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Greve dos caminhoneiros02/06/2018 | 08h00Atualizada em 02/06/2018 | 08h00

Faturamento das lojas em Caxias do Sul cai até 30% em maio

Lojistas apontam que a população não foi às compras devido as dificuldades de locomoção durante a paralisação dos últimos dias 

Faturamento das lojas em Caxias do Sul cai até 30% em maio Felipe Nyland/Agencia RBS
Movimento nas lojas foi afetado devido à greve, segundo lojistas Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A greve dos últimos dias trouxe problemas também para o comércio caxiense. Mercadorias ficaram presas nos bloqueios e não chegaram aos estabelecimentos e os consumidores não foram às compras por dificuldade de locomoção. Não há números fechados, mas o setor estima perdas entre 20% e 30% no faturamento mensal. 

Por conta disso, o trimestre, que já não apresentava boas vendas devido ao calor do mês de abril, deve ficar bem abaixo dos três primeiros meses do ano, segundo a presidente do Sindilojas, Idalice Mancini: 

– O primeiro trimestre foi bom, com crescimento. O segundo trimestre deve ser negativo, por causa da greve e também da Copa do Mundo no próximo mês. E não fez frio em abril. 

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Para Idalice, a paralisação mostrou a falta de alternativas para lidar com situações de adversidade. 

– A gente não trabalha com segundo plano. Uma categoria para e o Brasil para. Não temos estoque, não sabemos lidar – reconhece Idalice. 

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias, Ivonei Pioner espera que a situação normalize na semana que vem. Porém, destaca que as vendas de junho serão, na verdade, vendas que poderiam ter ocorrido em maio. Como reflexo, ele destaca a inflação e a possibilidade de demissões, não apenas no comércio, mas em outros setores. 

– É uma cadeia. Tem leite que foi jogado fora, tem carne que estragou, tem rebanho que emagreceu. O consumo não diminui, mas pode ter escassez de produtos e o que manda é a lei da demanda e da procura. Por isso, pode ter elevação de preços. 

Pioner considera legítimo o movimento dos caminhoneiros, mas lamenta que pessoas tenham se infiltrado e desvirtuado a mobilização com atos considerados inconsequentes por ele. As demandas foram atendidas e os protestos poderiam ter terminado antes, na visão de Pioner: 

– Foi um custo alto e doloroso para a sociedade. 

As lições do colapso

O contexto turbulento vivido nos últimos dias deixa uma série de lições, conforme apontam lideranças empresariais da região. O presidente do Simecs, Reomar Slaviero, diz que a greve dos caminhoneiros evidenciou a dependência do Brasil com o modal rodoviário. Neste sentido, o dirigente aponta que, a partir de agora, é necessário explorar outras alternativas, como as ferrovias.

– O país não pode depender só de um tipo de transporte. Foi um erro estratégico cometido 50 anos atrás (o foco no modal rodoviário) – sentencia.

Para o presidente do Simplás, Jaime Lorandi, o movimento dos caminhoneiros surpreendeu por quatro pontos: líderes desconhecidos, sistema de comunicação eficiente, organização muito fiel dos liderados e simpatia da maioria das pessoas que foi afetada. Porém, a presença de pessoas infiltradas nos atos após a negociação com o governo causou preocupação. É preciso, segundo ele, “discernir o movimento dos caminhoneiros de oportunistas”. 

– Precisamos ter governantes mais firmes na manutenção da ordem. Como experiência, toda a sociedade teve perda muito grande. No resultado final desse processo, a maioria perdeu, porque as concessões dadas pelo governo serão tiradas de algum lugar. Ou se aumentam impostos ou se tiram verbas de saúde, educação, das estradas. Não existe almoço grátis.

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