Setor vitivinícola da Serra se mobiliza contra acordo que pode acabar com tarifas de importação de vinhos - Economia - Pioneiro

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Concorrência internacional18/04/2018 | 13h22Atualizada em 18/04/2018 | 13h22

Setor vitivinícola da Serra se mobiliza contra acordo que pode acabar com tarifas de importação de vinhos

Negociação entre a União Europeia e Mercosul está sendo retomada neste ano

Setor vitivinícola da Serra se mobiliza contra acordo que pode acabar com tarifas de importação de vinhos Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS
Vinho importado representa 70% do consumo nacional Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

A negociação do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) retomada neste ano preocupa a cadeia produtiva do vinho da Serra Gaúcha, maior produtor nacional de derivados de uva. Nesta semana, representantes do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) foram a Brasília reforçar a contrariedade à abertura de mercado para os vinhos europeus. O temor é de que a tarifa de importação seja zerada e aumente ainda mais a concorrência que o Brasil já sofre com produtos de países vizinhos. Atualmente, cerca de 70% dos vinhos finos consumidos no país são importados.

De acordo com Marcio Ferrari, vice-presidente do Ibravin e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Farroupilha, o encontro foi com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e o apelo do setor vitivinícola é para que a proposta defendida pela Argentina, de abrir completamente o mercado dos vinhos para a Europa, não seja encampada pelo Brasil.

— Se for assinado o acordo de livre comércio, Brasil e Uruguai seriam os mais atingidos, tanto pelo vinho europeu, quanto pelo da própria Argentina. Se o Mercosul abrir as porteiras, os importados dominariam completamente e a indústria brasileira do vinho fino morreria — alerta Ferrari.

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A União Europeia distribui subsídios de € 1,2 bilhão anuais para produtores de uva e vinho, o que dificulta a concorrência dos fabricantes brasileiros. O excedente do continente europeu chega, inclusive, a ser destinado para fabricação do etanol, o que explica o interesse no mercado brasileiro.

O vice-presidente do Ibravin destaca ainda que este acordo vem sendo discutido há mais de 20 anos, mas que agora o governo brasileiro se mostra disposto a agilizar o processo.

— Estamos lutando para que o vinho não seja moeda de troca para que o Brasil possa exportar outros produtos, como proteína animal, etanol, açúcar, materiais da indústria automobilística e outros artigos.

Apesar do Ibravin não ter um estudo do impacto que seria provocado se as tarifas de importação de vinhos europeus fossem extintas, é possível estimar o prejuízo para o vinho nacional baseado no que aconteceu com a abertura gradativa para a bebida chilena. Nos últimos anos, houve aumento considerável da importação dos produtos do país vizinho porque os preços baixaram em função da diminuição das taxas como previa acordo. 

Desde 2006, quando se deu o início da redução, que em 2011 atingiu 100% sobre a tarifa de importação, o Chile atingiu incremento de mais de 280% em volume e, atualmente, é o maior provedor de vinhos importados no mercado brasileiro.

 
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