Professora da UCS concorre à presidência da Organização Internacional da Vinha e do Vinho - Economia - Pioneiro

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Vitivinicultura17/12/2017 | 13h16Atualizada em 17/12/2017 | 14h13

Professora da UCS concorre à presidência da Organização Internacional da Vinha e do Vinho

Regina Vanderlinde será a candidata do Brasil na eleição que ocorre em julho de 2018

Professora da UCS concorre à presidência da Organização Internacional da Vinha e do Vinho Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Regina pretende ser embaixadora do vinho brasileiro no exterior Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O currículo é extenso. Não à toa, a professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Regina Vanderlinde foi indicada para concorrer à presidência da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), um órgão que atua em todos os domínios referentes à uva e ao vinho do mundo. É a primeira vez que o Brasil indica candidata. Atualmente, o órgão possui 46 países membros, entre eles o Brasil, e outros 12 organismos internacionais como observadores. 

Catarinense, Regina está em Caxias há 19 anos. A primeira vez que entrou em uma vinícola da Serra, se apaixonou pelo cheiro do vinho e decidiu ficar. É doutora em Enologia pela Université de Bordeaux II (França) e em Farmácia e Bioquímica. Desde 2001, atua como delegada do Brasil na OIV e, em 2012, assumiu o posto de secretária científica da Subcomissão de Métodos e Análises, sendo a primeira brasileira a ter um cargo na organização. Sobre a presidência,ela revela: “É uma honra representar o Brasil”.  As eleições serão em 6 de julho, em Paris. Confira a entrevista:

Pioneiro: Quais as chances de ser a próxima presidente da OIV? 

Regina Vanderlinde: Achamos que são grandes. Na última reunião realizada em outubro, em Strasbourg (França), percebemos que temos chances. Participo da OIV desde 2001 e, desde 2012, ocupo o cargo de secretária científica da Subcomissão de Métodos e Análises, que é uma subcomissão muito importante dentro da OIV. Circulo há muito tempo por lá e as pessoas me conhecem. Mas como a presidência é um cargo também político e não somente técnico, pode não acontecer, como em qualquer eleição.

Quantos candidatos (países) concorrem ao cargo?

Por enquanto dois:  Brasil e Uruguai. Mas o processo de candidatura ficou aberto até a meia-noite de sexta. Portanto não tenho certeza se algum outro país se candidatou.

É um cargo disputado? Por que tão poucos países estão inscritos?

Para participar das eleições, há certas regras. São três anos de presidência (não remunerada). Por convenção, uma vez é um candidato do Hemisfério Sul e, na outra, do Hemisfério Norte. Ocorrem eleições simultâneas para presidente e diretor-geral (este remunerado). Quem indica para um cargo não pode indicar para outro. Para diretor, têm candidatos da Espanha e Nova Zelândia.  Acreditamos que a  Austrália e Nova Zelândia apoiam o Brasil. Mas o Uruguai trabalha na campanha há muito tempo. Nós, juntamente com o Ministério da Agricultura e Secretaria de Relações Internacionais, começamos recentemente.

Quais as vantagens que o Brasil tem sobre o Uruguai?

Não temos interesse de nos sobrepormos ao Uruguai, mas um interesse maior de divulgar os produtos brasileiros e de defender o setor vitivinícola brasileiro. Sou candidata porque tenho um longo percurso de trabalho científico dentro da organização.

Como surgiu a indicação?

Trabalhei durante 17 anos no Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), mas nunca pensei em me candidatar à presidência da OIV. A indicação partiu em conjunto com o Ministério da Agricultura e percebi que seria uma oportunidade de levar o nome do país para o mundo. 

Quem vota?

Os representantes oficiais de cada país membro da OIV.

Como funciona a política da OIV?

É uma organização de caráter técnico-científico e é intergovernamental. Ela concentra e é regra para todos os temas do mundo que tratam da vinha e do vinho. É o órgão do setor com maior competência. Envolve tudo, desde a área técnica, científica, metodologias de análise, legislação, limites e até quando tem um litígio de comércio internacional, embora não seja o organismo oficial para isso, a OIV é levada em conta. A Comunidade Europeia, por exemplo,  segue as normas técnicas da OIV. Todos os países utilizam a organização como referência. Tem um papel fundamental, que é o norteamento de uma política vitivinícola mundial. 

Como o setor vinícola da Serra se beneficiaria, caso seja eleita presidente?

Com a divulgação do setor e dos produtos brasileiros. Pretendo ser a embaixadora do vinho brasileiro. Todas as atenções se voltariam para as vinícolas daqui. Temos condições técnicas para produzir e competir com qualquer outro país. Somos muito fortes na produção de vinhos e espumantes, temos produtos de alta qualidade. Hoje, quem comanda as regras para produtos alimentares é o Códex Alimentarius (Código Alimentar, em latim), organismo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e OMS (Organização Mundial da Saúde), que tem 188 países membros, entre eles o Brasil. A OIV quer ser referência no Códex nos temas que envolvem o vinho e seus derivados. Dentro do Brasil, devemos internacionalizar a organização OIV no que diz respeito às metodologias oficiais de análises  e também procurar uma harmonização entre o Ministério da Agricultura e a Anvisa no que diz respeito aos aditivos e coadjuvantes enológicos, pois no Brasil é a Anvisa quem controla os aditivos alimentares.  Atualmente, o Brasil segue regras muito restritas em relação ao uso desses aditivos e coadjuvantes enológicos. Nossos produtores não podem utilizar aditivos que outros países podem, por exemplo. 

É possível, por exemplo, tentar reduzir os altos impostos do setor?

O Ibravin e todas as entidades representantes do setor vitivinícola brasileiros sempre trabalham para isso. Eu também pretendo trabalhar, mas infelizmente envolve outras políticas internas que estão além do meu alcance, mesmo como presidente da OIV.

Vai ser possível influenciar sobre a importação de vinhos?

Não depende da nossa participação na OIV. Temos uma produção pequena se comparada com outros países, porém  somos um país com grande potencial para o consumo, o que atrai outros países produtores.  O Brasil tem investido na qualidade de seus produtos e atingiu um patamar que compete com a qualidade de outros países produtores. Se destaca no  suco de uva e é um excelente produtor de espumante. Nossos vizinhos não têm isso. Temos que continuar investindo na qualidade dos nossos produtos.

 
 
 

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