Aberta a temporada do pinhão na Serra: saiba como é feita a colheita - Economia - Pioneiro
 

Agricultura27/04/2018 | 18h00Atualizada em 27/04/2018 | 20h47

Aberta a temporada do pinhão na Serra: saiba como é feita a colheita

Safra deste ano está 10% maior. Em Jaquirana, agricultura se aventura pela mata para catar dezenas de quilos por dia

Aberta a temporada do pinhão na Serra: saiba como é feita a colheita Ivanete Marzzaro/Agência RBS
Dona Tina, 75 anos, anda cerca de 10 quilômetros do dia em meio às araucárias em busca de pinhão. Chega a recolher 30 quilos por dia Foto: Ivanete Marzzaro / Agência RBS

Cozido ou assado na brasa, o pinhão é a estrela no inverno. Dados da Emater/RS-Ascar - Regional de Caxias do Sul indicam que a colheita deste ano vai ser 10% superior que a do ano passado, principalmente na região dos Campos de Cima da Serra, que concentra a maior parte da produção. No Estado, a previsão é colher 1 mil toneladas. Em São Francisco de Paula, município com status de maior produtor do Estado, a produção deverá ficar entre 160 a 190 toneladas. A qualidade da safra também é considerada boa. 

— O peso das pinhas varia de dois a três quilos e as sementes são consideradas de tamanho médio a grande. Isso indica uma safra de qualidade — informa a engenheira florestal da Emater Adelaide Kegler Ramos.

A colheita é feita manualmente, por meio da coleta das sementes diretamente no solo, quando os pinhões caem naturalmente com a maturação das pinhas, ou pela derrubada das pinhas utilizando-se como ferramenta a vara de bambu, ou ainda, subindo nos galhos dos pinheiros com o auxílio de "trepas"/esporas. Além de ser um alimento característico da região, também representa importante fonte de renda para muitas famílias. É o caso da família Silva, de Jaquirana. 

Diamantina Jesus Silva, 75 anos, criou seus seis filhos tendo como base a renda do pinhão. E continua rendendo. Dona Tina, como é conhecida, sai de casa duas vezes ao dia, se aventura pela mata e anda por cerca de 10 quilômetros para catar os pinhões que caem das araucárias. Na atividade desde criança, conhece o caminho da pinhas como ninguém.

— Esta aqui produz os mais graúdos — explica, referindo-se a uma araucária de pelo menos 50 metros. 

Na fazenda onde mora há mais de 70 anos, existem centenas delas. Dona Tina está familiarizada com cada uma delas e sabe quando e como produz. Colhe, em média, 30 quilos por dia.  Quando os filhos ou netos a acompanham na aventura, a recompensa é a sapecada de pinhão.  Aos pés de uma das árvores, ela recolhe grimpas do chão, distribui pinhões no meio delas e coloca fogo. Quando a chama se extingue, a semente está pronta para ser saboreada. 

— Caminhar na mata e pelos campos me dá prazer. Além disso, continua sendo uma renda extra. Aqui, a gente respeita a natureza e ela nos respeita. Não troco por nada — garante dona Tina.

Diamantina Jesus Silva, colheita de pinhão, Jaquirana,dona Diamantina de Jaquirana colhe pinhão duas vezes ao dia
Com a ajuda da filha Rosângela, dona Tina, faz da colheita do pinhão uma renda extraFoto: Ivanete Marzzaro / Agência RBS

Da sapecada ao entrevero

O pinhão pode ser consumido de várias formas. Da sapecada até bolos, pudins e outros pratos mais sofisticados, como a paçoca e o entrevero. Na Serra Gaúcha tornou-se uma opção gastronômica muito apreciada. O comércio é praticamente todo informal, feito diretamente pelos extrativistas em diferentes mercados locais: à beira da estrada, mercados, restaurantes, de casa em casa, entre outros. No entanto, a maior parte da produção ainda é comercializada por meio de intermediários, que levam o produto para os centros maiores como Ceasa Porto Alegre e Caxias do Sul, e também para outros Estados.

— A cadeia extrativa do pinhão consiste basicamente na colheita e comercialização do produto. Há poucas ações de beneficiamento, industrialização e conservação da semente, o que restringe em muito o período e os volumes de comercialização — explica Adelaide.

Os preços médios praticados na venda do pinhão pelo produtores na região variam de R$ 3,50 a R$ 5 o quilo. Nos supermercados e fruteiras varia de R$ 5,80 a R$ 9 o quilo.  A maior parte do pinhão é negociado na forma in natura, em alguns casos as sementes são comercializadas cozidas nas vias de acesso às cidades produtoras, ou então minimamente processadas na forma de pinhão moído ou de paçoca. O processamento do pinhão agrega valor significativo ao produto. A paçoca, por exemplo, é vendida ao preço médio de R$ 17 o quilo.

Colheita Pinhão Jaquirana, Família Silva, sapecada de pinhão
A sapecada é uma das formas mais tradicionais de cozinhar o pinhão. Basta colocar foto em algumas grimpas e em menos de cinco minutos já está pronto para ser saboreado Foto: Ivanete Marzzaro / Agência RBS

CURIOSIDADES

* Uma araucária pode produzir até 100 pinhas a partir dos 12 anos.

* O peso médio das pinhas é de três quilos. Costuma-se aproveitar cerca de 1,5 quilo de pinhão.

* Numa boa safra, cada pinha produz em média até 150 pinhões.

* A araucária tem espécies macho e fêmea, descobertas apenas na fase adulta. A que produz pinhões é a fêmea.  A reprodução é feita a partir do vento.

* O pinhão tem valor nutritivo por apresentar vitaminas A, C e E, e é rico em minerais, como cálcio e fósforo.

* É um alimento sem glúten, com baixo índice glicêmico e altos teores de proteínas, fibras alimentares e amido.

* Cada semente possui, em média, 20 calorias. O ideal é consumir sete por dia.

* No Estado, a safra começou oficialmente dia 15 de abril e segue até o final do inverno. z Devido à maturação das pinhas em épocas diferentes, é possível colher a semente até meados de setembro

* As pinhas prontas para a colheita são as que apresentam coloração verde-amarelada ou marrom. As pinhas verdes – que não podem ser colhidas – apresentam coloração esbranquiçada e contêm umidade.

Colheita de pinhão, Jaquirana, safra de pinhão, família Silva de Jaquirana
A família Silva, de Jaquirana, se aventura pelo campo em busca das sementes que caem das araucáriasFoto: Ivanete Marzzaro / Agência RBS

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