Conheça as luxuosas opções para funerais expostas na feira em Bento Gonçalves - Economia - Pioneiro

Mercado da Morte25/11/2017 | 10h00Atualizada em 26/11/2017 | 16h28

Conheça as luxuosas opções para funerais expostas na feira em Bento Gonçalves

Exposição mostra as novidades do setor que movimenta R$ 8 bilhões ao ano no Brasil


 BENTO GONÇALVES, RS, BRASIL 24/11/2017Bento Gonçalves sedia feira do Sesf-RS de produtos e serviços para funerárias. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Urnas decoradas com cristais swarovskiFoto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Parece mórbido, mas não é. Quem passar pelo  Dall´Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, vai viver uma experiência inédita. Num espaço de mil  metros quadrados é possível conhecer e até escolher que tipo de "festa" vai querer em seu funeral. Sim, os artigos em exposição são dignos de uma festa de luxo e podem ser comparados a uma requintada festa de casamento. Vão desde um pingente de cristal para guardar as cinzas como lembrança até um luxuoso carro com iluminação especial para carregar a urna. 

Circular entre os caixões, pode parecer um passeio deprimente. Mas acredite, não é. O clima no ambiente onde acontece a primeira Exposição Nacional de Produtos e Serviços Funerários (Exposesf) na Serra Gaúcha é suave, sem espaço para a melancolia. O som de um violino transporta os visitantes para um mundo misterioso. Elegante, sofisticado, mas desconhecido. 

A feira atraiu expositores e compradores de todo o país. É o mais lucrativo evento de Bento Gonçalves do mês de novembro. A expectativa do Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do RS (SESF) é movimentar pelo menos R$ 3 milhões em dois dias de evento. Tem de tudo nos estandes. Roupas, maquiagem, produtos que aceleram a decomposição do corpo, coroas ecológicas, urnas decoradas com cristais  swarovski, que trocam de cor e até uma chuva de pétalas que cai sobre o caixão na hora da despedida.

O cerimonialista fúnebre Jonas Zanzini garante que os funerais estão cada vez mais sofisticados. O céu é o limite, lembra.

— Em muitos casos, são considerados grandes eventos — destaca.

A feira faz o visitante lembrar que a vida é feita de cerimônias. A morte é uma delas. E mais, não é necessário convite para comparecer, ao contrário de uma festa de casamento. Zanzini revela que hoje, os bons agentes funerários pesquisam a vida do ente querido para agregar valor  à cerimônia. 

— Na última homenagem, não pode faltar a história, as paixões, os gostos. Cada evento é único, exclusivo — declara.


Urnas requintadas e personalizadas

 BENTO GONÇALVES, RS, BRASIL 24/11/2017Bento Gonçalves sedia feira do Sesf-RS de produtos e serviços para funerárias. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Funeral pode ser embalado ao som de um violino, piano ou acordeon dependendo do gosto do ente querido Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

De madeira maciça, coloridas, vintage, com cristais, exclusivas para mulheres iluminadas, as urnas são a principal atração da feira. Há opções para todos os perfis e bolsos. Os preços variam de R$ 3 mil a R$ 50 mil. Escolher uma delas em um momento de tristeza é um desafio. Mas os empresários do ramo já pensaram nisso. Eles apostam na combinação de serviços inovadores e atendimento humanizado. Pessoas especializadas são capazes de identificar a história do cliente com a caixão.

Na feira há, por exemplo, as mesmas urnas em que foram enterrados o ex-jogador do Internacional Fernandão e o cantor sertanejo Cristiano Araújo. De madeira maciça, imponente e que carrega muita personalidade. No espaço de outro expositor, as madeiras utilizadas também são nobres: palissandro, cedro, louro. Há uma exclusiva para "mulheres com luz". Um cordão de cristais circunda a obra e  um pingente colocado nas fechaduras pode ser guardado como lembrança pela família. As alças são banhadas a ouro. Na parte interna, o cetim drapeado, a almofada e a base, a mesma feita para colchões dão a sensação de conforto.

— É esse conforto que queremos proporcionar à família. A de que ela fez o melhor que pode pela pessoa que acabou de perder. Esta é a primeira fase do luto — explica o empresário e expositor Leomar Behm.  

O funeral também pode ser acompanhado ao som de um piano, violino ou de acordeon. Vai depender em qual universo da música ela mais se identificou. O violinista Reinaldo Alexandre de Ávila, 43 anos, já participou de centenas de eventos. Questionado se prefere um funeral ou uma festa de 15 anos em responde:

— Sinceramente? Do funeral! É muito mais emocionante.


 BENTO GONÇALVES, RS, BRASIL 24/11/2017Bento Gonçalves sedia feira do Sesf-RS de produtos e serviços para funerárias. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Chuva de pétalas sobre o caixão é uma das atrações da feiraFoto: Felipe Nyland / Agencia RBS


Mercado certeiro e que fatura R$ 5 bilhões por ano


Poucos mercados possuem uma demanda tão certeira como o funerário. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são registrados, em média, 1 milhão de óbitos por ano no Brasil. Considerando este número de mortes e o custo médio de um funeral básico é de R$ 5 mil o mercado então movimenta cerca de R$  5 bilhões por ano. Portanto, mesmo com a crise,  o mercado funerário é um excelente negócio. O setor conta com 7 mil empresas funerárias e emprega cerca de 90 mil trabalhadores.

Mesmo com números tão certeiros e positivos, o assunto ainda é um tabu no mercado. Não é fácil trabalhar com morte. Mas basta um olhar atento para enxergar além, para perceber facetas que muita gente ignora e que podem ser bem lucrativas. A exposição em Bento Gonçalves é um exemplo. Este mercado se reinventa a cada dia. As empresas investem em melhores estruturas, novos centros de velórios, crematórios e até cemitérios particulares. A crise financeira e política pode ter afetado os negócios, mas não ao ponto de regredir. Em 2015, em plena crise, a Feira Funerária Bienalmente (Funexpo), em São Paulo, reuniu mais de 35 expositores e movimentou R$ 30 milhões em três dias de feira. 

E o setor só tende a crescer. para se ter uma ideia, o mercado de fornos crematórios, por exemplo, mais que dobrou nos últimos sete anos. Em 2010, a fatia que ocupava era de 5%. Hoje está em 12%. E promete crescer muito mais.

_ As próximas gerações não vão querer mais os enterros tradicionais, de ir até o cemitério. A cremação vai ocupar a maior parte do mercado funeral.


 Fornos e urnas pets


Outra atração na Exposesf são os fornos crematórios e urnas pets. Empresário do ramo, Marcelo Grecchin, garante que este mercado cresce 300% ao ano. E o Rio Grande do Sul é o carro-chefe dos negócios. Ele já fabrica fornos específicos para bichos e custam, em média R$ 250 mil. O de humanos custam R$ 400 mil. 

Ele explica que muitas pessoas estão substituindo os filhos por bichos de estimação. 

— E na despedida são tratados como filhos. É um mercado promissor —ressalta.

Na feira, em pelo menos a metade dos 18 expositores é possível encontrar artigos funerários para pets. As pequenas urnas chamam a atenção pela delicadeza, tamanho e cores.  Os detalhes seguem a linha dos humanos. Muito requinte e sofisticação.










 

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