Agrotóxicos ameaçam abelhas na Serra Gaúcha - Economia - Pioneiro

Versão mobile

 

Apicultura30/06/2018 | 07h43Atualizada em 30/06/2018 | 13h32

Agrotóxicos ameaçam abelhas na Serra Gaúcha

Venenos em lavouras reduzem enxames. Produção de mel na região rendeu 150 toneladas. Poderia ser 40% maior

Agrotóxicos ameaçam abelhas na Serra Gaúcha Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Considerado um forte aliado contra as doenças causadas pelo frio, o mel é um dos produtos mais vendidos nesta época do ano. Na Serra Gaúcha, 2 mil colmeias produziram pelo menos 150 toneladas na safra de setembro de 2017 a abril deste ano. O volume poderia ser até 40% maior, não fosse o uso sem controle de agrotóxicos em lavouras. Em 2015, o apicultor caxiense Ademir Zanella perdeu 50 enxames de uma tacada só. Um vizinho aplicou veneno para combater as formigas do parreiral e acabou matando suas abelhas.

— O inseticida foi aplicado na terra pela manhã e, à tarde, milhares de abelhas das colmeias já estavam mortas — conta.

Dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) indicam que o Brasil lidera o ranking dos países que mais consomem veneno no mundo. A média nacional é de 7,5 litros por habitante. No Rio Grande do Sul o consumo é ainda maior _ 8,5 litros por pessoa.

Leia mais
"O ser humano é o pior predador que existe", diz criador de abelhas de Caxias

Para o vice-presidente da Associação Caxiense de Apicultores (Ascap), Antônio Viapiana, além de nocivos à saúde e ao meio ambiente, colmeias inteiras estão morrendo, e isso pode afetar toda a população na produção de alimentos.

— Quando mal aplicado, o inseticida mata todos os insetos, inclusive as abelhas. Elas estão desaparecendo — alerta.

A Associação não tem dados sobre o número de abelhas que desapareceram, mas relatos de apicultores indicam que, em algumas propriedades, as perdas chegaram a 100%.

— Quando os agrotóxicos são aplicados com aeronaves, a destruição é devastadora, pois o vento leva o veneno por milhares de quilômetros.

O papel da abelha A abelha não é importante somente para a produção de mel. Este pequeno inseto voador responde por 95% da polinização das plantas. É o mais eficiente no transporte do pólen de uma flor para outra, pois consegue voar em ziguezague e,

após um tempo com a colônia instalada em certo local, consegue saber qual o melhor horário para coletar pólen _ elas observama

flora próxima à colmeia e associam com a intensidade da luz do dia.

— Estas pequenas voadoras têm uma importância gigante para a vida na Terra. Sem elas, perdemos o mel, produtos agrícolas, e a vida selvagem seria drasticamente reduzida — explica Viapiana.

Campanha de conscientização

Ascap, que atua com o processamento e venda do mel dos mais de 120 associados, está promovendo ações de conscientização

nas escolas sobre a importância das abelhas. Está prevista a distribuição de 5 mil cartilhas, produção de filmes educativos e visita de grupos de estudantes aos apiários. O responsável técnico do projeto, Antônio Viapiana, destaca que a proposta da associação surgiu a partir de levantamento da redução do número de abelhas nos últimos anos.

— A situação é preocupante, pois esses insetos tem um papel fundamental na polinização de diversas espécies de plantas, com papel crucial na produção de alimentos.

A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) identificou que 15mil colmeias foram extintas no Brasil nos últimos cinco anos, o que representa aproximadamente um trilhão de insetos erradicados no país.

O preço médio do quilo do mel ao consumidor fica entre R$ 25 e 30. O produtor vende a cerca de R$ 15 o quilo.

Leia também:
Preço do combustível deverá sofrer aumento na próxima semana




 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros