Inadimplência é a mais alta da história de Caxias do Sul - Economia - Pioneiro

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Comércio03/04/2018 | 08h58Atualizada em 03/04/2018 | 09h07

Inadimplência é a mais alta da história de Caxias do Sul

A cidade tem mais de 76 mil pessoas negativadas e o volume passa de R$ 200 milhões

Inadimplência é a mais alta da história de Caxias do Sul divulgação/divulgação
Foto: divulgação / divulgação

Nunca em sua história, Caxias do Sul registrou um índice tão alto de devedores. São 76,6 mil CPFs negativados ou seja cerca de 1/3 terço da população economicamente ativa está “pendurada” no Sistema de Proteção ao Crédito (SPC).

O crescimento médio por mês é de 2%. São cerca de R$ 200 milhões que estão deixando de circular na economia caxiense. E este dinheiro faria muita diferença nos resultados dos comerciantes. Se comparado com 2013, quando os números começaram a ser registrados pela CDL, o salto foi de 9 mil pessoas – 13,5%. Em 2016, a casa do 70 mil foi furada e ali permaneceu. 

— Isso complica a economia de qualquer município — destaca o assessor do CDL Caxias e professor Mosár Leandro Ness. 

Como resolver?  A CDL diz que tem movimentos contínuos para tentar negociar as dívidas, mas reconhece que está difícil. O cenário piora com a falta de perspectivas e entradas de dinheiro novo no mercado, a exemplo do que aconteceu no ano passado com a injeção de R$ 180 milhões das contas inativas do FGTS. 

— Dependemos das pessoas quererem recuperar seu crédito.

Comércio pretende crescer 8% em 2018

Idalice Manchini, nova presidente do Sindilojas
Presidente do Sindilojas, Idalice Machini, diz que já está sentindo a guinada no comércioFoto: Julio Soares / divulgação

O comércio é o terceiro setor de Caxias do Sul – o primeiro é a indústria e o segundo o serviços. Portanto, os comerciantes dependem do desempenho industrial para poder crescer. A boa notícia é que a economia da cidade, puxada pelo setor industrial,  prevê um crescimento de 8% este ano. O dobro da previsão nacional, que deve ficar em 3,5%. 

— Caxias tem uma peculiaridade. Geralmente, cresce o dobro do que cresce o Brasil – calcula o assessor do CDL.

O diretor de Economia, Finanças e Estatística da CIC Alexander Messias também acredita na recuperação do setor.

— O comércio vai embarcar no trem da indústria, que vai puxar o resto —prevê.

A presidente do Sindilojas, Idalice Manchini, que também é lojista na cidade, diz que já está sentindo a guinada neste início de ano. 

Mesmo com a queda de 23% nas vendas em janeiro, em relação a dezembro de 2017, ela aposta na mudança de perfil do consumidor e das lojas para reverter o quadro. 

— Não adianta só ser competitivo e criativo, é preciso usar muito mais o verbo “suar” e colocar as ideias e a inovação na prática do negócio, diariamente. Para manter a lucratividade, é necessário cortar gastos, investir em planejamento e em processos e qualificar pessoas — avalia Idalice.


Retrato do comércio caxiense

Empregos

Em novembro de 2014, o comércio caxiense empregava 28.484 mil trabalhadores formais. Em novembro de 2017, este número caiu para 27,484. Baixa de 2 mil postos. E estas vagas não serão recuperadas tão cedo.

— Não visualizo a reposição destes postos pelo menos nos próximos dois anos — diz Ness. 

Segundo ele, é preciso aprender com a crise. Estamos neste processo de aprendizado, de planejar de fazer mais com menos.

Mas é preciso tempo para esta reestruturação. 


A vinda da Havan

A chegada da Rede Havan e do atacarejo Stok Center vai mexer com o comércio caxiense. Enquanto uns comemoram o pouso da grande rede, outros não festejam tanto. 

— É a pizza sendo dividida em mais pedaços, e cada vez mais pequenos —exemplifica Idalice.

Segundo ela, Caxias deveria atrair mais indústrias, que é a vocação da cidade. Para o assessor da CDL a vinda da Havan vai revolucionar o comércio caxiense e abre novas perspectivas. Ele compara o comércio antes e depois da instalação do Iguatemi Caxias e da entrada de grandes redes de hipermercados.

— Nos ensinaram a mudar de estratégias. A Rede de mercados Andreazza, por exemplo, aprendeu e cresceu. os comerciantes vão ter que se adequar a este novo momento.

Festa da uva

Fez muita falta para o comércio. Era a chance de alavancar negócios numa das épocas mais difíceis do setor. 

Falta de lideranças

Sair da crise vai depender das empresas e somente delas. Pelo menos por enquanto. A constatação é do assessor da CDL Mosár Ness. Ele assegura que a cidade carece de lideranças que tomem a frente e liderem movimentos para mudar a situação. 

—  Os principais setores da economia deveriam ter líderes que "brigassem" pelo setor que representam e buscassem alternativas. Precisamos de uma cidade mais diversificada.

No prego

Nunca Caxias deveu tanto. 76 mil estão "pendurados no prego" com os CPFs negativados. Em 2013 eram 67 mil _ salto de 9 mil. Com isso R$ 200 milhões deixam de circular no mercado.

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