"O ser humano é o pior predador que existe", diz criador de abelhas de Caxias - Economia - Pioneiro

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Apicultura30/06/2018 | 09h03Atualizada em 02/07/2018 | 20h18

"O ser humano é o pior predador que existe", diz criador de abelhas de Caxias

Apicultor do interior do município diz que é preciso garantir a vida deste inseto e que as pessoas não pensam no prejuízo à natureza 


Ademir Zanella cultiva 130 colmeias em Santa JustinaFoto:

O apicultor de Santa Justina, interior de Caxias do Sul, Ademir Zanella, 62 anos, trabalha com abelhas há 18 anos. Ele cultiva 130 colmeias em uma área de seis quilômetros quadrados. É a segunda atividade agrícola da família — a primeira são os parreirais.

Este ano, colheu 1,3 mil quilos. Poderia ter colhido o dobro não fosse o alto número de abelhas mortas, cerca de 30%.

Principal motivo? Agrotóxicos aplicados incorretamente.

— O pior predador é o ser humano. Ele só visa lucro e não pensa no prejuízo que traz para a natureza — denuncia.

Em 2015, ele perdeu 50 enxames de uma tacada só. Um vizinho aplicou veneno para combater as formigas do parreiral e acabou matando suas abelhas.

Dados da Associação Caxiense de Apicultores (Ascap) indicam que a Serra Gaúcha colheu 150 toneladas de mel, no período de setembro de 2017 a abril de 2018. Poderia ser 40% maior não fosse o alto índice de mortandade das abelhas.

Além de nocivos à saúde e ao meio ambiente, colmeias inteiras estão morrendo, e isso pode afetar toda a população na produção de alimentos

— O inseticida foi aplicado na terra pela manhã e, à tarde, milhares de abelhas das colmeias já estavam mortas — conta.

Zanella explica que os venenos acabam matando tudo, inclusive as flores em que as abelhas se alimentam.

— O pólen está cada vem mais reduzido. Sem ele,não tem como as abelhas se alimentarem, elas morrem. E não há mel — alerta o apicultor.

Apaixonado pelo trabalho das abelhas, diariamente ele prepara o fumigador, que tem a função de produzir fumaça, essencial para um manejo seguro com as abelhas e vai até as colmeias conferir a produção e se estão bem.

— Me dá prazer.

Estudioso, o apicultor já participou de muitos cursos sobre a criação deste inseto. Aprendeu, inclusive, que durante o inverno ele precisa ser alimentado.Nestes dias frios, ele prepara uma pasta de proteína de soja e mel, enrola num guardanapo e a coloca dentro da colmeia. É o que garante a sobrevivência do enxame, pois não saem da caixa para se alimentar.

SAIBA MAIS SOBRE AS ABELHAS

* Uma colmeia abriga, em média, 50 mil abelhas. Tem uma rainha, alguns zangões e milhares de operárias.

*  O tempo médio de vida das abelhas é de um mês. A rainha vive até dois anos.

* Para produzir um quilo de mel, as abelhas precisam visitar 5 milhões de flores.

* Uma abelha faz diariamente 40 voos e pousa em 40 mil flores.

* Voam a velocidades de mais de 20 quilômetros/hora.

*  Ela recolhe o néctar com a língua e o guarda numa bolsa localizada no fundo da garganta.

* Abelhas morrem quando picam alguém, pois parte do abdômen do inseto é arrancado junto com o ferrão.

* São as fêmeas quem possuem ferrões, e não os zangões.

* Cada colônia possui um odor específico para que as abelhas possam identificá-lo e não errar de "endereço".

* As abelhas tem cinco olhos.

* Elas habitam a terra há aproximadamente 30 milhões de anos.

* São os únicos insetos que produzem um alimento que é consumido pelo homem.

Fonte: www.abelha.org.br e www.megacurioso.com.br


 
 
 

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