição de postos de trabalho – constata. 

Ainda assim, Slaviero constata que é possível reverter o prejuízo através de medidas compensatórias, como a realização de horas-extras e jornadas aos sábados. 

No setor do plástico, a maioria das empresas não chegou a fechar, mas muitas operaram com capacidade reduzida. Na quarta-feira, em torno de 30% das companhias do ramo na região optaram por liberar os funcionários, por meio de acordos de banco de horas ou férias coletivas antecipadas. Com o final da greve, mudou a diretriz. Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Jaime Lorandi, todas as companhias devem abrir na segunda-feira. No entanto, a recuperação após os dias de inatividade não será imediata. 

– Voltaremos a trabalhar, mas com as matérias-primas que temos em casa. Para o atendimento voltar ao normal, deverá levar mais uns 15 dias úteis – projeta Lorandi.   

A retomada dos abates 

A indústria de proteína animal é outro segmento que se viu bastante afetado pelo colapso no transporte rodoviário. Os abates nos frigoríficos foram interrompidos em todo o Rio Grande do Sul, situação que começou a ser revertida na sexta-feira. O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Estado (Fundesa) calculou que a perda de receita diária no setor de aves foi de mais de R$ 20 milhões e no de suínos ficou acima de R$ 14 milhões. 

Muitos produtores enfrentaram dificuldades para alimentar os animais, principalmente aves e suínos. Em Caxias do Sul, houve casos de morte de frangos por conta de desnutrição. Aos poucos, lotes de ração começam a chegar até as propriedades e a situação tende a se normalizar nos próximos dias.

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