"Meu pai saiu da colônia porque não queria dar aos filhos como herança um cabo de enxada", disse Moysés Michelon - Economia - Pioneiro

Caixa-Forte01/11/2017 | 12h02Atualizada em 01/11/2017 | 13h05

"Meu pai saiu da colônia porque não queria dar aos filhos como herança um cabo de enxada", disse Moysés Michelon

De presidente da Isabela a embaixador do Vale dos Vinhedos, empresário deixa marcas no turismo e no setor empresarial, como mostra entrevista concedida por ele ao Pioneiro em 2001 

"Meu pai saiu da colônia porque não queria dar aos filhos como herança um cabo de enxada", disse Moysés Michelon gilmar gomes/divulgação
Michelon era anfitrião aos turistas em eventos como a abertura da vindima Foto: gilmar gomes / divulgação

Em 2001, tive o privilégio de entrevistar Moysés Michelon, passar uma tarde com ele em meio aos vinhedos e ao recém inaugurado Hotel Villa Michelon, que nasceu com 42 funcionários.

O empresário, falecido na noite de terça-feira, já possuía um largo currículo na área empresarial, tendo sido sócio e comandando a companhia de massas e biscoitos Isabela por 42 anos. 

A empresa alimentícia projetou-se em suas mãos e, no final da década de 1990, foi vendida a um grupo internacional. Com isso, Moysés Michelon volta-se à vocação familiar (e às raízes) e investe na área hoteleira. Em um ano, constrói o complexo hoteleiro Villa Michelon, em área de 23 hectares.

Moysés Michelon fez mais do que construir um empreendimento de sucesso. Ajudou a impulsionar o Vale dos Vinhedos, roteiro na época ainda insipiente. Envolveu-se com eventos para alavancar o turismo. Foi presidente da 1ª Fenavinho.

Era o embaixador e o anfitrião da vindima. Com seu chapelão de palha e vestido de colono típico italiano, animava filós, participava de programações na abertura da vindima, era a estrela da pisa de uvas. Os turistas se encantavam por mesclar a gentileza, o bom humor e a alegria do imigrante italiano.

Moysés Michelon, 83 anos, tinha uma legião de fãs que o acompanhava pelo facebook, curtindo suas tiradas, suas lindas fotos do Vale e da natureza, seus convites para os eventos e suas pitadas de empolgação (e sabedoria). Sua meta, sempre frisava, era chegar aos 100 anos.

Num dos últimos posts, no qual atualizava seu estado de saúde, lembrou: "saboreiem a vida".

O turismo e a economia de Bento Gonçalves devem muito a Moysés MichelonA seguir, entrevista feita com Moysés Michelon há quase 16 anos, quando começava sua trajetória bem-sucedida na área hoteleira, na época com 67 anos. Foi publicada na edição do jornal Pioneiro do dia 3 de dezembro de 2001. Para visualizar, circule o mouse sobre a imagem:


 

 

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