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Varejo11/05/2018 | 07h00Atualizada em 11/05/2018 | 07h58

Calor esfria vendas no comércio caxiense

Com temperaturas acima de 25ºC, lojistas mudam perfil de negócios e investem em peças mais leves

Calor esfria vendas no comércio caxiense Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Dia das Mães deve impulsionar vendas, mas a expectativa é para a chegada do frio Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A pouco mais de um mês da chegada oficial do inverno, as temperaturas permanecem altas na Serra Gaúcha. Enquanto os termômetros alcançam a casa dos 30ºC, os lojistas projetam queda de até 30% nas vendas. Com os dias quentes não há como atrair consumidores para dentro das lojas para provarem roupas pesadas. Nas vitrines, predominam as peças de meia estação. 

— Já sinalizamos queda de 30%  — aponta a gerente das Lojas Bulla, Séfora Bulla Paviani.

Este final de semana, as lojas de vestuário devem ter os negócios aquecidos pela data do Dia da Mães. Pesquisa divulgada pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) indica que 47,5% dos consumidores pesquisados vão presentear com peças de vestuário. Na próxima semana, sem uma data comemorativa forte pela frente, a expectativa é pela chegada do frio. E ele deve chegar, com atraso (ver matéria abaixo). 

Em março, pelo menos 70% da produção das malharias da região já estava pronta. A previsão de crescimento dos negócios era de 5%. Este índice, no entanto, já não representada mais a realidade.

— Se não tivermos queda, podemos comemorar — diz Paola Reginatto, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Malharias da Região Nordeste do Rio Grande do Sul (Fitemasul). 

Sem contar que 2017 não foi um bom ano para o comércio. A ausência de largos períodos de temperaturas baixas afetou a uma série de empresas do segmento. Mais do que a recessão dos últimos anos, o termômetro é o que baliza o setor e sinaliza como vão andar os negócios no ano. E o frio não deu sinal de vida este ano.

— Embora o inverno só comece em junho, foi uma frustração. O impacto negativo é inevitável — diz Paola.

A presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas), Idalice Manchini, também analisa com preocupação o atual cenário do comércio caxiense. A estimativa para o Dia da Mães era crescer 15% em relação ao ano passado. Com a falta de frio, esse índice reduziu pela metade. 

— O estoque foi renovado com roupas pesadas há dois meses e os lojistas não venderam. Está na hora de renovar novamente para o meia-estação e não temos capital de giro para isso — aponta a dirigente. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 10/05/2018 - A falta de frio provoca queda nas vendas de roupas de inverno. Peças pesadas como jaquetas e casacos estão encalhadas. NA FOTO: Séfera Bulla Paviani, gerente da Bulla. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Séfóra Bulla Paviani diz que as roupas pesadas ainda estão nas araras da lojaFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

"O pior dos últimos quatro anos"

Mesmo que o frio chegue nos próximos dias, o estrago já está feito. Em anos anteriores, as manhãs geladas já davam o ar da graça nesta época. 

— Está um ano atípico. Tivemos o pior abril dos últimos quatro anos —reclama Séfora, gerente das Lojas Bulla.  

Há 50 anos no comércio caxiense, ela garante que este está sendo um dos anos mais difíceis para a empresa.

— Sem frio, não tem vendas. É o nosso marketing—ressalta.

Aliado a isso, tem a crise que atingiu todos os segmentos da economia caxiense. Há menos dinheiro no mercado e os consumidores estão inseguros e não querem se comprometer.

— É esta insegurança que está determinando a retração — observa Séfora.

Conseguir reduzir o impacto negativo exige novas estratégias, como ampliar as promoções e mesclar o mostruário entre peças de meia-estação e também para o frio. A gerente da Bula reduziu em 30% as compras de roupas pesadas. Além disso, ainda tem o estoque do inverno passado, que também não registrou quedas frequentes na temperatura.

— Estamos apostando no vestuário mais leve. 

Falta de frio também afeta o Festimalha

Em Nova Petrópolis, o peso do Festimalha é grande no comércio local. Em média, 30% das vendas do ano são realizadas no evento. A previsão de faturamento, em março, era de R$ 27 milhões. Mas isso dependia do clima colaborar. E ele ainda não ajudou. Proprietária da Malharia Milena Tricot, de Picada Café, Daiane Marcela Eckert produziu 20 mil peças de malhas este ano. Pelo menos 30%, ela pretende vender no Festimalha. Mas, por enquanto, os negócios estão 20 abaixo da expectativa.

— Este calor fora de época está atrapalhando. Ainda acredito que vai melhorar — diz, esperançosa.

Daiane também apostou na diversificação para não ficar dependente de um inverno rigoroso. Este ano, 70% da produção foram com fios mais leves, que resultou em malhas mais finas peças que podem ser usadas na maior parte do ano.

— Posso deixar de vender um pouco, mas negocio o ano todo. 

A estimativa dos organizadores do Festimalha permanece otimista. Este final de semana, os presentes para o Dia das Mães deve impulsionar as vendas.

— A torcida é pela chegada do frio, que aliado à data do Dia das Mães, deve deslanchar as vendas — aposta o vice-presidente da Cinp, Jorge Vilson Dinnebier.

Os organizadores estudam a possibilidade de prorrogar o período do Festival em duas semanas.

Frio deve chegar na segunda-feira

O tão esperado frio deve chegar na próxima segunda-feira. A Somar Meteorologia informa que o bloqueio atmosférico que mantinha uma massa de ar seco sobre o Rio Grande do Sul perde força, favorecendo a entrada de uma frente fria vinda do Oceano Atlântico.

Na Serra Gaúcha, em cidades como São José dos Ausentes e Vacaria, os termômetros devem marcar mínimas de 6 °C, com uma sensação térmica que pode chegar a até 2°C . A máxima lá não passa dos 14°C .

Segundo o meteorologista do Climatempo Alexandre Nascimento, depois desta frente fria, as "portas da atmosfera" se abrem para outras massas polares fortes. O frio se mantém pela segunda quinzena de maio, já com possibilidade de eventos de geada. A expectativa é de que o clima frio predomine durante os meses de junho e julho. Há  chance de neve em julho.

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