Produção na Marcopolo de Caxias será retomada em uma semana  - Economia - Pioneiro

Incêncio04/09/2017 | 19h48Atualizada em 05/09/2017 | 09h08

Produção na Marcopolo de Caxias será retomada em uma semana 

A informação é do CEO da empresa, Francisco Gomes Neto. Maior fábrica de carrocerias de ônibus da América Latina ainda está calculando os prejuízos

Produção na Marcopolo de Caxias será retomada em uma semana  Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O retorno da produção na unidade da Marcopolo no bairro Ana Rech deve começar a partir da próxima segunda-feira. A informação foi anunciada na tarde de ontem pelo CEO da empresa, Francisco Gomes Neto. A unidade de plásticos localizada no complexo foi destruída pelo fogo na tarde de domingo. Cerca de 4 mil funcionários de quatro setores foram dispensados na manhã de ontem e só devem começar a ser convocados a partir da próxima semana.

— Temos esta semana para nos reestruturarmos e recomeçarmos a produzir, gradativamente. Em outubro, deveremos estar em pleno funcionamento —informa o CEO.

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A maior fábrica de carrocerias de ônibus da América Latina conta com 6,8 mil funcionários em Caxias do Sul. Desses, 600 trabalhavam na unidade de plásticos que foi atingida. A direção da empresa criou uma comissão, formada por diretores, frentes de trabalho e funcionários, que vai definir as estratégias para a retomada.

— É uma equipe com uma força de vontade impressionante. Eles querem que a situação se resolva o mais breve possível. Temos o senso de urgência, e este otimismo nos anima — destaca o executivo.

As prioridades

Saber quais são os moldes das peças plásticas que precisam ser refeitos é a prioridade da direção da empresa. A unidade produzia, principalmente, os tetos, as partes frontal e traseira dos ônibus.

Em um levantamento prévio, foi constatado que pelos menos cinco moldes de teto estão intactos, segundo ele.A empresa ainda não tem definido em que local e como será retomada a produção. Pode ser no mesmo complexo ou na Ciferal, unidade da Marcopolo no Rio de Janeiro. Tem ainda a possibilidade da contratação de empresas terceirizadas ou buscar apoio das filiais na Colômbia e no México.

Apesar de o ônibus ser composto predominantemente por estrutura em aço e chapas de aço e alumínio, os componentes plásticos são itens relevantes para o acabamento dos produtos. Por isso, a paralisação na sua fabricação pode afetar a produção e montagem do veículo.

Segundo Gomes Neto, no entanto, esta parte da linha (de plásticos) não é difícil de resolver e representa 15% do complexo da unidade de Ana Rech. Alguns moldes, informa, podem ser feitos em um dia.

Impacto no faturamento

No primeiro semestre de 2017, a Marcopolo teve uma receita líquida de R$ 1,295 bilhão. A média mensal girou em torno de R$ 215 milhões. O CEO ainda não sabe dimensionar os prejuízos, mas, tendo como base o faturamento dos meses anteriores, o impacto na receita é inevitável.

Além disso, a despesa com folha de pagamento permanece inalterada, mesmo sem produção. A empresa de Ana Rech produz 18 ônibus por dia. Em agosto, foram fabricados 340 rodoviários e 40 urbanos. A empresa vinha crescendo a cada trimestre. Em agosto, contratou 200 trabalhadores. Outros 160 estão em processo de contratação, que deve ser freado.

Gomes Neto adianta que os contratos e as previsões de entrega de ônibus devem ser renegociados. A empresa tem pedidos garantidos até o final do ano. A construção da unidade, inaugurada em 2010, custou R$ 30 milhões. Atualizado para valores atuais, o custo para reconstruí-lo seria de cerca de R$ 50 milhões, embora a empresa tenha seguro para essa planta fabril.  

 

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