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AGRICULTURA FAMILIAR27/09/2017 | 08h10Atualizada em 27/09/2017 | 08h10

Região da Serra Gaúcha abre uma agroindústria por semana

Dados da Emater revelam crescimento deste modelo de negócio. Na região, serão 200 até final do ano

Região da Serra Gaúcha abre uma agroindústria por semana Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Gilnei Menegat aposta na qualidade e no sabor de suas chimias e conservas para firmar a marca Più Seleto no mercado Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A Serra Gaúcha está entre as regiões do Estado que mais abre agroindústrias do Estado. Dados da Emater/RS-Ascar indicam que a cada semana surge, em média, um novo negócio. Atualmente são 166  na área de abrangência da Emater, que envolve 49 municípios. Em dezembro de 2016 eram 152.  A expectativa, segundo o assistente técnico da Emater Ricardo Capelli é de que até o final do ano se estabeleçam mais 20 novos empreendimentos ligados à agricultura familiar – mais de quatro por mês e crescimento de  22% em relação ao ano passado.  Os investimentos na área se devem, principalmente, ao programa Estadual da Agricultura Familiar (Peaf), que oportuniza o pequeno agricultor a  montar sua indústria sem ter CNPJ.

— Ele pode comercializar seus produtos como pessoa física. Isso, no entanto, não o exime de cumprir as exigências sanitárias — explica Capelli.

No Estado, a cada três dias, uma agro é legalizada via Peaf. Até agosto deste ano, 1.047 negócios estavam legalizados no programa e quase 3 mil cadastrados, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural , Pesca e Cooperativismo (SDR).

O pequeno agricultor sempre teve poucas chances de  escoar seus produtos sem tropeçar com intermediários ou enfrentar a competição dos grandes produtores. É para ele que surge a agroindústria familiar – a fabricação de produtos caseiros, em pequena ou média escala, para venda direta à redes de supermercados ou casas especializadas

É o caso do agricultor de Nova Pádua Gilnei Menegat, 43 anos. Há três anos, ele começou a pensar na possibilidade de direcionar parte da produção dos 10 hectares de área plantada para a fabricação de produtos com a sua marca.  Em fevereiro deste ano, inaugurou seu novo negócio, a Più Seleto (mais seletivo). A linha ainda é pequena. Conta com 5 mil unidades de seis diferentes sabores de chimias e conservas. 

Produzidos totalmente de forma artesanal, os produtos já fazem sucesso nas delicatesses (lojas de comidas finas e iguarias) da região. O próximo passo da agroindústria de Nova Pádua já está encaminhado:  a produção de frutas desidratadas. A estufa já está pronta.


Investimento


Menegat é um agricultor disposto a inovar. Isso fez com que ele ousasse no novo negócio. Investiu R$ 234 mil na construção do prédio de 126 metros quadrados e em equipamentos. Cumpriu todas as exigências sanitárias, buscou conhecimento por meio de cursos na Emater e Sebrae e aposta num retorno a curto prazo. A maior parte da produção da propriedade dos Menegat ainda vai para o Ceasa e redes de supermercados, mas ele foca no crescimento de sua agroindústria.

Pai de dois filhos, de 10 e 14 anos, Menegat pensa no futuro deles. 

— Gostaria que eles permanecessem aqui no interior.  Que pudessem se sustentar com a qualidade de vida  que temos aqui — ressalta. 

Para isso, ele foca no legado que vai deixar: produtos de alta qualidade e com muito valor agregado.

A matéria-prima, segundo ele, tem que ser de primeira. A produção também. 

— A meta é fazer bem feito e lembrar o sabor da comida da nona.

Por enquanto, ele e a esposa, Alessandra, tocam o negócio. Os pais tomam conta das lavouras. Mas a perspectiva é contratar novas pessoas e ampliar o mercado de vendas. A participação na Expointer já abriu novos horizontes.

— Foi um divisor de águas.  

A próxima feira já agendada para outubro, em Ijuí.  

 
 
 

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