Críticas ao modelo de ônibus gera desconforto na reunião-almoço da CIC - Economia - Pioneiro
 

Caixa-Forte07/05/2018 | 20h19Atualizada em 07/05/2018 | 20h19

Críticas ao modelo de ônibus gera desconforto na reunião-almoço da CIC

Ao dizer que o ônibus "representa tudo que há de mais antiquado", o designer carioca Guto Indio da Costa foi contestado e propôs que Caxias torne-se um polo de mobilidade com soluções para as "cidades do futuro"

Críticas ao modelo de ônibus gera desconforto na reunião-almoço da CIC julio soares/divulgação
Palestra foi em formato de videoconferência, quando o designer apresentou o o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) do Rio de Janeiro Foto: julio soares / divulgação

Embora o palestrante não tenha estado presencialmente na reunião-almoço da CIC de Caxias, abrindo espaço para uma nova fase, a de palestras em formato de videoconferência, o encontro desta segunda-feira deixou a sensação de dever cumprido, ao provocar a reflexão nos participantes. E não só da área de transporte.

Por contratempos, o designer carioca Guto Indio da Costa perdeu o voo e ficou "preso em São Paulo". De lá, com o uso da tecnologia, apresentou um de seus projetos mais ambiciosos: o design do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) do Rio de Janeiro, inaugurado para os Jogos Olímpicos, em 2016.

Nesse contexto, tentou mostrar que as oportunidades de melhoria na mobilidade urbana não podem mais estar amparadas no ônibus, um modelo para ele ultrapassado e que "representa tudo que há de mais antiquado", diante das novas tecnologias e das demandas de transporte da sociedade.

Por conta das críticas ao ônibus, executivos da Marcopolo sentiram-se desconfortáveis. José Antonio Fernandes Martins, que também representa entidades nacionais do setor, pronunciou-se, mostrando o contexto público que levou o Brasil a apostar nas últimas décadas no transporte rodoviário e não no ferroviário, em função dos custos altíssimos de infraestrutura que envolve a segunda modalidade. Também apontou a inviabilidade do ônibus elétrico (no caso, o VLT), por conta da questão financeira.  E salientou que a Marcopolo tem condições de produzir veículos mais modernos, desde que a sociedade, os governos e empresários tenham como bancar os investimentos. 

_ Pode não ser o ideal, mas é o que podemos ter _ salientou, dizendo que o ônibus elétrico custa mais de R$ 1 milhão, contra R$ 350 mil de um convencional.

Outros empresários também ponderaram obstáculos que se tem em Caxias para a chegada de um modelo ao estilo VLT,  que não ocasiona barulho nem poluição, além de ter piso integrado no mesmo nível da calçada, 44 metros de extensão e oito portas que se abrem simultaneamente.

Ao final dos questionamentos, Guto proferiu suas considerações, dizendo que não estava fazendo uma defesa do modelo sobre trilhos implantado no Rio de Janeiro, até porque sabe das limitações de uma "solução sofisticada, mas não de massa". Mas o propósito, sim, foi provocar para o desafio de Caxias se posicionar como um polo pioneiro e inovador de mobilidade urbana.

- É uma oportunidade que existe de Caxias se posicionar com um polo pioneiro de mobilidade e transporte público no Brasil. Nem o ônibus nem o VLT são soluções ideais. O mundo está em transformação. Não percam tempo defendendo o velho ônibus. Vamos fazer o novo ônibus. As indústrias locais ligadas ao transporte são capazes de fazer essa reviravolta, de fazer um novo veículo adequado às necessidades das cidades brasileiras. A hora é agora - arrematou o designer, acrescentando que a China já está pensando em alternativas para cidades do futuro, que exigirão sistemas de mobilidade que privilegiam o passageiro, proporcionando modernidade, maior conforto e segurança, transformando a experiência do transporte público. 

- O sucesso do sistema é que vai fazer o sucesso da solução - sustentou o palestrante, provocando palmas na plateia.

 
 
 

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