Após decisão pela falência, plantas da caxiense Guerra SA são lacradas - Economia - Pioneiro

Indústria09/11/2017 | 20h06Atualizada em 09/11/2017 | 20h12

Após decisão pela falência, plantas da caxiense Guerra SA são lacradas

Medida foi tomada nesta tarde, quando também houve a publicação da sentença da juíza da 4ª Vara Cível de Caxias do Sul Maria Olivier

Após decisão pela falência, plantas da caxiense Guerra SA são lacradas Felipe Nyland/Agencia RBS
Falência da fabricante de implementos rodoviários foi publicada oficialmente nesta quinta-feira Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O primeiro reflexo da falência da Guerra SA, decretada pela juíza da 4ª Vara Cível de Caxias do Sul Maria Olivier, começou a aparecer nesta quinta-feira. As plantas da fabricante de implementos rodoviários foram lacradas, seguindo a orientação da magistrada. A sentença foi publicada hoje, mas os controladores da empresa devem recorrer da decisão ainda na sexta-feira. Na sequência, o recurso será apreciado por três desembargadores do Tribunal de Justiça, em Porto Alegre.

O parecer da juíza Maria Olivier pela falência veio quatro meses após a realização da assembleia de credores que apreciou o plano de recuperação judicial proposto pelos acionistas majoritários da Guerra. Na ocasião, duas categorias aprovaram e outras duas rejeitaram a proposta. Neste sentido, a magistrada considerou que a empresa já estava em um “estado falimentar” e chegou a um ponto insustentável, pois o processo de recuperação se arrasta desde 2015 e as atividades foram interrompidas em maio deste ano.

Assim, a magistrada determinou que os estabelecimentos comerciais fossem lacrados e ordenou a arrecadação dos bens da empresa. Caso a opção pela falência seja ratificada nas outras instâncias do Judiciário, os bens irão a leilão. O administrador judicial do processo, Cristiano Franke, tem a responsabilidade de liquidar o patrimônio da empresa para pagar os credores. No entanto, não há prazo para a venda e, consequentemente, o pagamento dos credores. Tampouco existe uma estimativa sobre quanto tempo o processo levará até que se chegue à uma decisão definitiva sobre a falência. 

- A decisão da Justiça foi a mais correta possível. Uma empresa que pretende se recuperar, no mínimo, tem que estar em funcionamento. Na atual situação da Guerra, a melhor alternativa e mais justa é o pagamento dos credores com a falência – aponta Franke.

Uma relação completa dos bens da empresa está sendo elaborada neste momento. Da mesma maneira, os sócios da sociedade empresária falida terão cinco dias, a partir de intimação, para apresentar uma lista atualizada de credores. Quando iniciou o processo, em 2015, as dívidas da Guerra eram superiores a R$ 200 milhões. 

Plantas da Guerra SA foram lacradas, após decisão de juíza da 4ª vara cível de Caxias do Sul pela falência da empresa
Comunicados foram colocados nas plantas da empresa em Caxias do Sul e FarroupilhaFoto: Cristiano Franke / Divulgação

O impacto da decisão

O advogado Angelo Coelho, representante dos acionistas majoritários da empresa, esteve em Caxias do Sul nesta quinta para conversar com a juíza. Coelho considera que a falência não é o melhor caminho a ser seguido e acredita que a fabricante de implementos rodoviários tem condições de se recuperar e voltar a produzir.

- A falência não é boa para ninguém. A Guerra produzindo reage fácil no mercado. A fatia de 14% do mercado, que a empresa tinha, acabou indo para a Randon – avalia Coelho.

O plano proposto por Coelho não era unanimidade. O acionista minoritário Marcos Guerra, que detém 20% das ações, discordava dos rumos da recuperação judicial da empresa e chegou a propor um plano alternativo. A reportagem do Pioneiro fez contato com Marcos Guerra, mas o empresário preferiu não comentar a falência.

- Hoje estou sem condições de falar – afirmou.

Marcos é filho de Ângelo Guerra, fundador da empresa, e esteve à frente da marca por um período. Em 2008, a família negociou o controle da empresa para o grupo francês Axxon.

O que diz a juíza Maria Olivier

“A situação de paralisação da recuperanda Guerra SA Implementos Rodoviários segue até os dias de hoje, passados mais de cinco meses da Assembleia Geral de Credores, e nenhum movimento foi realizado na busca de alternativas para a efetiva recuperação fabril, a fim de ser viabilizada a superação da crise econômico-financeira delineada no pedido da recuperação judicial, visando à permanência da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, na promoção da função social e do estímulo à atividade econômica.”

Não pairam dúvidas do estado falimentar em que se encontra a sociedade empresária Guerra S.A. Implementos Rodoviários, pois, passados mais de dois anos, não logrou seguir na sua organização empresária, tanto que, após um ano e meio do deferimento do pedido de recuperação judicial, paralisou suas atividades de produção, sendo claro o enfrentamento a credores, por insatisfação com os rumos tomados, tanto na efetiva recuperação, como nas questões do processo judicial.”

Próximos passos

- Angelo Coelho, advogado dos controladores da Guerra SA, entrará com recurso pedindo o efeito suspensivo da decisão pela falência.

- Se for concedido o efeito suspensivo, o administrador judicial retira os lacres dos imóveis e interrompe a arrecadação (processo de levantamento dos bens disponíveis para a venda). Caso o recurso seja negado, segue o procedimento e os bens podem ser negociados. Credores trabalhistas têm prioridade no recebimento dos recursos.

- A decisão sobre a falência da empresa será julgada por três desembargadores do Tribunal de Justiça, em Porto Alegre.

- Caso a posição pela falência seja mantida, ainda há possibilidade de recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

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