Hotéis de Caxias ficam com as sobras das vagas de hospedagem - Economia - Pioneiro

Turismo08/02/2018 | 09h00Atualizada em 08/02/2018 | 10h28

Hotéis de Caxias ficam com as sobras das vagas de hospedagem

Ocupação nos hotéis de Bento Gonçalves e Vila Flores chega a 100%. Em Caxias, fica abaixo de 40%

Hotéis de Caxias ficam com as sobras das vagas de hospedagem Divulgação/
Foto: Divulgação

As atrações turísticas do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, atraem turistas de todo o país. Vila Flores, um município com menos de 4 mil habitantes, recebe semanalmente milhares de visitantes. Como consequência, hotéis e restaurantes estão com capacidade próxima aos 100% nesta época do ano.

Enquanto isso, os hotéis de Caxias amargam uma ocupação abaixo de 40% da capacidade. Mesmo assim, este índice é resultado das sobras dos outros municípios. Ou seja, quando esgotam as vagas de Bento ou Região das Hortênsias, os turistas se obrigam a pousar em Caxias.

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O presidente do Segh Região Uva e Vinho, Vicente Perini, admite que os hotéis de Caxias ficam com as sobras e reconhece a falta de incentivo para manter o turista por aqui. O município, segundo ele, não sabe explorar o potencial que tem, principalmente, as belezas dos cenários do interior. 

Falta de eventos

Com a ausência da Festa da Uva, que deveria acontecer este ano, mas foi transferida para 2019, a situação está ainda pior. 

— Faz falta. Se fosse realizada, os hoteleiros estariam mais animados e com perspectiva de ter lotação completa nos meses de fevereiro e março —destaca Perini.   

A falta de feiras na cidade também desanima o setor hoteleiro. Enquanto Bento Gonçalves já tem confirmados seis eventos para o primeiro semestre, Caxias do Sul não tem nenhum. A Movelsul já começa a movimentar o setor a partir de março. 

O gerente-geral do Personal Royal Hotel, Gerson Martins, lamenta a não realização da Festa da Uva, quando o incremento no setor chega a 30%. Como sobrevir a este período de baixa?

— Temos que trabalhar nove meses e meio para pagar a despesa de 12. Nesta época, apenas sobrevivemos. Muitas vezes não conseguimos pagar as contas, mas não fechamos as portas. 

Para Martins, a única saída para o setor hoteleiro de Caxias sair do calvário é a construção de um centro de eventos eficiente.

— Com ele seria mais fácil atrair feiras e grandes eventos. Por enquanto, Caxias é apenas uma passagem. Os turistas só passam por aqui – desabafa.

Perini adianta que está buscando alternativas junto ao poder público para tentar mudar o cenário. Entre as opções está a de melhorar a estrutura do Aeroporto Regional de Caxias e fazer com que os turistas desembarquem aqui e não em Porto Alegre.

Capacidade esgotada

Enquanto isso, no Hotel Vila Michelon, localizado no Vale dos Vinhedos, não tem mais vagas nos finais de semana até março.  O cenário se repete no Dall’ Onder Grande Hotel. A programação, que inclui visitação aos parreirais e ao processo de vinificação, garante a movimentação da economia local. A expectativa é receber 90 mil visitantes durante a programação da colheita. 

Vila Flores, que conquistou o título de Capital Gaúcha do Filó, recebeu 20 mil visitantes no ano passado.  Os 40 alojamentos da da Pousada Santo Antônio Capuchinhos estão esgotados até março e a boa demanda já proporcionou a abertura de uma nova pousada no município.

Vale dos Vinhedos recebe recorde de visitantes em 2017

Em plena época de colheita da uva, o Vale dos Vinhedos contabiliza um novo recorde no número de turistas. Em 2017,  a rota de enoturismo superou a marca de 2016, atingindo o número de 415.957 visitantes. Em 2016,  recebeu 410 mil visitantes, o que representa um aumento de 2%. Os dados contabilizados pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) superam as projeções realizadas ao longo do ano, que esperava alcançar a marca de 400 mil visitantes.

A medição de fluxo é realizada em pontos estratégicos do Vale dos Vinhedos: empreendimentos abertos a visitação turística – vinícolas e agroindústrias, e no Centro de Atendimento ao Turista do Vale dos Vinhedos, que além de contabilizar o número de pessoas, traça o perfil do visitante que passeia pela região. A maioria são casais ou famílias, provenientes de cidades do Rio Grande do Sul, seguido dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Paraná. Em relação aos visitantes estrangeiros, assumem a lista os argentinos e uruguaios. 

Os meses de inverno (junho, julho e agosto) continuam sendo os mais movimentados do ano (ver quadro). Mas o mês de dezembro foi o grande responsável pela superação da marca esperada: foram 10 mil visitantes a mais do que 2016, principalmente acumulados no período de festas, em que o roteiro ofereceu diversas opções de pacotes diferenciados em hotéis e pousadas, e já se preparava para a colheita da uva com atrações nas vinícolas.

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