Frio em Caxias do Sul faz consumo do cafezinho disparar - Economia - Pioneiro

Versão mobile

 

Comércio18/05/2018 | 18h00Atualizada em 18/05/2018 | 18h16

Frio em Caxias do Sul faz consumo do cafezinho disparar

Cafeterias comemoram aumento de 40% nas vendas. O tradicional "martelinho" passado ainda é o mais procurado

Frio em Caxias do Sul faz consumo do cafezinho disparar Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Pretinho ou pingado.Todo o dia, toda a hora.  E no frio que chegou esta semana, mais ainda. O tradicional cafezinho passado ainda faz muito sucesso nas mais tradicionais cafeterias de Caxias do Sul. Com a chegada das baixas temperaturas, as máquinas que transformam o pó no líquido escuro ou pingado não param. As pequenas xícaras ou copinhos conhecidos como “martelinhos” também não têm folga. Donos de  cafeterias e lancherias asseguram que a procura aumentou em mais de 40% na última semana.

Na Avenida Júlio de Castilhos, no centro da cidade, está um dos mais antigos e tradicionais bares de Caxias: o Bar 13. Por lá, no início da manhã, o pretinho é concorrido e os atendentes quase não dão conta dos pedidos.  

— Perco a conta de quantos sirvo. São dezenas, centenas — diz o proprietário, Valmor Berzaghi, conhecido pela clientela por “Cabeça”.

Carro-chefe de muitos estabelecimentos, o cafezinho passado, que já sai da máquina adocicado, custa entre R$ 1,50 e R$ 2. Mais barato que o levantamento feito em 51 municípios brasileiros pela Associação Brasileira das Empresas em Benefício ao Trabalhador, que aponta Campo Grande (MS) e Canoas como as duas cidades que vendem o cafezinho mais em conta do país: R$ 1,76 e R$ 2,50, respectivamente. 

Os comerciantes justificam que não aumentam o preço porque o produto é o chamariz do negócio.

—  Os clientes vêm tomar o café e acabam consumindo outros lanches – justifica Berzaghi.

No Laranja Café, na Garibaldi, também no Centro,  o cenário se repete. No início da manhã e no final de tarde, os clientes fazem fila para exaltar aquele que promete uma energia extra.

— Passa dos 150 por dia — garante a proprietária, Solange Bender.


 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 17/05/2018 - Reportagem aborda o consumo de café em Caxias. Com a chegada do frio, é comum aumentar a venda da bebida. NA FOTO: Valmor Bergazi, o Cabeça, dono do Bar 13. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Valmor Berzaghi, conhecido por “Cabeça”, perdeu a conta de quantos cafezinhos serve por dia, no Bar 13Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Puro prazer

A forma e o motivo para beber café é bem pessoal. Algumas o fazem pelo simples prazer proporcionado pela bebida, outras pela necessidade da sensação de ânimo e disposição encontradas dentro de cada gota do líquido. Outras, ainda, pela sua versatilidade em acompanhar alimentos e conversas. É o caso do empresário Leandro Barichello.  Ele não abre mão dos três cafezinhos por dia. 

— Ele faz parte da minha rotina diária. Está associado ao bem-estar, ao ambiente agradável, à amizade — destaca.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic),  a explicação para este fenômeno se dá pela propriedade que o cafezinho tem de ser um item utilizado para aquecer e tornar o ambiente frio mais aconchegante e agradável.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 17/05/2018 - Reportagem aborda o consumo de café em Caxias. Com a chegada do frio, é comum aumentar a venda da bebida. NA FOTO: Karla Lazzari Basso (proprietária JC Lancheria). (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Karla Lazzari Basso, da Lancheria JC, diz que o segredo é oferecer um café de qualidadeFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Medidas certas e pitadas de amor

O aposentado José Valdir Duarte, 62 anos, é fã do pingado (misturado com leite). 

— Sinto a necessidade de tomar um de hora em hora. 

Ele marca ponto todos os dias no Big Lanches, no Calçadão da Praça Dante Alighieri. O gerente do bar, João Luiz Barbieri, 51 anos, consome pelo menos 10 quilos de pó de café por semana. A máquina com capacidade de cinco litros funciona durante todo o dia. A cada duas horas, o preparo recomeça.  

E Barbieri não é o único. Na JC Lancheria (na galeria JC), a correria é grande, em especial no começo das manhãs. Cercado por lojas comerciais, o bar vende pelo menos 80 martelinhos por dia, e a cafeteira está sempre com café fresquinho.

– É preciso oferecer um produto de qualidade, que proporcione prazer – diz a proprietária Karla Lazzari Basso.

E qual o segredo para manter a procura em alta?

— Coloque as medidas certas de pó e água e acrescente pitadas de amor e carinho — ensina.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 17/05/2018 - Reportagem aborda o consumo de café em Caxias. Com a chegada do frio, é comum aumentar a venda da bebida. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Café com graspa

Alguns dos mais tradicionais bares de Caxias também vendem o café com grapa ou “graspa.” É um destilado feito com a casca de uva e uma tradição na colônia italiana da Serra Gaúcha. Pode ser bebida pura, mas algumas gotas misturadas ao cafezinho preto esquentam o corpo nos dias frios. No Big Lanches, é só pedir que o forte aguardente é acrescentado gratuitamente. E os pedidos são muitos. Todos os dias.

— Os que experimentam aprovam. Mas tem que ser pura e na dose certa — lembra Barbieri.

Leia também:
Fim de semana tem Festival da Batata em São Chico 
Confira a programação  do primeiro fim de semana do Dia do Vinho na Serra
"Política de preços da gasolina é cruel", diz presidente do Sindipetro



 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros