Serra precisa de investimentos de quase R$ 6 bilhões em logística até 2039, aponta estudo - Economia - Pioneiro
 

Melhorias26/03/2018 | 15h45Atualizada em 26/03/2018 | 15h59

Serra precisa de investimentos de quase R$ 6 bilhões em logística até 2039, aponta estudo

Plano Estadual de Logística e Transportes (Pelt) foi encomedado pelo governo do Estado e apresentado no último dia 15

Serra precisa de investimentos de quase R$ 6 bilhões em logística até 2039, aponta estudo Roni Rigon/Agencia RBS
Estudo recomenda que RS-122, entre Farroupilha e São Vendelino esteja duplicada até 2024 Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A infraestrutura da Serra Gaúcha precisa receber investimentos de R$ 5.919.455.000 até 2039 para que a região possa se manter economicamente competitiva. Essa é a conclusão do Plano Estadual de Logística e Transportes (Pelt), encomendado pelo governo do Estado e apresentado no último dia 15.

O estudo analisou o transporte aéreo, rodoviário, ferroviário, hidroviário e dutoviário em todas as regiões do Rio Grande do Sul. Para isso, os pesquisadores avaliaram uma base de dados que incluiu notas fiscais de todas as movimentações de carga. O resultado é um levantamento de quais investimentos precisam ser realizados para melhorar a logística e o escoamento da produção industrial e do agronegócio, entre outros. 

Para que o Estado cumpra o que está previsto no plano, precisará investir R$ 36,8 bilhões nos próximos 21 anos. O valor inclui investimentos da União na rede de transporte federal. Desse total, R$ 25,8 bilhões terão que ser destinados somente para construção e aumento da capacidade de rodovias.

De acordo com o coordenador técnico do estudo e professor da escola de engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luiz Afonso Senna, foram identificadas seis rotas de escoamento no Estado, das quais duas passam diretamente por Caxias do Sul e cidades vizinhas. Em todas as rotas foram apontados problemas que vão impedir a logística no futuro se não forem solucionados.

Do total necessário para a Serra, cerca de R$ 5,2 bilhões, ou 89%, são para rodovias. Entre as obras previstas para a região, estão as duplicações da RS-122 de São Vendelino a Flores da Cunha, da  RS-453 entre Farroupilha e Garibaldi, da BR-470, entre Carlos Barbosa e Nova Prata, e da BR-116, entre Vacaria e Nova Petrópolis. 

O plano aponta ainda a necessidade de construção de um ramal ferroviário ligando Caxias do Sul ao município de Colinas, mas não destaca o projeto de construção do aeroporto de Vila Oliva. Em vez disso, o estudo sugere melhorias no aeroporto atual e apenas menciona o projeto do novo terminal. 

Conforme o Pelt, a maior parte das obras precisa estar concluída até 2024, por ser considerado o ano chave para correr atrás do prejuízo enquanto a infraestrutura é adaptada ao aumento da demanda. O estudo também recomenda para 2019 a entrega de obras que sequer tiveram o projeto iniciado. A explicação dos organizadores  é que a base de dados, nestes casos, é de 2014. E, ainda que não haja o cumprimento do prazo, elas devem ser realizadas imediatamente.

— Nos próximos cinco anos, vamos ter que fazer obras que não ocorreram nas últimas décadas. Se o governo não tiver recursos no orçamento, vai ter que buscar outro meio, caso contrário vamos perder viabilidade econômica. Não podemos esperar o Rio Grande do Sul ser rico para ter rodovias novas. E Caxias, por exemplo, precisa de ferrovia para a indústria — alerta Senna.

Entre as recomendações da pesquisa estão a obtenção de recursos de emendas parlamentares, concessões e outras parcerias público-privadas.

 Plano superficial

Embora o Pelt tenha permitido uma análise abrangente da situação logística do Estado, a diretora de Política Urbana e Infraestrutura da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), Margarete Tomazini Bender, afirma que o levantamento é superficial. Além da ausência de uma previsão concreta para o aeroporto de Vila Oliva, ela aponta ainda a falta de uma previsão detalhada para a ferrovia que atenderia Caxias do Sul. 

— O Pelt é importante porque cristaliza aquilo que fica pulverizado em diversas ações, mas poderia ter avançado mais. Ele pontua ações, enquanto poderia ter elaborado uma plataforma logística. Além disso, não está acompanhado de um plano de aporte de recursos — observa.

O plano cita a possibilidade de se utilizar o traçado atualmente desativado, que passa pelo centro de Farroupilha e termina em São Pelegrino, em Caxias, para o transporte de carga. O entendimento da CIC e da própria prefeitura é que a área deve ser utilizada na mobilidade de passageiros, com um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) ou outro modal. Um novo traçado para uma ferrovia de cargas é uma das discussões para o novo Plano Diretor de Caxias.

Confira as obras previstas e o valor orçado

Previsão de conclusão em 2019*
- Duplicação da BR-470 entre Nova Prata e Bento Gonçalves: R$ 495,3 milhões
- Duplicação da RS-122 entre Caxias do Sul e Flores da Cunha: R$ 114,5 milhões

*Obras sem previsão de início. O data é apontada porque o ano base para a análise é 2014. O estudo sugere implantação imediata mesmo que a previsão não seja cumprida.

Previsão de conclusão em 2024
- Construção do terminal ferroviário de Vacaria: R$ 7 milhões
- Construção do ramal ferroviário Caxias do Sul-Colinas: R$ 440,1 milhões
- Duplicação da BR-116 entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis: R$ 243,9 milhões
- Duplicação da RS-235 entre Nova Petrópolis e Gramado: R$ 248,8 milhões
- Duplicação da RS-453 entre a BR-386 e a BR-470, em Garibaldi: R$ 444,4 milhões
- Duplicação da BR-116 entre Caxias do Sul e Vacaria: R$ 792,1 milhões
- Duplicação da RS-122 no contorno de Caxias do Sul (trecho urbano da Rota do Sol): R$ 132,4 milhões
- Duplicação da RS-122 entre Farroupilha e São Vendelino: R$ 159,6 milhões
- Duplicação da RS-453 entre Farroupilha e Garibaldi: R$ 137,2 milhões
- Duplicação da BR-470 entre Carlos Barbosa e Bento Gonçalves: R$ 234,1 milhões
- Pavimentação da BR-470 entre Nova Prata e André da Rocha: R$ 56,5 milhões
- Duplicação da BR-116 entre Nova Petrópolis e Morro Reuter: R$ 245,3 milhões
- Duplicação da RS-324 entre Nova Prata e Casca: R$ 402,4 milhões

Previsão de conclusão em 2034
- Duplicação da BR-116 entre Vacaria e a divisa com Santa Catarina: R$ 282,3 milhões
- Duplicação da BR-470 entre Carlos Barbosa e Montenegro: R$ 422,2 milhões
- Duplicação da Rota do Sol entre Caxias do Sul e a localidade de Várzea do Cedro, em São Francisco de Paula: R$ 575,8 milhões

Previsão de conclusão em 2039
- Ampliação de quatro para seis faixas na RS-122 entre Bom Princípio e São Vendelino: R$ 93,2 milhões
- Duplicação da RS-444 entre Bento Gonçalves e Santa Tereza: R$ 209,4 milhões

Sem prazo especificado para conclusão*
- Aumento de 300 metros de pista, construção de área de escape e melhorias em pátio e pista de taxiamento do aeroporto de Caxias do Sul: R$ 123,255 milhões
- Ampliação e reforma do terminal de passageiros do aeroporto de Caxias do Sul: R$ 57,2 milhões
- Investimentos em balizamento noturno no aeroporto de Caxias do Sul: R$ 2,5 milhões

*O relatório aponta o planejamento para construção do aeroporto de Vila Oliva, que substituirá o aeroporto atual

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