Cães, fuzis e armadilhas: as armas e o cerco ao javali, praga das lavouras na Serra - Economia - Pioneiro

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Agricultura13/04/2018 | 18h45Atualizada em 14/04/2018 | 08h32

Cães, fuzis e armadilhas: as armas e o cerco ao javali, praga das lavouras na Serra

Para caçar o animal é preciso experiência e muita persistência. Também é necessário ter a licença do Ibama

Cães, fuzis e armadilhas: as armas e o cerco ao javali, praga das lavouras na Serra Acervo Clube Caxienses de Caça e Tiro/divulgação
Os caçadores saem a campo acompanhados de cães farejadores e treinados em imobilizar o animal Foto: Acervo Clube Caxienses de Caça e Tiro / divulgação

Ninguém discute a relevância do trabalho dos agentes de manejo populacional, os caçadores, no controle do javali. Cassiano Bochese atua no abate desses animais há mais de 20 anos. Atual presidente do Clube Caxiense de Caça e Tiro, ele integra um grupo de oito a 10 caçadores que atua nas regiões de Caxias do Sul e dos Campos de Cima da Serra. Já chegou a abater de 10 a 15 animais por caçada. Por ano, são eliminados cerca de 200 cabeças.

— É a única forma de tentar controlar a população — aponta.

Bochese, que também presidiu a Associação Gaúcha de Controle do Javali Asselvejado (Agaja), tem licenciamento do Ibama e armas regularizadas, mas defende a liberação do abate livre, ou seja, os próprios produtores deveriam matar os predadores.

— As licenças do Ibama têm muitas restrições e o processo é  burocrático. 

O javali, segundo ele, é um predador sem controle ambiental e está no topo da cadeia alimentar.

— Ele come tudo e tem um olfato furioso.

>>>> Assista ao vídeo de como os javalis percorrem as estradas e entram nas lavouras

Para caçar o bicho, no entanto, é preciso experiência, muita experiência, pois o porco não tem medo do caçador e pode até atacar. Há histórias de sobra em que caçadores foram feridos pelo ataque dos javalis. A estratégia adotada por Bochese é a da busca pelos animais durante o dia, com o auxílio de cães farejadores e treinados no "agarre", a imobilização do animal para que o caçador se aproxime e o mate.

As armas de fogo preferenciais são os fuzis calibre .308, que proporcionam tiros efetivos e com precisão. O armamento também inclui espingardas de calibre .12 e .20 e facões. Outra forma de abate é a "ceva", armadilhas que atraem os javalis com comida e são capturados. Essa, geralmente é montada nas lavouras e são mais eficientes à noite, quando o javali se movimenta.

Proprietário de uma imobiliária, Bochese costuma caçar nos finais de semana e diz desconhecer produtores rurais que remunerem o trabalho dos agentes de manejo na eliminação de javalis que estejam causando prejuízo em suas propriedades. 

— Estabelecemos parcerias com os donos. Eles nos ligam e pedem ajuda para capturá-los. 

Os caçadores também têm um papel fundamental no combate a doenças transmitidas pelo porco, que prejudicam o setor produtivo e até mesmo zoomoses (doenças infecciosas). Eles fazem a coleta de amostras de sangue do animal que são destinadas para exames de peste suína clássica. O Rio Grande do Sul é o quarto maior exportador de carne suína do mundo.

QUEM PODE ABATER?

São necessários alguns procedimentos antes de ir à caça do animal, como por exemplo, ter autorização do Ibama para isso.

O caçador tem de realizar três procedimentos básicos para proceder o abate do animal de maneira legal, são eles: efetuar cadastro junto órgão ambiental, requisitar uma declaração de manejo, que funciona como uma espécie de aviso prévio, além de apresentar um relatório de bate a cada três meses. Os interessados devem se inscrever no site do Ibama (www.ibama.gov.br).

Acervo Clube Caxiense de Caça e Tiro, DivulgaçãoFoto:


Plano de controle deve entrar em vigor neste ano

O Plano Estadual de Controle do Javali foi criado em 2017 e deve se concretizar neste ano. A expectativa é do técnico ambiental da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Denis Patrocínio, que também coordena o Programa Estadual de Controle de Espécies Exóticas, no qual estão inseridos os javalis. O Conselho Estadual de Meio Ambiente aprovou em dezembro passado a resolução que estabelece as regras de controle de cada espécie. 

Patrocínio diz que existe uma grande preocupação do Estado com o avanço da população de javalis, assim como sobre seus impactos econômicos e sanitários, e que a demora em colocar em prática o plano local de controle se deve à espera pela aprovação do Plano Nacional de Controle da espécie, que ocorreu no segundo semestre de 2017.

 Ela ressalta ainda que os órgãos públicos e organizações envolvidas na elaboração da proposta de controle - além da Sema, a Secretaria de Agricultura Pecuária e Irrigação (Seapi), Ibama e Equipe Javali do Pampa, entre outras - estão sendo chamados para debater o assunto.

— Estamos atentos ao problema e sabemos que a questão do javali atingiu grandes proporções — reconhece.

Segundo o técnico há registros da presença destes animais em unidades de preservação ambiental do Estado.

— Esperamos concluir o mais rápido possível o plano e colocá-lo em execução.

Desde o ano passado, a Secretaria de Agricultura vem fazendo a capacitação de agentes de manejo populacional do javali (os caçadores licenciados pelo Ibama). Segundo a coordenadora do Programa de Sanidade Suína, Juliane Webster, já foram treinados 70 agentes na região de Caxias do Sul.

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